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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

22/01/2016 12:31

Empresário alega prejuízo de R$ 200 mil e coação a mando de Olarte

Outras seis pessoas foram ouvidas nesta sexta e nova audiência deve ocorrer em fevereiro

Michel Faustino
Empresário (de costas camisa clara) foi o primeiro a ser ouvido na audiência de instrução e julgamento. (Foto: Marcos Ermínio)Empresário (de costas camisa clara) foi o primeiro a ser ouvido na audiência de instrução e julgamento. (Foto: Marcos Ermínio)

O empresário Ricardo Freitas Carrelo revelou que teve um prejuízo de cerca de R$ 200 mil referente aos valores de cheques trocados a pedido de Ronan Edson Feitosa. A afirmação foi dada durante depoimento em audiência de instrução e julgamento, nesta sexta-feira (22), no processo em que o vice-prefeito – afastado do cargo de prefeito – Gilmar Olarte e mais dois respondem pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O empresário disse ainda, que ele e o irmão foram procurados por Ronan, ex-assessor de Olarte, e coagido para que ele não citasse o nome do vice-prefeito nas investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). "Meu irmão passou a receber ligações e falavam  que sabiam a rotina da esposa dele, que fazia faculdade. Ameaçaram fazer algo com esposa, caso falasse do Olarte. Ele ficou muito assustado", revelou durante o depoimento.

Ricardo disse que ele e seu irmão, Edmundo Freitas, são proprietários de uma selharreria e foram procurados por Ronan Feitosa para que eles trocassem cheques junto a uma factory, que presta serviços à empresa da família, em troca de vantagens futuras. Freitas contou que ouviu de Olarte que os cheques eram para uso pessoal, o que faria de Ronan apenas o intermediário.

O empresário citou episódio em que esteve reunido com Gilmar Olarte na Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia e Agronegócio) e, durante o encontro, entregou a quantia de R$ 12 mil pela quantidade de cheques. Ricardo disse que estava desconfiado do ex-assessor, por isso decidiu procurar diretamente Olarte.

“Nesse dia, a gente foi até lá (prefeitura) e o Gilmar Olarte nos atendeu. A gente entregou o valor pra ele e ele disse que era pra gente continuar fazendo a troca dos cheques para o Ronan e se comprometeu a indicar nossa empresa para prestar serviços na prefeitura”, disse.

Meses depois, os irmão voltaram a procurar Olarte e durante este encontro ele se comprometeu a saldar a dívida assim que assumisse a prefeitura, o que não aconteceu. O empresário alega que a dívida ficou entre R$ 160 mil a R$ 200 mil, referente aos valores de cheques trocados.

 

Advogado Rodrigo Pimentel foi o segundo a ser ouvido. (Foto: Marcos Ermínio)Advogado Rodrigo Pimentel foi o segundo a ser ouvido. (Foto: Marcos Ermínio)
Vereador Cazuza foi o terceiro a prestar depoimento. (Foto: Marcos Ermínio)Vereador Cazuza foi o terceiro a prestar depoimento. (Foto: Marcos Ermínio)

Depoimentos - Estava previsto para esta sexta-feira (22) o depoimento de nove testemunhas do processo, entre eles, de Andrea Olarte, esposa do prefeito afastado. A pedido da defesa, o depoimento da ex-primeira dama foi suspenso.

O segundo a depor foi o ex-secretário de governo Rodrigo Pimentel. Durante seu depoimento, ele ressaltou que foi contrato como advogado de Gilmar Olarte no inicío de 2013 para tratar de assuntos partidários, mas acabou tendo contato com pessoas que supostamente teriam emprestado cheques a Ronan.

O ex-secretário afirmou que, Olarte acabou o designando para tratar do assunto por conta de uma amizade que ele tinha com Ronan, mas acabou se contradizendo quando questionado pela promotoria.

“Eles tinham uma amizade, mas essa amizade era religiosa e acho que somente isso”, comentou.
O terceiro a depor foi o vereador Cazuza (PP), que foi questionado pela defesa de Olarte sobre a relação dele com Salem Pereira Vieira, um dos responsáveis por denunciar o caso ao MPE.

Cazuza revelou que por algumas vezes foi procurado por Salem que tentava negociar os direitos de uma gravação onde supostamente havia provas de uma conspiração para cassar o mandato de Alcides Bernal.

Em seguida foi a vez de Ismael Faustino, ex-assessor de Olarte, que revelou que Ronan atuou como coordenador da campanha de Bernal, em 2012. Conforme Ismael, Ronan era responsável por cooptar recursos e pagar dividas de campanha e trabalha diretamente para Bernal e também para Olarte.

Os irmãos, Joacir Pereira, Valdir Pereira e Valter Pereira dos Santos, arrolados como testemunhas de defesa de Ronan, foram os últimos a depor.

No próximo dia 5 de fevereiro, devem prestar depoimento ainda Fabrício Amaral e a vice-governador Rose Modesto. Neste mesmo dia, ocorre o interrogatório de Olarte, Renan e Marcio Feliciano.

 



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