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Política

Bernal não pagou R$ 471 milhões em contratos; vereadores veem “calote”

Por Zemil Rocha e Helton Verão | 08/04/2013 18:33
Secretários Wanderley Ben Hur e Gustavo Freire sendo questionados na Câmara (Foto: Marcos Ermínio)
Secretários Wanderley Ben Hur e Gustavo Freire sendo questionados na Câmara (Foto: Marcos Ermínio)

Os vereadores que participam da audiência da Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara de Campo Grande, no plenário Edroim Reverdito, cobraram duramente os secretários Wanderley Ben Hur (Planejamento e Finanças) e Gustavo Freire (Receita e Governo) sobre a suspensão do pagamento de contratos. Para eles, o prefeito Alcides Bernal (PP) está dando o maior “calote” já visto na história da cidade.

Edil Albuquerque (PMDB) foi um dos que criticou mais fortemente a inadimplência generalizada. “Não pagaram R$ 471 milhões em contratos e é uma inadimplência que não se justifica. A única forma da prefeitura se negar a pagar é alegando questão administrativa ou judicial, e não tem nem uma coisa nem outra”, afirmou o vereador peemedebista. “Ele está dando o calote, por livre e espontânea vontade”, acrescentou.

O presidente da Câmara, Mario Cesar (PMDB), lamentou que as empresas que estão prestando serviços estejam vivendo dificuldades em razão da falta de pagamento por parte da municipalidade. “As empresas não estão recebendo, sendo que tem dinheiro em caixa na prefeitura”, disse Cesar. Para ele, nenhuma resposta dos secretários Wanderley Ben Hur (Planejamento e Finanças) e Gustavo Freire (Receita e Governo) foi “contundente”, gerando sempre mais dúvidas entre os vereadores presentes.

As explicações sobre suplementação orçamentária, na avaliação de Mario Cesar, não convenceram. “Os secretários argumentaram a todo momento que estão trabalhando nos moldes do que vinha fazendo as gestões anteriores”, relatou o presidente da Câmara. “O momento agora é de ouvir e depois vamos fazer relatório”, declarou.

O vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), disse que ele, Mario Cesar, Edil Albuquerque, ambos do PMDB, e Elizeu Dionízio (PSL) foram os quatro primeiros vereadores a fazer questionamentos aos dois secretários. “E nenhum de nós ficou satisfeito”, garantiu Carlão.

Na opinião de Carlão, o fato de o prefeito Alcides Bernal estar com a equipe incompleta, sem ter nomeado até hoje o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e Agronegócio (Sedesc) e o chefe de Gabinete, tem prejudicado sobremaneira a administração municipal. “Esse secretariado que não foi anunciado está fazendo a Capital perder receita. Só de ISS Campo Grande deixou de arrecadar R$ 800 mil”, disse ele.

Integrante da base de apoio ao prefeito Alcides Bernal, a vereadora Luiza Ribeiro (PPS) garantiu que a reunião foi realizada num “clima tranquilo” e informou que os dois secretários municipais não se recusaram a responder nenhuma questão.

Sobre os contratos que não foram pagos, que segundo ela são cerca de 20 e podem representar algo em torno de R$ 300 milhões, Luiza Ribeiro afirmou que havia a necessidade de “revisão” diante de indícios de irregularidades. “Não é inadimplência sem motivo”, ponderou ela.

O vereador e ex-governador Zeca do PT, que recentemente se declarou “independente” na Câmara, não mais integrando a base de sustentação política do prefeito Alcides Bernal, defendeu a revisão dos contratos. Considera que os secretários estão se “manifestando bem” na reunião da Comissão da Câmara. “As indagações são mais sobre falta de pagamentos de contratos. Acredito que o prefeito está dentro da lei, revisando contratos”, informou. “Não vejo nada de errado em revisar para pagar o que é certo”, declarou.

Na opinião de Zeca, a cúpula do PMDB está focada em achar problemas no governo do Bernal. “O PMDB está articulado para desgastar a gestão do Bernal para conseguir o impeatchment dele”, alertou o vereador petista. “Deixa o homem trabalhar, ele está apenas começando”, exortou.

Carlão não concorda com Zeca. “Essa oitiva não é para sacrificar ninguém”, afirmou o vereador socialista, ao deixar a reunião, que está sendo realizada a portas fechadas.

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