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Política

Deputado de MS quer regras mais rígidas para escolha de ministros do STF

Proposta fixa parâmetros para comprovar o notável saber jurídico de candidatos aos tribunais

Por José Cândido | 11/06/2026 07:19
Deputado de MS quer regras mais rígidas para escolha de ministros do STF
Beto Pereira quer transformar em lei os requisitos para comprovação do notável saber jurídico, atualmente previsto na Constituição sem critérios detalhados. (Foto divulgação)

O debate sobre os critérios para nomeação de ministros dos tribunais superiores pode ganhar um novo capítulo no Congresso Nacional. O deputado federal Beto Pereira (Republicanos-MS) apresentou projeto de lei, que busca estabelecer parâmetros objetivos para comprovar o requisito constitucional do "notável saber jurídico", exigido para integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e desembargadores dos tribunais estaduais e regionais.

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Projeto de lei apresentado pelo deputado Beto Pereira (Republicanos-MS) busca definir critérios objetivos para comprovar o "notável saber jurídico" exigido para ministros do STF, STJ, TST e desembargadores. A proposta prevê requisitos como mestrado, doutorado, obras publicadas e atuação no magistério. O texto aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara para análise.

A proposta pretende preencher uma lacuna que, segundo o parlamentar, permanece aberta desde a promulgação da Constituição Federal. Atualmente, a legislação não define de forma precisa quais critérios devem ser observados para caracterizar o chamado notável saber jurídico, condição necessária para ocupar alguns dos mais altos cargos do Poder Judiciário brasileiro.

"O notório saber ficou algo abstrato. O que é notório saber? Não tem critérios objetivos para isso", argumenta o deputado. Para ele, a ausência de parâmetros claros influencia não apenas as indicações para o STF, mas também para outros órgãos de controle e fiscalização, como o Tribunal de Contas da União.

Pelo texto apresentado, a comprovação do requisito passaria a depender de um conjunto de qualificações acadêmicas e profissionais. Entre elas estão o exercício prolongado de funções jurídicas relevantes, a obtenção de títulos de mestrado e doutorado em Direito, a publicação de obras e artigos científicos, a atuação no magistério superior, o reconhecimento da comunidade jurídica e o recebimento de premiações na área.

"Tem que ter obras publicadas, tem que ter formação, tem que ter mestrado, tem que ter doutorado", defende Beto Pereira ao justificar a necessidade de tornar mais transparentes os critérios de escolha.

Debate que vai além das indicações

Na avaliação do parlamentar sul-mato-grossense, o projeto representa apenas o início de uma discussão mais ampla sobre o funcionamento do Judiciário brasileiro. Entre os temas que, segundo ele, devem ganhar força nos próximos anos estão a adoção de mandatos para ministros do STF e a criação de regras para o exercício da advocacia após a saída da magistratura.

"Isso é uma discussão que tem que ser feita. Não vai ter, ao meu ver, como fugir desse debate", afirmou.

Questão histórica

A controvérsia sobre o significado de "notável saber jurídico" acompanha a história constitucional brasileira há mais de um século. Ainda na vigência da Constituição de 1891, o então presidente Floriano Peixoto tentou indicar dois generais e um médico para o Supremo Tribunal Federal. As nomeações acabaram rejeitadas pelo Senado, que entendeu não estarem presentes os requisitos exigidos para o cargo.

O episódio levou os constituintes de 1934 a acrescentarem expressamente a palavra "jurídico" ao texto constitucional, mudança mantida em todas as constituições posteriores, inclusive na Carta de 1988.

O projeto agora aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para definição das comissões responsáveis pela análise da proposta. Se aprovado pelo Congresso e sancionado, os novos critérios passarão a valer a partir da publicação da lei.