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Política

Com produção em alta, MS precisa tirar cargas das rodovias, diz Azambuja

Hidrovia poderia retirar cerca de mil carretas por dia da 262 e criar alternativa para o transporte de minério

Por José Cândido | 13/08/2026 14:47
Com produção em alta, MS precisa tirar cargas das rodovias, diz Azambuja
Hidrovia do Rio Paraguai é apontada como alternativa para ampliar o escoamento de cargas e reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias de Mato Grosso do Sul. (Foto divulgação)

O crescimento da produção agroindustrial de Mato Grosso do Sul pressiona uma infraestrutura de transporte ainda fortemente dependente das rodovias. Diante do aumento do volume de grãos, minérios e outros produtos, o ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja defende que o próximo governo federal coloque a recuperação das ferrovias e o fortalecimento das hidrovias entre as prioridades da agenda logística nacional.

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O ex-governador Reinaldo Azambuja defende a recuperação da Malha Oeste e o uso da hidrovia do Rio Paraguai para reduzir a dependência das rodovias em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o aumento da produção agropecuária e mineral exige uma matriz logística mais equilibrada. A proposta prevê retirar mil carretas por dia da BR-262 e reduzir custos de frete com investimentos em ferrovias e hidrovias como política de Estado.

Na avaliação do candidato, a expansão da economia tornou mais evidente um problema antigo: grande parte da riqueza produzida no Estado continua sendo transportada por caminhões, elevando custos, aumentando o fluxo de veículos pesados e acelerando o desgaste das rodovias.

“É inconcebível um Estado que produz tanto, que dobrou sua produção em dez anos, transportar tudo em caminhões”, afirma Azambuja.

Rio Paraguai como alternativa

Uma das alternativas apontadas é ampliar o aproveitamento do Rio Paraguai como corredor de transporte. Segundo Azambuja, intervenções em três pontos considerados críticos permitiriam melhorar a navegabilidade e dar maior regularidade ao transporte de cargas durante o ano.

Entre os locais citados está o Passo do Jacaré, próximo à ponte ferroviária no distrito de Porto Esperança, em Corumbá. O assoreamento teria alterado o canal e dificultado a passagem dos comboios pelo vão central da estrutura. Operadores da hidrovia reivindicam há anos intervenções no trecho.

A discussão ganha importância principalmente por causa da mineração em Corumbá. Conforme os números apresentados pelo candidato, a produção mineral da região, que anteriormente estava na casa de 4 milhões de toneladas, alcançou 12 milhões e tem potencial para chegar a 30 milhões de toneladas.

“Hoje esse minério é transportado pela BR-262, que está sendo destruída. Precisamos sair pelo Rio Paraguai”, afirma.

Azambuja defende estudos e intervenções ambientais que permitam manter a hidrovia operacional durante os 12 meses do ano, conciliando a necessidade logística com as exigências de preservação do Pantanal.

Menos carretas na BR-262

A transferência de parte das cargas para o transporte fluvial teria reflexos também sobre a BR-262. De acordo com a estimativa apresentada pelo candidato, o uso mais intenso da hidrovia poderia retirar cerca de mil carretas por dia da rodovia.

Além da redução do desgaste do pavimento, a mudança diminuiria a disputa por espaço entre veículos de passeio e caminhões pesados e poderia reduzir riscos de acidentes e atropelamentos de animais silvestres no trecho pantaneiro.

O argumento é econômico: para cargas de grande volume e longas distâncias, ampliar as alternativas ao transporte rodoviário pode reduzir custos logísticos e diminuir a vulnerabilidade das empresas à dependência de um único modal.

Malha Oeste volta ao centro da discussão

No transporte ferroviário, Azambuja defende a recuperação da Malha Oeste, ligação histórica entre Mato Grosso do Sul e São Paulo que perdeu protagonismo no transporte de cargas.

“A Malha Oeste precisa ser revitalizada e voltar a funcionar”, diz.

Para o candidato, a combinação entre ferrovia, hidrovia e rodovias permitiria construir uma matriz logística mais equilibrada. A consequência esperada seria a redução do preço do frete e maior competitividade para produtos sul-mato-grossenses nos mercados brasileiro e internacional.

“Além da questão da segurança, com a retirada de muitos caminhões das rodovias por conta da hidrovia e da ferrovia, o valor do frete cairia significativamente”, afirma.

Gargalo vai além de Mato Grosso do Sul

Embora o debate tenha como ponto de partida Mato Grosso do Sul, a dependência das rodovias é um problema nacional. O avanço contínuo da produção exige investimentos capazes de acompanhar o volume cada vez maior de cargas que precisam percorrer milhares de quilômetros até indústrias, centros consumidores, portos e mercados externos.

Na avaliação de Azambuja, recuperar ferrovias e ampliar o aproveitamento das hidrovias não deveria depender apenas de iniciativas isoladas ou de um mandato presidencial.

“É uma política de Estado, que precisa de recursos e planejamento de longo prazo, e não de ações pontuais de governo”, afirma.

O desafio colocado para os próximos anos é fazer a infraestrutura acompanhar a velocidade da produção. Em Mato Grosso do Sul, onde agronegócio, mineração e indústria ampliam a demanda por transporte, a discussão deixou de ser apenas sobre como produzir mais. Passou a ser, cada vez mais, sobre como transportar essa riqueza com menor custo, mais segurança e menos pressão sobre as rodovias.