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Meio Ambiente

Ninho artificial de tuiuiús volta a exibir vida, com casal de aves

Abrigo original foi consumido pelas chamas dos incêndios florestais do ano passado e passaros retornaram

Por Gabriela Couto | 18/05/2021 18:02
Casal de tuiuiús reconstroem o ninho para nova temporada de reprodução em local similar ao original (Foto Alexander de Oliveira)
Casal de tuiuiús reconstroem o ninho para nova temporada de reprodução em local similar ao original (Foto Alexander de Oliveira)

A natureza dá um show de resiliência no Pantanal após os incêndios florestais históricos do ano passado. A prova mais recente disso e que aquece o coração com uma pontinha de esperança é a chegada de moradores no ninho artificial de tuiuiús construído ao lado do ipê roxo, onde o ninho original foi queimado pelas chamas em setembro do ano passado, às margens da BR-262.

O casal já foi flagrado arrumando o berço para os futuros bebês, colocando novos galhos, capins e plantas aquáticas. Segundo o pesquisador da Embrapa, Walfrido Tomás, a presença do casal de aves símbolo do Pantanal responde a expectativa do grupo que instalou o ninho artificial.

“Estávamos na expectativa de que voltassem para o local este ano, a fase reprodutiva deste animal inicia por volta de agosto. Este período, então, seria de retomada ao seu ninho, ou construção de um novo. O que deve ocorrer por agora é eles depositarem mais material acima da base já iniciada e no segundo semestre ter os ovos e depois os filhotes”, afirma o pesquisador.

Estrutra foi construída na mesma altura e ao lado do ipê roxo onde o ninho original ficava, às magens da BR-262 (Foto Alexander de Oliveira)
Estrutra foi construída na mesma altura e ao lado do ipê roxo onde o ninho original ficava, às magens da BR-262 (Foto Alexander de Oliveira)

Para Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, o fato “é sinônimo de esperança. É maravilhoso o sinal deles estarem de volta, local tão emblemático para a história, tombado inclusive como Patrimônio do Pantanal. O fato deles retornarem, reforça a fidelidade e memória de seu sítio de reprodução”, destacou.

O ninho artificial foi construído no alto de uma estrutura metálica usada em torres de transmissão. O espaço tem formato octogonal e foi forrado com pedaços de madeira do local, para deixar o mais próximo do ninho natural.

O projeto foi executado pela Energisa, com altura similar à da árvore queimada e teve o ninho inspirado nos que são construídos para cegonhas, na Europa. A iniciativa foi baseada em pesquisas da Embrapa Pantanal, Projeto Arara Azul e Fundação de Meio Ambiente do Pantanal.

Agora a orientação para a população é deixar os papais cumprirem o ciclo da natureza. A gerente da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, Ana Cláudia Boabaid, reforça os cuidados e medidas que devem ser tomadas para que o ninho se mantenha seguro ao casal de Tuiuiús. “Evitem ficar próximo do ninho, admirem o casal sem parar o veículo”, pondera.

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