Mesmo ferida, capivara com flecha cravada escapa de captura e resgate é adiado
PMA localizou animal no fim da tarde, mas acesso difícil e risco de afogamento impediram retirada nesta quinta
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A capivara que foi encontrada com uma flecha cravada no corpo nesta quinta-feira (27), em Campo Grande, foi localizada novamente pela PMA (Polícia Militar Ambiental) no fim da tarde, mas não pôde ser resgatada. A equipe passou horas acompanhando o animal às margens do córrego na Avenida Thyrson de Almeida, próximo ao cruzamento com a Rua do Piano, no Bairro Aero Rancho, mas o procedimento precisou ser adiado por causa do difícil acesso ao local e do risco de a capivara fugir para a água após ser sedada.
A equipe da PMA retomou as buscas no final da tarde e, depois de algum tempo percorrendo de carro as margens do córrego, conseguiu encontrar o animal. Os policiais permaneceram acompanhando a capivara, aguardando a chegada de uma equipe do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), que deveria auxiliar no resgate e no atendimento veterinário.
A tentativa, porém, se prolongou até o anoitecer. Conforme os policiais que estavam no local, a capivara percebe que está sendo seguida sempre que a equipe se aproxima e, por isso, se afasta em direção à área de difícil acesso do córrego. Em determinado momento, dois policiais ambientais permaneceram por quase uma hora observando o animal, que estava em uma região de barranco.
Segundo o sargento Gelson, da PMA, a orientação para quem encontrar a capivara é não tentar se aproximar. A presença de pessoas pode fazer com que o animal se assuste e fuja, dificultando ainda mais o resgate.
“Então, a nossa orientação para o pessoal que se deparar com esse animal é deixar com a flecha realmente cravada no lado direito do corpo e não tentar chegar perto para não afugentar o animal”, explicou.
A estratégia da equipe é aproveitar o momento em que a capivara deixar o córrego e estiver em uma área seca. Nesse ponto, os policiais poderão fazer um cerco para tentar capturá-la com segurança.
“Para nós, a captura vai ser melhor se tiver no seco. Na grama aqui, a gente vai tentar fazer um cerco e capturar ela no seco”, disse Gelson.
A dificuldade está justamente em fazer com que o animal permaneça em um local onde possa ser alcançado. Quanto mais os policiais se aproximam, mais a capivara percebe que está sendo acompanhada e se afasta. Durante o monitoramento, ela chegou a se esconder novamente na vegetação próxima ao córrego.
Risco na água - A capivara estava em um trecho de barranco às margens do córrego, onde o acesso é complicado. Segundo a PMA, os policiais não poderiam simplesmente entrar na água para tentar alcançá-la, já que não conhecem a profundidade do córrego e não sabem se há galhos, objetos ou materiais cortantes escondidos entre o lixo acumulado no local.
O uso de dardo tranquilizante também precisa ser feito com cautela. Caso a capivara seja atingida enquanto estiver próxima da água, ela pode perder os movimentos antes que os policiais consigam retirá-la.
“Porque se usar o dardo tranquilizante, a gente não pode deixar ela cair na água, porque senão ela tem o perigo de morrer afogada. E aí são o que a gente vai analisar na hora que as equipes estiverem aqui”, afirmou o sargento.
A PMA informou ainda que a área onde o animal estava é considerada de difícil acesso e que a parte do córrego naquele ponto é funda. Por isso, uma tentativa precipitada poderia colocar a própria capivara em risco.
Outro fator que dificulta a operação é a presença da flecha. Os policiais evitam qualquer tentativa de contenção que possa provocar uma reação brusca do animal ou fazer com que a flecha seja quebrada ou deslocada.
Apesar da situação, a avaliação inicial da PMA é de que a flechada foi subcutânea e, neste momento, não representaria risco imediato de morte para o animal. Durante o acompanhamento, os policiais também observaram que a capivara seguia se alimentando e se movimentando pelo ambiente.
A equipe relatou ter acompanhado o animal por aproximadamente 500 metros e observado seu comportamento no habitat natural. A estratégia é esperar que ele volte para uma área mais próxima da margem da avenida, onde possa ser sedado e retirado com maior segurança.
O sargento Gelson explicou que a intenção é reunir as equipes da PMA e do CRAS para fazer a captura e, posteriormente, encaminhar o animal para atendimento.
“Vamos tentar juntar o pessoal do CRAS, junto com duas equipes nossas, para fazer a captura do animal para que ele seja medicado”, afirmou.
Captura pode levar dias - Com o avanço da noite e sem a chegada da equipe do CRAS no momento adequado para a captura, o resgate acabou sendo adiado. A PMA ainda pretendia tentar localizar e acompanhar o animal, mas os policiais admitiram que a captura pode levar mais tempo caso não surja uma oportunidade segura.
A operação deve continuar nesta sexta-feira (27), inclusive pode durar até dois dias, até que a capivara deixe a área de água e fique em um ponto onde possa ser cercada e capturada sem risco de afogamento.
Enquanto isso, a orientação é para que moradores não tentem capturar, perseguir ou se aproximar do animal. A intenção é evitar que ele seja novamente afugentado para dentro do córrego ou se machuque durante uma tentativa de fuga.

Flecha no corpo - A capivara foi vista pela primeira vez por volta das 6h30 desta quinta-feira (27), quando moradores perceberam que ela estava com uma flecha cravada próximo ao pescoço. O animal estava às margens do Rio Anhanduí, na região do Guanandi, e chegou a permanecer próximo à Avenida Vereador Thyrson de Almeida.
Moradores acionaram a PMA, que iniciou as buscas ainda pela manhã. A Patrulha Ambiental da Guarda Civil Metropolitana também esteve na região procurando o animal. Na ocasião, a capivara desceu para as margens do rio e posteriormente voltou para perto da rua.
A presença de capivaras é comum na região. Moradores que viram o animal durante a manhã ficaram preocupados com o ferimento e acionaram as autoridades para que pudesse receber atendimento.
O objetivo do resgate é retirar a capivara com segurança e encaminhá-la ao CRAS, onde deverá passar por avaliação e atendimento veterinário.
Crime ambiental - Ferir ou maltratar animais silvestres é crime ambiental. A legislação federal prevê detenção de três meses a um ano, além de multa, para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Caso o animal morra em decorrência da agressão, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.


