ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, QUARTA  28    CAMPO GRANDE 24º

Política

Rota de fuga de Flávio Bolsonaro passou pela Argentina e pelo Equador

Senador cruzou a fronteira por terra e embarcou em jatinho particular horas depois de descumprir ordem do STF

Por Maristela Brunetto | 28/10/2026 06:55
Rota de fuga de Flávio Bolsonaro passou pela Argentina e pelo Equador
Flávio a esposa e filhas deixaram o Brasil rumo aos Estados Unidos após ordem para entrega de passaportes (Foto: Reprodução Instagram)

A rota de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, começou a ser esclarecida na noite de terça-feira (27), quando surgiram informações de que ele estava na Argentina, contrariando relatos de aliados que afirmavam que o parlamentar já havia chegado aos Estados Unidos. A confirmação veio após o governo argentino informar que Flávio atravessou a fronteira por terra e embarcou em um avião particular com destino declarado ao Equador.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, deixou o Brasil por terra na noite de terça-feira (27), rumo à Argentina, com a esposa e as duas filhas. Em Puerto Iguazú, embarcou em jato particular com destino declarado a Guayaquil, no Equador, e depois Miami. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes proibir a viagem e determinar a entrega dos passaportes, que foram cancelados. Flávio é investigado em inquéritos do STF, e Donald Trump autorizou sua entrada nos Estados Unidos.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. Ele estava acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza.

Às 23h30, a família embarcou em uma aeronave da empresa Baires Fly S.A., no aeroporto de Puerto Iguazú. O jatinho, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, decolou à 0h21 desta quarta-feira, com destino declarado a Guayaquil, no Equador. A cidade seria uma parada antes de a aeronave seguir para Miami, nos Estados Unidos.

O avião pousou em Guayaquil às 5h46, no horário de Brasília, e voltou a decolar às 6h21, segundo informações de rastreamento divulgadas pela imprensa. Os registros indicavam Miami como destino final, mas ainda não havia confirmação da chegada do senador aos Estados Unidos.

A confirmação do governo argentino contrariou as informações divulgadas ao longo de terça-feira. Desde a manhã, circulavam notícias de que Flávio havia deixado o Brasil durante a madrugada. À tarde, aliados chegaram a afirmar que ele já estava em território norte-americano, versão que não havia sido confirmada oficialmente.

Pelos registros migratórios argentinos, o senador permaneceu no Brasil até a noite de terça-feira. A travessia ocorreu quando a aeronave já estava no aeroporto de Puerto Iguazú, onde aguardava desde segunda-feira (26). O avião havia chegado de Buenos Aires para realizar a viagem.

A movimentação chamou a atenção da imprensa argentina. Repórteres dos canais C5N e Todo Noticias acompanharam a chegada de veículos ao aeroporto. Uma van com placas brasileiras entrou na área restrita, acompanhada por um carro da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina.

Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações informou que Flávio e os familiares apresentaram documentos válidos para viagem e não tinham impedimentos legais registrados para entrar na Argentina. O órgão também afirmou que a travessia ocorreu sem incidentes. Não foi esclarecido qual documento o senador utilizou.

A saída do Brasil ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), proibindo Flávio de deixar o país e determinando a entrega de seus passaportes à PF (Polícia Federal). O prazo para cumprimento da medida terminou às 11h de terça-feira, mas o parlamentar não entregou os documentos, que foram cancelados pela instituição.

A decisão de Moraes, que recebeu o aval da PGR (Procuradoria-Geral da República), foi tomada no âmbito de um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de apostas. Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no procedimento.

Willer, amigo do senador, teve até R$ 6 bilhões bloqueados por determinação judicial. Ele é investigado por suspeitas de movimentações financeiras relacionadas a apostas, além de negócios envolvendo empresas no exterior. As suspeitas ainda são objeto de investigação. Ele também está fora do País.

Flávio também é alvo de outro inquérito no STF, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na noite de terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que autorizou a entrada do senador e de sua família no país.

Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, o planejamento da saída foi mantido em sigilo até mesmo de aliados próximos do senador.

A saída do país também levantou questionamentos sobre a fiscalização do cumprimento da ordem judicial. Setores do STF criticaram a ausência de monitoramento que impedisse a viagem, mesmo com a proibição determinada por Moraes e o cancelamento dos passaportes.