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Política

Para senadoras de MS, Mandetta deu informações importantes a CPI

Ex-ministro da Saúde, foi demitido em abril de 2020 após divergências nas tomadas de decisão frente a pandemia

Por Jhefferson Gamarra | 04/05/2021 19:54
Ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta durante interrogatório desta terça-feira (Foto: Reprodução)
Ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta durante interrogatório desta terça-feira (Foto: Reprodução)

Após quase oito horas de duração, foi concluído o primeiro depoimento da CPI da covid-19 nesta terça-feira (4). O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta respondeu a questionamentos de 30 senadores e senadoras de todo o Brasil. No geral, os parlamentares de MS avaliaram como satisfatório os esclarecimentos prestados pelo ex-ministro, que ficou 15 meses na pasta, dois deles em meio a pandemia da covid-19.

Líder da bancada feminina e mais antiga representante do Estado no parlamento, a senadora Simone Tebet (MDB), afirmou que depoimento de Mandetta acendeu um sinal amarelo e confirmou algumas atitudes tomadas pelo governo Federal durante a pandemia.

“Como a primeira autoridade à frente do Ministério da Saúde a enfrentar a pandemia, ele deixou claro que tentou alertar sobre a transmissão comunitária, a importância do uso de máscaras, do isolamento social, de campanhas informativas e do planejamento para aquisição de equipamentos e remédios. Ele como testemunha, é importante confirmar isso para a CPI”, avaliou.

Para a Simone, a informação repassada pelo ex-ministro sobre um documento que teria sido elaborado por um servidor do Palácio do Planalto para alterar a bula da cloroquina e oferecer a população como tratamento contra a covid-19 é uma situação gravíssima que representa crime contra a humanidade.

Senadora Simone Tebet foi a penúltima parlamentar a questionar o ex-ministro (Foto: Reprodução)
Senadora Simone Tebet foi a penúltima parlamentar a questionar o ex-ministro (Foto: Reprodução)

“Burlar, alterar bula de medicamento, pelo Código Penal, é crime. Pena de 10 a 15 anos. Falsidade ideológica. Não se abriu uma sindicância, um processo administrativo para demitir uma pessoa que comete um crime dessa grandeza diante de uma pandemia como essa. Fica aqui a minha maior perplexidade diante desse fato”, indagou a senadora.

Na opinião da senadora Soraya Thronicke (PSL), por se tratar do primeiro dia de depoimentos da CPI, ainda é cedo para fazer uma avaliação geral de toda a situação, mas que os esclarecimentos do ex-ministros foram importantes para o seguimento do inquérito.

“Ainda estão iniciando as oitivas, então é cedo para fazer uma avaliação geral, uma vez que muitas outras pessoas terão a oportunidade de prestar esclarecimentos a respeito das ações de enfrentamento da pandemia. Mas o ex-ministro Mandetta trouxe informações importantes sobre o momento em que esteve à frente do Ministério da Saúde durante a pandemia”, disse Soraya.

Procurado pela reportagem, o líder do PSD no Senado, Nelsinho Trad, não comentou sobre o depoimento do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta no primeiro dia de sabatina da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Em resumo, durante a sessão desta terça-feira, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou durante seu depoimento no senado que: o Governo Federal foi alertado sobre a gravidade da pandemia e optou por não fazer campanha nacional contra a Covid; o presidente Jair Bolsonaro tinha uma espécie de "assessoramento paralelo", que incluía os filhos, para tratar sobre as medidas a serem adotadas durante a pandemia; uma minuta de decreto foi cogitada para que a Anvisa alterasse a bula da cloroquina para que o remédio fosse recomendado contra a Covid, mesmo sem comprovação sobre a sua eficacia.

Ainda de acordo com Mandetta, o tratamento precoce, defendido pelo governo federal, deveria ser chamado de "kit ilusão" e o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ter "influenciado" o presidente Jair Bolsonaro nas tomadas de decisões frente a crise sanitária.

Todo o depoimento do ex-ministro Mandetta, bem como as perguntas feitas pelos Senadores foram transmitidos ao vivo através da TV Senado.

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