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Meio Ambiente

Rio da Prata volta a secar e água some debaixo de ponte em Jardim

No Curé, o fluxo foi interrompido, mas o curso segue adiante e os atrativos funcionam normalmente

Por Inara Silva | 27/08/2026 15:55


RESUMO

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O Rio da Prata apresenta novos sinais de estiagem em Jardim, no Mato Grosso do Sul, com interrupção do fluxo sob a Ponte do Curê. O fenômeno, que também ocorreu em 2024 e 2025, é monitorado pelo grupo Amigos do Rio da Prata. As causas são investigadas pelo Ministério Público estadual, que apura a influência de drenos nas cabeceiras do rio. Os atrativos turísticos seguem funcionando normalmente.


O Rio da Prata voltou a apresentar sinais de estiagem em Jardim, a 236 km de Campo Grande. Imagens registradas na terça-feira (25) mostram que a água deixou de passar sob a Ponte do Curé, trecho que já havia sido afetado pela seca nos anos anteriores. Apesar da interrupção naquele ponto, há água nas proximidades e o curso do rio é retomado mais adiante.

O registro foi divulgado pelo perfil Amigos do Rio da Prata, no Instagram, e mostra que a ponte está localizada em uma parte mais elevada do terreno, onde o baixo nível do rio faz com que o fluxo seja interrompido durante períodos de estiagem.

As imagens mostram que há água acima da ponte e pequenas poças nas proximidades. No entanto, o vídeo explica que mais adiante, o Rio da Prata volta a correr ao receber água de outras nascentes e ganha volume com a contribuição do Rio Olho d'Água. Por isso, os atrativos turísticos da região permanecem funcionando normalmente.

Uma nova vistoria realizada nesta quinta-feira (27) constatou que a seca já atinge cerca de três quilômetros do leito do Rio da Prata. Segundo Nisroque da Silva Soares, presidente do Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim, foram encontrados peixes isolados em poças, mas, por enquanto, a avaliação é de que não há necessidade de removê-los. A área está sendo monitorada diariamente e, diante da previsão de chuva para a próxima semana, a equipe decidiu aguardar. Caso a situação se agrave, o instituto afirma estar preparado para acionar o plano de relocação dos peixes e montar a logística necessária para o resgate.

Seca se repete - O cenário registrado neste mês não é inédito. Em setembro de 2025, levantamento apontou cerca de sete quilômetros do Rio da Prata quase ou totalmente sem água, também na região próxima à Ponte do Curé e à MS-178, em Jardim.

Naquele ano, os primeiros sinais da redução do nível apareceram no início de setembro e foram registradas mortes de peixes e outros animais aquáticos. Em 16 de setembro, aproximadamente três quilômetros estavam afetados. Pouco mais de uma semana depois, a extensão quase ou totalmente seca já chegava a cerca de sete quilômetros.

A situação já havia ocorrido em 2024. Durante a estiagem daquele ano, aproximadamente seis quilômetros do curso d'água chegaram a secar, incluindo a região da Ponte do Curé. O cenário exigiu operações para retirar peixes que ficaram isolados em poças. O fluxo começou a ser restabelecido com a chegada das chuvas, em novembro.

Em 2024, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul passou a investigar as causas da redução do volume de água. A PMA (Polícia Militar Ambiental) apresentou um relatório à investigação e associou a seca à estiagem prolongada, além de levantar a hipótese de que drenos construídos nas cabeceiras do rio possam ter contribuído para agravar a situação.

Águas cristalinas - O Rio da Prata é um dos principais cursos d'água da região da Serra da Bodoquena e integra a bacia do Rio Paraguai. Conhecido pela transparência das águas e pela biodiversidade aquática, atravessa uma área onde o ecoturismo tem forte presença, com atividades como flutuação e observação da fauna.

Além dos episódios recentes de seca, o rio tem histórico de problemas relacionados ao turvamento das águas. Entre 2018 e 2019, chuvas intensas provocaram o carreamento de sedimentos e comprometeram a transparência em alguns trechos, situação que levou à adoção de medidas de conservação do solo e de proteção dos banhados.

Seca e turvamento, no entanto, são fenômenos distintos e chegaram a ser investigados separadamente pelo Ministério Público. No episódio registrado agora, a informação disponível é de redução do nível durante o período de estiagem. O monitoramento deverá indicar se a interrupção do fluxo na Ponte do Curé avançará para outros trechos ou será revertida com a retomada das chuvas.

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