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Política

Zanin manda soltar empresário investigado por venda de sentenças

Demora na denúncia leva STF a liberar preventivamente pivô de esquema de decisões judiciais

Por Gustavo Bonotto | 24/04/2026 21:17
Zanin manda soltar empresário investigado por venda de sentenças
Andreson de Oliveira Gonçalves, em foto publicada nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Facebook)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin, determinou nesta sexta-feira (24) a soltura do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por atuar em esquema de venda de sentenças que teve desdobramentos em Mato Grosso do Sul. A decisão substitui a prisão preventiva por tornozeleira eletrônica após demora na apresentação da denúncia.

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O ministro do STF Cristiano Zanin determinou a soltura do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por venda de sentenças com desdobramentos em Mato Grosso do Sul. Preso desde novembro de 2025, ele terá prisão preventiva substituída por tornozeleira eletrônica devido à demora na apresentação de denúncia formal pela PGR. O investigado deverá cumprir recolhimento noturno e não poderá contatar outros investigados ou acessar sistemas do STJ.

Andreson estava preso desde novembro de 2025. Ele chegou a cumprir prisão domiciliar por problemas de saúde, após perder peso e apresentar quadro clínico considerado grave. Zanin entendeu que o tempo prolongado sem acusação formal justificava a revogação da prisão.

Com a decisão, o investigado deve usar monitoramento eletrônico, cumprir recolhimento noturno e não pode manter contato com outros investigados. Ele também fica proibido de acessar sistemas do Superior Tribunal de Justiça.

O nome do empresário aparece em investigações que atingiram Mato Grosso do Sul, como a operação que apurou venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Estado. Na ocasião, a Polícia Federal identificou indícios de negociação de sentenças, com participação de advogados, empresários e servidores públicos.

Reportagens do Campo Grande News mostraram que o esquema incluía pagamento de propina para direcionar decisões e acesso antecipado a informações de processos. A apuração também apontou uso de empresas e movimentações financeiras para ocultar valores.

Segundo a Polícia Federal, Andreson atuava como intermediário entre interessados e integrantes do esquema. Ele buscava clientes dispostos a pagar por decisões favoráveis e articulava contatos com servidores.

Relatórios indicam que o grupo usava linguagem codificada para tratar dos acertos. Em mensagens analisadas, termos como “obra pronta” indicavam decisões já elaboradas para assinatura.

Apesar dos indícios, o inquérito ainda não resultou em denúncia formal da PGR (Procuradoria-Geral da República). O atraso foi citado por Zanin ao justificar a soltura.

A Polícia Federal pediu novo prazo para concluir a investigação. O caso segue em andamento no Supremo Tribunal Federal.