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Meio Ambiente

Parte do Pantanal volta a encher após 10 anos de seca

A régua de Ladário mostra que o Rio Paraguai está medindo 2,36 metros

Por Izabela Cavalcanti | 05/06/2026 11:06
Parte do Pantanal volta a encher após 10 anos de seca
Do alto, imagem mostra área cheia no Pantanal (Foto: Divulgação/IHP)

A região do Paiaguás, no Pantanal em Mato Grosso do Sul, voltou a encher e está praticamente coberta pela água após 10 anos de seca. O cenário visto de cima é uma esperança.

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A região do Paiaguás, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, voltou a encher após 10 anos de seca intensa. Segundo o diretor do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, chuvas nas cabeceiras do Rio Taquari cobriram quase um terço da área. O governo estadual decretou emergência ambiental por 180 dias, e o IHP reforçou a manutenção do Sistema Pantera, que monitora mais de 1 milhão de hectares do bioma.

A maior planície alagada do mundo já sofreu muito com incêndios, principalmente entre 2020 e 2024, com a combinação de calor extremo e seca severa. Conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o fogo queimou 10,9 milhões de hectares no Pantanal.

O diretor do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), Ângelo Rabelo, explicou que a cheia acontece especificamente no Delta do Taquari.

“Choveu muito nas cabeceiras do rio taquari, na região mais Oeste, a partir do Arrombado do Caronal, ele espraia essa água. É uma cheia que ocupa quase um terço do Paiaguás, fruto desse incidente do rio taquari, mas fazia 10 anos que não enchia tanto assim”, pontuou.

O termo Arrombado é uma linguagem técnica, usado quando o leito do rio fica mais alto do que as margens. Na prática, é um ponto de ruptura nas margens do Rio Taquari.

Aos olhos de Rabelo, “é uma capacidade de resiliência que o Pantanal tem”. No entanto, “não nos deve deixar relaxados, no sentido de que está tudo bem. Isso é talvez um pouco de esperança”, ressaltou.

Ainda de acordo com o IHP, a régua de Ladário mostra que o Rio Paraguai está medindo 2,36 metros.

"Essa medida mostra que é uma cheia moderada, uma cheia convencional vai a 4 metros. É um nível interessante, um nível que dá um certo conforto para a navegabilidade e que traz um conforto sobre o ponto de vista ambiental", pontuou.

Insuficiente - De acordo com a Embrapa, a cheia do Pantanal está abaixo da média. Na estação fluviométrica de Ladário, no dia 19 de abril deste ano, o nível observado foi de 1,95 metros, ficando 1,2 metro abaixo da média histórica para a data, estimada em aproximadamente 3,18 metros.

Na análise da entidade, essa é de uma cheia que não é suficiente para restaurar o comportamento hidrológico tradicional do Pantanal.

Conforme explica o pesquisador Carlos Padovani, da Embrapa Pantanal, a análise das chuvas de toda a Bacia do Alto Paraguai no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, na série histórica entre 1981 e 2026, mostra que o acumulado entre outubro de 2025 e março de 2026 foi de 10% a 12% inferior à média e à mediana histórica da série para toda a bacia.

“Além do déficit acumulado, observa-se forte irregularidade intra-sazonal, com destaque para o mês de janeiro de 2026, que apresentou anomalia negativa expressiva (pouca chuva), contrastando com fevereiro, quando houve recuperação pontual das chuvas”, detalhou.

Ainda de acordo com ele, a cheia não deverá prejudicar a navegação. Por outro lado, a ocorrência de uma cheia pequena é desfavorável à produção pesqueira.

Emergência - O bioma sofre com condições climáticas, como a onda de calor e o fenômeno El Niño.

Diante disso, o Governo do Estado decretou situação de emergência ambiental por 180 dias em Mato Grosso do Sul. O alerta é maior para áreas do Pantanal.

Conforme a publicação, a combinação de temperaturas acima de 30°C, ventos superiores a 30 km/h e umidade relativa do ar abaixo de 30% cria um cenário propício para incêndios sem controle.

O IHP também reforçou as ações de prevenção na região da Serra do Amolar. Com o apoio da Marinha do Brasil, a entidade realizou a manutenção de uma das torres do Sistema Pantera, tecnologia utilizada para detectar focos de fumaça e permitir uma resposta rápida ao surgimento do fogo.

A ação inclui a substituição de quatro baterias responsáveis por manter o funcionamento ininterrupto das câmeras de alta resolução instaladas na estrutura. O sistema opera 24 horas por dia e monitora mais de 1 milhão de hectares do Pantanal brasileiro e boliviano.

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