Vídeo mostra jaguatirica invadindo toca e pegando filhote de tatu-canastra
Estudo do ICAS revela predação inédita e amplia conhecimento sobre a espécie ameaçada
RESUMO
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Pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres registraram, pela primeira vez, uma jaguatirica escavando a entrada de uma toca e retirando um filhote de tatu-canastra de 11 dias. O caso, ocorrido em Mato Grosso do Sul, integra estudo que amplia o conhecimento sobre a reprodução da espécie, que atinge maturidade sexual entre 7 e 9 anos e gera apenas um filhote a cada 3 ou 4 anos, tornando cada nascimento essencial para a conservação do mamífero.
Um registro inédito feito por pesquisadores do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), em Mato Grosso do Sul, mostrou que nem mesmo a toca, considerada o principal refúgio do tatu-canastra, garante proteção aos filhotes da espécie. Pela primeira vez, uma jaguatirica foi flagrada escavando a entrada de um abrigo e retirando um filhote de apenas 11 dias de vida.
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O caso integra um estudo que será publicado pelo ICAS e amplia o conhecimento sobre a reprodução, o cuidado parental e os desafios para a conservação do tatu-canastra, considerado um dos mamíferos mais ameaçados da América do Sul.
Segundo Arnaud Desbiez, presidente e fundador do ICAS, a cena surpreendeu até mesmo a equipe que monitora a espécie há 16 anos. "Foi um registro realmente muito surpreendente. Nunca, em 16 anos de projeto, registramos algo parecido", afirma.
As imagens mostram a fêmea deixando a toca para se alimentar de formigas e cupins após fechar cuidadosamente a entrada. Ela utiliza as patas traseiras para jogar areia sobre o buraco e, em seguida, compacta o solo pressionando a cabeça contra a entrada. Pouco tempo depois, uma jaguatirica aparece, cava a entrada da toca e retira o filhote na boca.
"Esse filhote tinha uns 10 dias, então realmente não tinha como se defender. Essa predação é uma tragédia, mas é um evento natural. Não é isso que ameaça a espécie. O que ameaça o tatu-canastra são a perda de habitat, as colisões veiculares, os incêndios e o envenenamento por pesticidas, entre outras ameaças", explica Desbiez.
O pesquisador destaca que registros como esse só são possíveis graças ao uso de armadilhas fotográficas instaladas em frente às tocas. "As câmeras são essenciais para o nosso trabalho porque o tatu-canastra é uma espécie muito rara, solitária e noturna. Elas [as câmeras] são os nossos olhos no campo", diz.
Reprodução lenta torna cada filhote valioso
Ao longo dos últimos 16 anos, o projeto também ajudou a desvendar aspectos da reprodução do tatu-canastra, pouco conhecidos pela ciência até então. As pesquisas mostram que a espécie atinge a maturidade sexual apenas entre sete e nove anos de idade e que as fêmeas dão à luz apenas um filhote a cada três ou quatro anos.
O cuidado materno também é prolongado. O filhote é amamentado por cerca de nove meses, depende das tocas da mãe até aproximadamente 15 meses de idade e permanece no território materno por até quatro anos antes de seguir sozinho.
"Cada filhote de tatu-canastra é absolutamente precioso. A espécie tem uma taxa de crescimento populacional muito lenta, por isso compreender os fatores que afetam sua sobrevivência é fundamental para a conservação", destaca Arnaud.
Além do registro da jaguatirica retirando um filhote de dentro da toca, o estudo relata um segundo caso de provável predação ocorrido durante a mudança de abrigo entre uma fêmea e um filhote de aproximadamente 54 dias, reforçando que os primeiros meses de vida representam um período crítico para a sobrevivência da espécie.
ICAS-Fundado em Mato Grosso do Sul pelo pesquisador Arnaud Desbiez, o ICAS foi criado para oferecer suporte científico e financeiro a projetos voltados à conservação da fauna silvestre. Entre as principais iniciativas da instituição está o Programa de Conservação do Tatu-Canastra, que há mais de 15 anos acompanha a maior espécie de tatu do mundo em áreas do Pantanal e do Cerrado. E o Projeto Bandeiras & Rodovias que é focado na conservação do tamanduá-bandeira, analisando principalmente o impacto do atropelamento de fauna em rodovias
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