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Política

Nelsinho liga fronteira ao Mercosul e articula novo eixo entre parlamentos

Acordo entre Parlasul e Parlim mira soluções para cidades gêmeas e fortalece integração regional

Por José Cândido | 27/04/2026 16:52
Nelsinho liga fronteira ao Mercosul e articula novo eixo entre parlamentos
Nelsinho Trad: Acordo firmado em Montevidéu busca soluções práticas para cidades divididas entre Brasil e Paraguai. (Foto divulgação)

A fronteira de Mato Grosso do Sul ganhou protagonismo no debate internacional nesta segunda-feira (27). Em Montevidéu, o senador Nelsinho Trad (PSD/MS) articulou a assinatura de uma Carta de Intenção entre o Parlamento do Mercosul e o Parlamento Internacional Municipal, criando um novo canal de diálogo entre o nível regional e os legislativos locais.

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O senador Nelsinho Trad articulou em Montevidéu a assinatura de uma Carta de Intenção entre o Parlamento do Mercosul e o Parlamento Internacional Municipal, criando canal de diálogo entre decisões regionais e legislativos locais, com foco em cidades de fronteira como Ponta Porã. O senador também defendeu acompanhamento rigoroso do acordo Mercosul-União Europeia, previsto para vigorar em maio, destacando impactos para pequenos produtores e trabalhadores de Mato Grosso do Sul.

Na prática, o acordo conecta dois mundos que raramente caminham juntos: o das decisões estratégicas do Mercosul e o cotidiano das cidades de fronteira. O foco está justamente onde os desafios são mais visíveis — e urgentes —, como em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, separadas por uma linha internacional, mas unidas na rotina.

Segundo o senador, a iniciativa abre um canal permanente para troca de experiências e construção de soluções concretas em áreas sensíveis, como mobilidade, segurança, serviços públicos e desenvolvimento econômico.
“O Parlim articula legislativos de cidades gêmeas, enquanto o Parlasul representa os cidadãos do bloco. Essa conexão permite que os problemas da fronteira cheguem com mais força ao debate regional”, explicou.

A assinatura ocorreu durante sessão plenária do Parlasul, presidida pelo deputado paraguaio Rodrigo Gamarra, e reuniu lideranças políticas dos dois lados da fronteira. Entre elas, o presidente da Câmara de Ponta Porã, Jelson Bernabé de Oliveira, e o vereador Agnaldo Pereira Lima.

Agnaldo destacou que o avanço é resultado de um processo que já vinha sendo costurado. “Esse acordo nasce de um trabalho iniciado ainda no ano passado, quando o senador levou o debate sobre integração fronteiriça para uma audiência pública em Ponta Porã”, lembrou.

Mercosul, Europa e impacto direto no Estado

Além da articulação institucional, Nelsinho Trad também levou ao plenário um tema com potencial de impacto direto na economia sul-mato-grossense: a entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, prevista para 1º de maio.

À frente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o parlamentar defendeu acompanhamento rigoroso da implementação do tratado, negociado ao longo de 26 anos e que envolve um mercado de cerca de 700 milhões de pessoas, com PIB estimado em US$ 22 trilhões.

Para ele, os efeitos não ficam restritos às grandes cadeias produtivas. “Isso chega na ponta. Beneficia o pequeno produtor, o trabalhador do campo, o motorista, quem atua nos frigoríficos, no comércio e nos serviços. É emprego, renda e oportunidade para as famílias”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o senador alertou para a necessidade de vigilância. Defendeu a criação de grupos técnicos nos parlamentos do bloco para monitorar o acordo e evitar desequilíbrios. “É fundamental estender a mão ao produtor e mitigar eventuais distorções”, disse.

Fronteira como prioridade

A articulação em Montevidéu reforça um movimento crescente: tirar a fronteira da condição de periferia e colocá-la no centro das decisões. Com problemas compartilhados e economias interligadas, cidades como Ponta Porã e Pedro Juan Caballero passam a ter voz mais direta nas instâncias do Mercosul.

Na avaliação de bastidores, o acordo sinaliza uma mudança de lógica — menos discurso e mais conexão prática entre quem decide e quem vive os desafios do dia a dia na linha internacional.