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13/04/2016 19:03

Dilma está fora, afirmam ex-deputados que votaram no impeachment de Collor

Paulo Yafusso
24 anos depois, a cena se repete; povo sai às ruas pedindo o impeachment de um presidente do Brasil (Foto: Marcos Ermínio)24 anos depois, a cena se repete; povo sai às ruas pedindo o impeachment de um presidente do Brasil (Foto: Marcos Ermínio)

Na semana em que mais uma vez a Câmara dos Deputados decide o futuro do presidente do Brasil, 24 anos depois alguns ex-políticos de Mato Grosso do Sul relembram o processo que tirou Fernando Collor do poder, também ao enfrentar um processo de impeachment, como ocorre agora com Dilma Rousseff.

Aos 85 anos completados nesta quarta-feira (13), o ex-deputado federal Elísio Curvo afirma estar triste pelo que o país vem enfrentando e diz que, se fosse hoje, não defenderia Collor. Na época, ele era um dos integrantes da chamada “tropa de choque” do então presidente.

Outro que participou daquele processo é Valter Pereira, eleito deputado federal pelo PMDB, partido do qual se desfiliou recentemente. Para ele, tanto no caso de Fernando Collor como de Dilma Rousseff, a fundamentação dos pedidos de impedimento não são tão fortes, e o que pesa é o sentimento da população.

“No caso da Dilma, as pedaladas não têm influência na cabeça do parlamentar, o que pesa é o clima de pessimismo, de descrença, e a indignação pela política econômica desastrosa e a corrupção avassaladora. As pedaladas são apenas a âncora para o pedido de impeachment”, afirma Pereira. Segundo ele, a presidente peca ainda pela falta de articulação e pela incompetência em conduzir o país.

Elísio Curvo justifica que defendeu o presidente Collor por ter acompanhado toda a investigação, por fazer parte da CPI que apurou supostas irregularidades na gestão dele. “A CPI não achou nada do que o presidente era acusado, só o conserto do jardim da Casa da Dinda (onde Collor morava com a família) e a compra de um Fiat”, afirmou o ex-deputado. Ele diz que defendeu a permanência de Fernando Collor mas nega que tenha feito parte da “tropa de choque” do então presidente.

Apesar da idade e de ter passado 24 anos do episódio, Curvo, que atualmente mora no Rio de Janeiro, se recorda praticamente de toda a frase que disse no momento do voto: “Contra esse cruel e traiçoeiro linchamento político, voto contra. Eu não sou covarde, não vou trair o meu voto e nem vou me calar, estou com a verdade e com ela não tenho temor”. Ele disse que ao votar, Collor já havia sido condenado pela maioria dos colegas do parlamento, mas assim mesmo manteve a postura.

Tanto Elísio Curvo como Valter Pereira entendem que uma outra diferença entre os dois momentos políticos vividos pelos brasileiros, é que Fernando Collor não tinha partido, estava sozinho, enquanto Dilma tem o PT. “Dilma tem um partido político, Collor não tinha organização partidária que a Dilma tem, o PT tem organização partidária, tem militância, que é o esteio para que ela se sustente. Se não fosse isso, ela já teria sucumbido”, avalia Pereira.

Curvo diz lamentar a situação que o Brasil enfrenta e defende uma nova eleição, já que o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara Federal também estão sendo acusados de praticarem irregularidades. “Fico triste que tenho netos que vão pagar por isso”, afirmou ele, ao lembrar que a Petrobras, que era o orgulho dos brasileiros, se transformou no centro da corrupção e de descrédito do Brasil no exterior. “O PT acabou com o Brasil, e em 10 anos não vai ser possível consertar isso, tapar o buraco que deixaram”, declarou. Para ele, a solução está na conscientização da população, na hora de votar.

Para o doutor em história Paulo Esselin, Fernando Collor não tinha partido que o sustentasse e outro ingrediente que pesou na abertura do processo de impeachment dele é que “entrou em rota de coalizão com a burguesia paulista” e na época se defendia um governo de coalizão, tanto que com a renúncia de Collor passaram a ter influência na gestão do vice que assumiu, Itamar Franco, políticos como Antonio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso.

Para Esselin, a movimentação agora também seria por um governo de coalizão. O problema é que essa união de partidos ficou difícil por conta das investigações que “estão levando para a cadeia a burguesia nacional”. No entendimento do historiador, Eduardo Cunha também não escapa da condenação no processo que enfrenta na comissão de ética da Câmara Federal. Quanto a Dilma Rousseff, ele é categórico: “Está completamente isolada, não tem a menor chance de escapar”.

Fernando Collor de Mello foi acusado pelo próprio irmão, Pedro Collor, de lavar dinheiro no exterior, e de usar contas fantasmas no exterior para realizar operações fraudulentas. Ao enfrentar o processo de impeachment, para não ter os direitos políticos cassados, ele renunciou ao cargo de presidente no dia 29 de dezembro de 1992.

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