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Meio Ambiente

Pantanal caminha para 5º ano com deficit de chuva

Situação hidrológica só foi positiva no verão de 2023; atualmente, todo o bioma está em estado de alerta

Por Jhefferson Gamarra | 12/06/2024 15:44
Região do Pantanal durante seca severa registrada em 2022 (Foto: Lucimar Couto)
Região do Pantanal durante seca severa registrada em 2022 (Foto: Lucimar Couto)

O Pantanal, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do Brasil e considerado a maior planície alagada do mundo, caminha para o quinto ano consecutivo de déficit de chuvas. Desde o verão de 2019/2020, a bacia do Alto Paraguai, que abrange mais de 360 mil km² nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tem registrado uma redução significativa nas precipitações. A única exceção foi o período entre 2022/2023, quando o índice de chuva ficou 76 mm acima da média.

Desde janeiro deste ano, a situação hidrológica é considerada crítica, com seca excepcional, o mais alto grau de classificação, sendo observada nas estações pluviométricas de Ladário e Porto Murtinho, ambas localizadas em Mato Grosso do Sul.

Segundo uma nota técnica do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a seca tem impactado severamente as áreas agroprodutivas, principalmente nas pequenas propriedades de terra, geralmente utilizadas para produção familiar.

"Por enquanto, a seca está mais intensa nas regiões mais elevadas da bacia do Alto Paraguai, o que tem contribuído para os impactos nos recursos hídricos, já que são áreas de contribuição da bacia. No entanto, como a previsão é de chuvas abaixo do normal no mês de junho, espera-se que a situação no bioma (planície) se intensifique", explicou Ana Paula Cunha, especialista em secas e pesquisadora do Cemaden.

Entre dezembro de 2023 e maio de 2024, a bacia do Alto Paraguai registrou um déficit de 277 mm de chuva, comparado à média histórica. Embora esta redução não tenha superado a de 2020/2021, quando a anomalia negativa foi de 311 mm, o Cemaden alerta que a situação atual dos recursos hídricos é mais crítica do que há quatro anos.

"Por enquanto, os impactos têm sido mais intensos nos recursos hídricos, em razão das chuvas acumuladas abaixo da média em vários verões seguidos (exceto em 2022/2023). Em relação ao risco de incêndio de vegetação, pode haver um aumento no número de focos de queimadas, mas ainda é incerto se será pior ou não do que no final de 2020", projetou a especialista.

A redução contínua das chuvas na região tem várias causas, conforme detalhou a pesquisadora. Um forte El Niño no final do segundo semestre de 2023 contribuiu para a escassez de chuvas e os extremos de temperatura na região. Entre 2020 e 2021, um bloqueio atmosférico na região central do Brasil ocasionou a redução das chuvas.

"Alguns estudos mostram que o aumento da frequência de bloqueios atmosféricos pode estar relacionado com as mudanças climáticas e com o desmatamento. Mas, ainda são necessários mais estudos para uma afirmação concreta", ressaltou a pesquisadora.

Os impactos nas áreas agroprodutivas se agravaram em maio, afetando 118 municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em dezembro, 43% dos municípios já apresentavam pelo menos 40% de áreas agroprodutivas potencialmente afetadas pela seca. Grande parte dos pequenos produtores da região apresentou mais de 80% da área impactada.

"Considerando que o período de novembro a fevereiro compreende a maior parte dos ciclos agrícolas, a seca ocorrida nessas áreas, nesse período, pode ter contribuído para a queda na produtividade", avaliou a profissional do Cemaden. Ela também indicou que a seca prolongada tem causado impactos nas áreas de pastagens.

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