Adriane compara asfalto de Campo Grande a “obturação velha” no dente
Prefeita também diz que obras seguem em andamento e licitações devem ser concluídas em até 30 dias

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), comparou a situação da pavimentação da Capital a uma “obturação velha” durante o anúncio feito a uma rádio na manhã desta quinta-feira (23) sobre um pacote de obras de asfalto e drenagem. Segundo ela, em até 30 dias devem ser concluídas todas as licitações e serão emitidas ordens de serviço para as 40 frentes de obras previstas.
RESUMO
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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), comparou a situação do asfalto da capital a uma "obturação velha" durante anúncio de obras de pavimentação e drenagem. A gestora revelou que, em 30 dias, serão concluídas as licitações e emitidas ordens de serviço para 40 frentes de obras. O projeto prevê intervenções em diversos bairros, incluindo Vila Nossa Senhora Aparecida, Jardim Noroeste e Moreninhas. A cidade possui déficit de 1.200 quilômetros de asfalto, e as obras incluirão bacias de contenção para evitar alagamentos. O investimento conta com parcerias do governo estadual e federal.
A analogia surgiu a partir de uma experiência pessoal, relatada pela prefeita durante a entrevista à Rádio Difusora. “Eu fui ao dentista ontem, porque a gente, de vez em quando, precisa fazer um check-up. Eu tinha uma restauração no dente de amálgama, aquela escura, que parece prata. E a dentista virou para mim e falou assim: ‘Essa tem mais de 30 anos e não suporta mais. O teu dente já não suporta mais ela, então vou ter que trocar”, disse.
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Na sequência, Adriane afirmou que fez a associação com a situação das ruas da Capital. “Aí eu falei: ‘Como as ruas de Campo Grande, doutora?’. Está no mesmo formato. As ruas de Campo Grande, algumas delas, têm mais de 30 anos desde que foram pavimentadas, em bairros e parcelamentos antigos, e agora a gente tem que mudar a forma de trabalhar. E essa mudança está acontecendo”, declarou.
Segundo a prefeita, o problema da pavimentação em Campo Grande é histórico e acumulado ao longo de décadas. Ela afirmou que a cidade possui um déficit de 1.200 quilômetros de asfalto. “Se você pesquisar outras cidades do Brasil, Campo Grande é uma das poucas capitais que tiveram esse atraso na última década”, completou.
Adriane diz que os pontos foram escolhidos junto ao titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Marcelo Miglioli, e da Seppe (Secretaria de Planejamento e Parcerias Estratégicas do Município de Campo Grande), Catiana Sabadin.
“Planejamos o ano de 2025 para fazer esse grande lançamento para Campo Grande, que é o asfalto que muda a vida. Além da valorização do imóvel, o asfalto transforma a vida das pessoas. Fizemos pesquisas e esse era o pedido mais latente do campo-grandense”, afirmou.
Conforme já havia sido explicado por Miglioli em entrevista concedida ontem (22) ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, a priorização dos bairros levou em conta gargalos estruturais antigos, áreas com maior número de reclamações e regiões que concentram demandas históricas levadas por parlamentares.
Entre os bairros citados por Adriane estão: Vila Nossa Senhora Aparecida, Bosque da Saúde, Jardim Noroeste, Vilas das Boas, Jardim Auxiliadora, Nova Tiradentes, Jardim Vitória, Anhembi, Jardim Itamaracá, Moreninhas 3 e 4, Jardim Los Angeles, Parque Residencial Lisboa, Porto Galo, Aero Rancho, Vila Nogueira, Vila Amapá, Jardim das Nações, Guanandi 2, Tarumã, Coophavilla 2, Jardim Batistão, Jardim Santa Emília, Jardim São Conrado, Tijuca, Parque dos Girassóis, Oliveira e Residencial Flores.
Ao comentar o ritmo das obras no início do ano, a prefeita ressaltou que as chuvas intensas ainda dificultam os trabalhos e ajudam a expor problemas antigos de infraestrutura. “Ainda chove muito na cidade. A gente sabe que Campo Grande passa por um período difícil. Eu estive, por exemplo, ali próximo à saída para Três Lagoas, na Avenida João Arinos, que, na última chuva da semana passada, inundou como nunca havia acontecido ao longo dos 126 anos de Campo Grande”, disse.
