Casal de empresárias divide negócios, família e paixão por motos há 23 anos
Sandrinha e Vany se conheceram antes de montar a primeira empresa e hoje têm duas em Campo Grande

Sandrinha e Vany, para os mais íntimos, formam um casal de empresárias de Campo Grande e estão há 23 anos juntas. Filho de um casamento anterior, Murilo cresceu trabalhando com elas, assumiu responsabilidades importantes e já está eleito sucessor.
RESUMO
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Sandrinha e Vany são um casal de empresárias que atua há 15 anos em Campo Grande. Juntas, administram a corretora de seguros Cavalcante e a loja de moda para motociclistas Celeiro Fashion, criada após as duas desenvolverem paixão por motos. Murilo, filho de Sandrinha, cresceu na empresa e é o sucessor escolhido. O trio equilibra relações familiares e profissionais com naturalidade, priorizando resultados e discrição sobre a vida pessoal.
A integração do trio é total às segundas-feiras, dia mais agitado dentro da corretora de seguros Cavalcante, que elas administram juntas. "Tem muito acidente com os veículos no fim de semana. Muito cliente querendo resolver questões menores como alteração da forma de pagamento. É uma loucura", conta Sandrinha.
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A empresa foi aberta em 2011, após Vany deixar empregos no mesmo segmento, onde atuava como funcionária e representante de vendas. Fez uma boa cartela de clientes e adquiriu a confiança necessária para ter e manter algo seu, batizado com seu sobrenome.
As duas já moravam juntas e Sandrinha deu o apoio necessário para aquele passo, até porque ela ia pelo mesmo caminho montando a Sandra Mello Cerimonial, a própria empresa de eventos.
Mas as noites e madrugadas dedicadas aos eventos foram cansando. A empresária fez um curso de confeitaria e rapidamente começou a receber encomendas de bolos de vários andares para casamentos. "Eu já tinha muitos contatos e indicações por ter trabalhado na área e estava indo bem nessa transição", conta. Só que a pandemia de covid-19 restringiu as festas e o novo negócio não resistiu.
Sandra e os dois filhos jovens não deixaram de trabalhar na Cavalcante nesse período, que era a empresa-base da família. "Ela sempre foi se mantendo numa crescente", atesta a sócia. O mais velho virou professor e deixou o local, mas Murilo seguiu crescendo junto.
Mulheres pilotas
Uma nova fase do relacionamento começou quando Sandrinha e Vany precisaram dar um jeito de aproveitar um pouco a vida fora da empresa e se viram mães de filhos já crescidos e independentes.

Começaram a compartilhar uma paixão por motos de alta cilindrada. Sandra foi a primeira a comprar uma Harley. Vany não demorou a comprar a própria moto e fez até um curso de pilotagem segura nos Estados Unidos, tornando-se certificada internacionalmente na área. As duas ficaram superenvolvidas nesse universo, trouxeram os filhos para eles também e começaram a viajar juntas para participar de eventos em outros estados.
O hobby deu origem a uma nova empresa das sócias Mello e Cavalcante: uma loja de moda para mulheres que pilotam chamada Celeiro Fashion. "Nós percebemos esse filão e começamos a vender há 1,5 ano", conta Sandra.
Vany segue mais à frente da corretora, ao lado de Murilo, enquanto Sandrinha foca no novo negócio. A parceria do casal de empresárias é presente principalmente nas decisões comerciais relacionadas à Celeiro.
"Não havia quase nada sendo produzido pensando nelas. As vendas são apenas on-line e isso funciona porque nosso público maior está no Sudeste e Sul. Estamos sendo reconhecidas", descreve Sandrinha. Chapéu, camiseta, calças customizadas e coletes estão entre os produtos.
Mães e chefes
Nos 15 anos de parceria nos negócios, os conflitos familiares surgiram, mas nunca chegaram a atrapalhar.
O maior desafio foi a necessidade de separar a "Vany e Sandrinha mães" e a "Vany e Sandrinha chefes dos próprios filhos". A fundadora da Cavalcante teve papel mais decisivo nisso.
Murilo confirma que a influência da mãe afetiva foi fundamental para o seu crescimento como pessoa e profissional.
"A Vany acabou se tornando uma mãe pela ausência do meu pai. Ela escolheu estar comigo e hoje eu sou mais feliz do que eu imaginaria ser por causa dessa opção dela", diz o filho, hoje com 28 anos.
Preconceito
Sandra diz que o casal nunca teve problemas com os clientes ou se sentiu excluído na área empresarial por pertencer à comunidade LGBT+.
"Nós também nunca levantamos bandeiras ou deixamos isso explícito de alguma forma. Quem soube, soube de um jeito muito natural", ela afirma.
O casal prefere manter isso como um detalhe da vida particular. Para elas, o que interessa é a segurança que ambas sentem quando estão em família, juntas nos negócios e na estrada.
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