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Cidades

Reservatórios em áreas indígenas de Dourados são os focos de chikungunya

Foram instalados equipamentos devido à falha constante no abastecimento e à falta de água na localidade

Por Lucia Morel e Judson Marinho | 01/04/2026 18:22
Reservatórios em áreas indígenas de Dourados são os focos de chikungunya
Imagem mostra um dos reservatórios usado nas aldeias. (Foto: Governo de MS)

Os reservatórios de água da reserva indígena de Dourados, a 251 Km de Campo Grande, são os vilões do surto de chikungunya na localidade. Há anos as aldeias Jaguapiru e Bororó, que abrigam mais de 20 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena, sofrem com o abastecimento deficiente e também com a falta de água.

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Reservatórios de água mal cobertos nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na reserva indígena de Dourados, a 251 km de Campo Grande, são apontados como principal causa do surto de chikungunya que já matou cinco pessoas, incluindo dois bebês. O Estado enviou 46.530 doses de vacina e descarta decretar emergência estadual, afirmando que as medidas assistenciais são suficientes para controlar a situação.

Iniciativas estaduais e federais para fornecer água, aliadas ao costume indígena de armazenar a água da chuva, fizeram das aldeias o ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue e da chikungunya. Esta última já provocou 5 mortes de moradores das duas aldeias, entre eles dois bebês.

A informação é da secretária adjunta de saúde do Governo do Estado, Crhistinne Maymone, durante reunião do COE (Centro de Operações de Emergência). “Como é uma área muito grande, com suas especificidades culturais e tudo mais, eles acabam tendo esses reservatórios que nem sempre são devidamente cobertos”, afirmou.

De acordo com a SES, o Estado tomou providências, e adotou medida paliativa, cobrindo os reservatórios com mosquiteiro e uma tela de proteção, para evitar também o acesso do mosquito aos reservatórios de água da comunidade indígena.

De acordo com Maymone, o Estado monitora atualmente 17 municípios com alta incidência da doença. O foco das ações está no controle vetorial (manejo de insetos transmissores), com apoio da coordenação estadual no manejo de bombas costais, equipamentos de proteção individual e inseticidas para as atividades de campo. Paralelamente, profissionais de saúde passam por capacitação para identificar casos e agilizar a coleta de amostras destinadas ao LACEN (Laboratório Central de Saúde Pública).

Para o enfrentamento do surto, 46.530 doses da vacina contra a chikungunya chegaram em Dourados e Itaporã. O público-alvo são pessoas de 18 a 59 anos, sem comorbidades. A rede assistencial nestas localidades também recebe reforço na compra de medicamentos e reserva de leitos, com planejamento para o aumento na demanda por fisioterapia e consultas com reumatologistas devido à cronicidade da doença.

Apesar do cenário de alerta em diversas regiões, incluindo Corumbá e a fronteira com a Bolívia, o Governo do Estado descarta, no momento, a decretação de emergência em âmbito estadual. Segundo a secretária, a medida depende de indicadores técnicos da Defesa Civil que vão além dos dados epidemiológicos. A existência de apenas um município com decreto de emergência vigente não atende aos requisitos necessários para o rigor da norma estadual.

A Defesa Civil Estadual mantém frentes de trabalho e voluntários em Dourados para realizar levantamentos detalhados da situação. Conforme o órgão, o apoio conta com a participação de representantes da Defesa Civil Nacional no território.

Crhistinne Maymone reforça que, embora os boletins mostrem tendências preocupantes, o Estado e os órgãos parceiros, incluindo o Ministério da Saúde e a Secretaria Nacional de Saúde Indígena, conseguem assegurar as medidas assistenciais e de bloqueio necessárias sem a necessidade do decreto emergencial.

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