Segundo ela, o alagamento visto na Avenida João Arinos, por exemplo, é resultado direto da combinação entre pavimentação recente em bairros próximos e um sistema de drenagem antigo, que não acompanha o crescimento da cidade.
“Os bairros próximos estão sendo pavimentados e a drenagem de Campo Grande ela é muito antiga. Então a gente tá revendo bacias de contenção no noroeste, no mesmo formato que foi construída uma bacia de contenção na Avenida Mato Grosso, dentro do Grande Noroeste, nós estamos com uma obra de uma bacia de contenção, porque senão não adianta asfaltar. A chuva vai chegar e vai levar. E pode ser obra de quem for. A chuva leva”, afirmou a prefeita.
Ela explicou que, no Jardim Noroeste, as intervenções estão sendo feitas de forma integrada, com pavimentação e drenagem ocorrendo simultaneamente. “O [Jardim] Noroeste já está em obras, o asfalto está começando a primeira etapa, mas a bacia de contenção está sendo contruída junto. São as duas obras juntas, concomitantes, porque não adianta você asfaltar sem ter da vazão da drenagem”, disse.
Para a região da Avenida Rachid Neder, Adriane afirmou que há projetos prontos para reduzir os impactos das chuvas. “Para desafogar a Rachid Neder, nós já temos os projetos de três bacias de contenção para que isso aconteça também e a gente vá diminuindo esse impacto das chuvas naquela região. Então a cidade foi monitorada durante um período, foi feito o levantamento técnico por engenheiros, arquitetos e técnicos do meio ambiente, para que agora a gente comece a executar essas obras e mudar a realidade da nossa cidade”, declarou.
A prefeita também mencionou o andamento da obra do viaduto estaiado na rotatória da Coca-Cola, na saída para São Paulo, que cruza as avenidas Gury Marques, Costa e Silva, Senador Antônio Mendes Canale e Doutor Olavo Vilella de Andrade. “É um viaduto muito importante para a mobilidade, que vai mudar a dinâmica de uma região importante”.
O extrato do contrato da obra foi publicado pelo governo federal no dia 24 de dezembro. O viaduto será executado pelo Governo do Estado, com recursos do Ministério das Cidades, por meio da Caixa Econômica Federal.
A obra gira em torno de 90 milhões. O investimento total é de R$ 86.985.645,01, sendo R$ 86.124.401 provenientes da União, com recursos previstos no orçamento de 2025, e contrapartida estadual de R$ 861.244,01. O modelo estaiado utiliza cabos de aço inclinados, que sustentam a estrutura e dão destaque arquitetônico ao viaduto.
Alinhamento - Ao falar sobre o planejamento de obras para 2025, Adriane destacou a busca por recursos e parcerias políticas. “Em 2025, a gente planejou, buscou dinheiro, buscou recursos, buscou parceiros, como a bancada federal. Hoje, os deputados e senadores são grandes parceiros de Campo Grande. A gente tem tido respaldo e resposta da bancada federal”, disse.
A prefeita também ressaltou a aproximação com o governador Eduardo Riedel (PP), que hoje integra o mesmo partido. “Nós estamos aí licitando uma obra importante no Jardim Itamaracá. É um bairro muito grande e que há 40 anos aguardava por asfalto. Nós levamos esse pedido ao governador em busca de parcerias. Nós precisamos estar aliados e atrelados com o governo do estado para melhorar a qualidade de vida do campo-grandense”, afirmou.
Ela avaliou que a falta de alinhamento político, no passado, entre o chefe do Executivo de Campo Grande e o governador de Mato Grosso do Sul trouxe prejuízos à Capital. Segundo ela, foram “mais de uma década de prefeitos brigados com o governador”.
“E qual foi o resultado? Dificuldades para a Capital de Mato Grosso do Sul. Hoje não. Hoje eu estou buscando a parceria do governador e eu disse para ele: ‘Campo Grande precisa’. E nós precisamos de obras estruturantes como as que foram feitas no interior do Estado, que têm cidades com 90% do pavimento concluído. Nós queremos trazer esse trabalho para Campo Grande. E a gente só vai vencer esse desafio, que é um desafio grandioso, se nós buscarmos parceiros”, concluiu Adriane.
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