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Campo Grande, Domingo, 20 de Outubro de 2019

11/10/2019 07:42

Projeção nacional de políticos locais abre “oportunidades” para MS

Com 2 ministros e lideranças em postos-chave federais, expectativa é de que Estado ganhe com projetos como a Rota Bioceânica

Leonardo Rocha e Humberto Marques
Jair Bolsonaro, Mandetta e o secretário especial Pedro Chaves; ministro da Saúde destaca ônus e bônus em relação a projetos de MS em Brasília. (Foto: Rafael Carvalho/Transição/Arquivo)Jair Bolsonaro, Mandetta e o secretário especial Pedro Chaves; ministro da Saúde destaca ônus e bônus em relação a projetos de MS em Brasília. (Foto: Rafael Carvalho/Transição/Arquivo)

Se as perspectivas abertas para a política de uma unidade da federação estivesse vinculada exclusivamente à sua representatividade em Brasília, Mato Grosso do Sul não teria motivos para reclamar. Desde o início de 2019, o Estado emplacou alguns nomes em cargos-chave da administração federal e também do Congresso: são dois ministros e congressistas à frente de comissões permanentes que, neste momento, têm peso para guiar ações de interesse nacional.

O bom momento é reconhecido pelos próprios ocupantes dos cargos, que alegam ver no período chances de uma “guinada” do Estado. Desde que, é claro, os gestores locais também façam a sua parte para agarrarem às oportunidades que batem à porta.

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Mato Grosso do Sul posicionou dois ministros que estão entre os mais bem valiados pela classe política, conforme sites especializados: Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). No Congresso, comissões do Senado como as de Constituição e Justiça, Relações Exteriores e de Agricultura também são lideradas por sul-mato-grossenses.

Ao Campo Grande News, Mandetta lembrou que, há 42 anos, “sempre havia apontamentos de que a classe política local não tinha representatividade nacional. Houve quem disse que, como Mato Grosso tinha um tempo político muito maior, de mais de 200 anos, a escola política teria sido mais atenta aos interesses deles, e não de Mato Grosso do Sul”. Agora, porém, ele afirma que “a classe política sul-mato-grossense está sendo extremamente prestigiada, na indicação da ministra Tereza Cristina e da minha, mostrando que nossa luta e experiências de gestão no Estado e na Capital foram, de alguma maneira, reconhecidas”.

O ministro da Saúde destaca que o preenchimento dos espaços não se dá por questões políticas. “O mais importante foi o presidente Jair Bolsonaro não ter feito a escolha politicamente, e sim ter montado seu ministério por aspectos técnicos, sem seguir o velho sistema de composição político-partidária”. No posto, Mandetta admite que o Estado larga com alguma vantagem na busca de investimentos porque os ministros já conhecem a realidade que lhes é levada com os pedidos de investimento.

Tereza Cristina, escolha do Estado para o staff presidencial. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)Tereza Cristina, escolha do Estado para o staff presidencial. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)

“Isso tem o ônus e o bônus. O ganho é que conhecemos as necessidades do Estado e somos muito sensíveis. Não precisa explicar se onde é. Conheço toda a rede de saúde de Mato Grosso do Sul e Campo Grande e sei da importância dos pólos regionais”, afirmou. O lado difícil, porém, está no fato de que a alocação de recursos depende da apresentação de bons projetos pelos gestores locais. “E, nisso, Mato Grosso do Sul tem feito o seu dever de casa, trabalhando de forma correta para o Ministério ter um olhar qualificado para o Estado”.

No Congresso, Simone Tebet (MDB) foi o centro de articulações que poderiam a conduzir à presidência do Senado –repetindo o pai, Ramez–, porém, em torno de um consenso em movimento para barrar Renan Calheiros (MDB-AL), recuou. Contudo, acabou alçada à presidência da poderosa CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), responsável por dar aval para a tramitação de todos os projetos que chegam à Casa. Antes de falar de si, porém, Simone avalia o cenário macro, apontando o “bom momento” do Estado graças aos dois ministros e suas equipes.

“Além da capacidade técnica de ambos (Tereza e Mandetta), vejo neles, também, o olhar para a realidade do Centro-Oeste brasileiro, em especial no caso do agronegócio. A produção agropecuária da nossa região é fundamental para gerar divisas ao Brasil”, disse Ela. Ainda citou que a agropecuária é vital para as divisas do país, e que neste ano o campo atingirá o recorde de 240 milhões de toneladas produzidas. Sobre Mandetta, exaltou que o Ministério da Saúde é uma das principais pastas do Planalto por prestar um serviço essencial à população.

Rota futura – À frente da CCJR, “considerada o ‘coração’ do Senado”, Simone afiram ter a preocupação com as pautas importantes que ajudem o país a sair da crise. Já em relação aos impactos diretos para o Estado, afirma ver a perspectiva de um trabalho coordenado da bancada federal para obter recursos e obras em setores como Educação, Saúde, Moradia, Segurança e Infraestrutura.

“O esforço da bancada federal tem sido decisivo para mostrar ao governo federal a importância de um Estado forte no agronegócio e com potencial de atrair, por sua posição geográfica, grandes investimentos impulsionadores de emprego e renda”, afirma ela, considerando que, após a crise econômica ser superada, haverá esta cobrança junto a União.

Nelsinho (à direita) destaca empenho por Rota Bioceânica. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)Nelsinho (à direita) destaca empenho por Rota Bioceânica. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)
Simone Tebet, presidente da CCJR do Senado, frisa olhar diferenciado em relação a MS. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)Simone Tebet, presidente da CCJR do Senado, frisa olhar diferenciado em relação a MS. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A avaliação é semelhante à de Nelsinho Trad (PSD) que, no primeiro mandato no Senado, comanda a Comissão de Relações Exteriores. Sua perspectiva é de que, “dentro de 12 a 24 meses vamos viver um novo momento no país”. Para ele, a “virada de 180 graus” para Mato Grosso do Sul nesse cenário passa pela Rota Bioceânica, projeto que abrirá um novo caminho rodoviário do Estado em direção aos portos chilenos, cortando ainda Paraguai e Argentina.

“Meu foco nessa comissão para beneficiar o Estado é a efetivação do projeto da Rota Bioceânica, que vai transformar a economia de Mato Grosso do Sul pois, através dela, vamos atingir o continente asiático com 40% de redução no custo do frete e em 8 mil quilômetros marítimos a menos, encurtando as viagens em 14 dias”, destacou.

Para ele, o trajeto mais curto pode beneficiar os municípios sul-mato-grossense, mas ainda depende de acertos como a conclusão do terminal intermodal de Campo Grande e a estruturação das cidades ao longo do percurso até Porto Murtinho, que podem se beneficiar como centros logísticos ou da movimentação da rota.

Nelsinho também avalia que a presença de sul-mato-grossenses em cargos de evidência ajuda o Estado. “É muito melhor ter pontos-chaves preenchidos por sul-mato-grossenses, porque passa a ter visibilidade e, ao menos, conhecer o potencial do Estado. A grande oportunidade dessa evolução acontece agora. Espero que o país possa retomar essa fase de investimentos para que a gente possa deixar para trás a crise orçamentária que o país atravessa e, assim, nos beneficiarmos”, complementou.

Ainda no Senado, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural é presidida por Soraya Thronicke (PSL). Na Câmara Federal, a primeira vice-presidência da Comissão Permanente de Educação coube a Rose Modesto (PSDB); enquanto Dagoberto Nogueira (PDT) ocupa o mesmo posto na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização.

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