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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

05/09/2014 15:12

Na despedida do poder, André diz que tempo o transformou em "vovozão"

Ângela Kempfer
André concedeu entrevista no início da manhã de sexta-feira. (Foto: Marcelo Calazans)André concedeu entrevista no início da manhã de sexta-feira. (Foto: Marcelo Calazans)

Prestes a completar 8 anos na administração de Mato Grosso do Sul, não são apenas os fios grisalhos e os quilos a mais na balança que indicam amadurecimento, garante André Puccinelli, o político conhecido pelo jeito turrão. “Hoje, o Andrezinho está muito mais light do que nos melhores dias lights da vida dele”, avalia o homem que há décadas representa o poder por aqui.

No início da manhã desta sexta-feira, antes de mais um dia de compromissos, ele resolveu parar por 50 minutos para uma conversa com o Lado B. Com muito mais cautela durante a entrevista, as poucas vezes que lançou adjetivos agressivos, pediu para que fossem desconsiderados. “Agora sou mais vovozão do que paizão”, justifica, usando a máxima de que avô pode estragar o neto. Já o pai, não.

Independente do que muitos dizem, na despedida, após 16 anos entre prefeitura e governadoria, Puccinelli não admite que tenha cometido excessos no cargo. “Exerci a autoridade, não o autoritarismo. Autoridade o povo gosta”, argumenta. “Nunca esculhambei ninguém, só chamava a atenção. Se não tivesse feito daquela forma, de chamar a atenção, não melhorava. Não fazia isso por injustiça”.

Mas nem tudo ficou mais leve. “Me dou o direito de discordar de algumas pessoas”, explica antes de falar de declarações polêmicas feitas durante os mandatos, como no dia em que mandou descer a “borduna” e atirar em bandidos. “Um cara que fez 2 latrocínios, esse cara é recuperável? Mais nunca, mais nunca. O que eu disse era que entre morrer o bandido ou morrer o policial, melhor não morrer ninguém. Mas se tiver mesmo de escolher...o policial tem atirar primeiro, para não morrer não.”

 

Números dos últimos 8 anos em anotações no papel. (Foto: Marcelo Calazans)Números dos últimos 8 anos em anotações no papel. (Foto: Marcelo Calazans)

Ele jura que não voltará daqui a 2 anos como candidato a prefeito ou a qualquer outro cargo eletivo. “Não quero ser prefeito. Não digo jamais, mas não quero. Larguei o Senado agora, cadeira que os adversários dizem que era certa. Mas vou continuar sim na política partidária”, avisa.

O governador também assegura que não sentirá falta das bajulações ou do que o status do cargo pode representar. “Me preparei psicologicamente para isso durante os 3 meses que levei para me decidir que não seria candidato. Todas as pessoas ficam angustiadas antes de decidir algo importante, mas agora estou tranquilo”.

Dos dias no comando, Puccinelli garante que a lição que fica do contato com as pessoas é sobre transformação. Ao comentar frase de Getúlio Vargas, de que todos pedem mais para si do que para o País, ele diz acreditar que algo está mudando. “O dia que a espécie humana não pedir mais pra si, não vai ser espécie humana. Mas há um aumento de percepção de não é mais possível pedir exclusivamente só pra si e não se lembrar do coletivo”.

Ao voltar para casa, em 1º de janeiro de 2015, a imagem não será de um senhor em frente à TV. “Nunca deixei de ser esposo, pai avô. Mas não vou ficar enchendo a paciência lá em casa. Nem assisto televisão. Só noticiário, treino da Fórmula I, corrida, alguma partida de futebol e alguma partida de tênis decisiva”, detalha.

Viagem de férias é outro programa que não empolga. “Nunca viajei muito. Não conheço nem Santiago, Buenos Aires, ou Montevidéu, isso pra ficar só aqui na América do Sul”, comenta.

O único plano agora, anuncia, é criar um instituto para formar talentos. “Quero pegar meia dúzia de meninos e ver no que eles são melhores, mandar para as universidades referência no mundo para que eles se aprimorem. A intenção é qualificar jovens revelações em determinadas áreas para depois voltarem para o Estado. Até morrer quero fazer isso.”

A luta foi árdua para fazer um sucessor dentro da família. “Uma vez, em 2002, quando estava insistindo para que o Júnior fosse candidato a deputado federal, ele não quis. Baixei a cota para estadual e foram mais 30 dias de batalha para nada...A Denise , a caçula, tinha 19 anos e ela perguntou para mim: ‘Por que não eu?’ Mas depois desistiu”.

Nenhum dos 3 filhos têm interesse na política e apostar nos netos parece algo muito distante. “O mais velho tem 7 anos, só vai poder ser candidato depois dos 18. Para eu esperar, só se eu me ‘formolizar’”, brinca.



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