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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

11/10/2016 07:20

Agronegócio impulsiona crescimento de cidades vizinhas da Capital

Número de empresas nas cidades próximas dobrou nos últimos anos

Renata Volpe Haddad
Com 18 assentamentos que abrigam 1.850 famílias, Terenos teve crescimento populacional de 33% nos últimos anos. (Foto: Divulgação)Com 18 assentamentos que abrigam 1.850 famílias, Terenos teve crescimento populacional de 33% nos últimos anos. (Foto: Divulgação)

Na divisa com Campo Grande, duas pequenas cidades estão vendo o desenvolvimento chegar junto com a expansão das atividades agropecuárias. A proximidade com a Capital, aliada à tranquilidade do interior são qualidades que atraem cada vez mais pessoas e negócios.

Em 2011, Terenos, distante 25 km de Campo Grande, contava com 494 empresas, sendo 139 empresários do Simples Nacional. Atualmente, são 987 empresas e conforme o site Empostômetro, nenhuma empresa faliu este ano.

De acordo com o secretário adjunto da Sepaf (Secretaria de Estado de Produção e Agricultura Familiar), Gerônimo Alves Chaves, esse crescimento deve-se aos números de assentamentos e as diversas atividades agropecuárias do município.

“Terenos cresceu significativamente nos últimos anos, por causa dos assentamentos no município. A partir desse aumento populacional, cresce a demanda e serviço em áreas de saúde, comércio, segurança pública. Esse é um lado do progresso principalmente dessa estratégia de captar novos produtores para área”, explica.

Produtor e pecuarista está há 13 anos morando no sítio em Terenos. (Foto: Renata Volpe)Produtor e pecuarista está há 13 anos morando no sítio em Terenos. (Foto: Renata Volpe)

Conforme dados da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Expansão Rural), são 18 assentamentos em Terenos  que abrigam 1.850 famílias. O maior é o Santa Mônica, com 704 famílias.

A principal atividade dos assentados no município é a produção leiteira, segundo Chaves. “A atividade leiteira em Terenos é a principal fonte de renda nos assentamentos já que um laticínio foi construído na região. Mas eles também trabalham com lavouras e não dependem apenas de uma atividade”, alega.

A cooperativa Várzea Alegre expandiu a produção de aves na região nos últimos anos, sendo mais um setor que contribui para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. “As granjas são antigas na região, mas a cooperativa foi expandida, aumentando as atividades e desenvolvendo ainda mais o município”.

Pecuária de corte é uma das atividades em destaque em Terenos. (Foto: Renata Volpe)Pecuária de corte é uma das atividades em destaque em Terenos. (Foto: Renata Volpe)

Quem comemora a valorização das terras em Terenos é o produtor e pecuarista Enio Bolzan, 68, que há 18 anos comprou 36 hectares na região conhecida como Várzea Alegre. “Quando comprei, não tinha nada aqui, eu fiz tudo, construí casa, coloquei poste de luz, reformei pasto. Na época, paguei R$ 18 mil pela terra, hoje, além de ter feito tudo isso, o valor mais que triplicou”, conta.

O produtor deixou Campo Grande há 13 anos, quando resolveu se mudar para o sítio. “Quando vou para Campo Grande, fico nervoso com o trânsito, com a gritaria, agitação. Consigo resolver tudo que eu preciso no centro de Terenos, lá tem tudo e o atendimento no posto de saúde é mil vezes mais rápido e ágil do que na Capital”, conta.

Em 2009, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), contabilizavam 15.276 moradores. Em 2016, o número subiu para 20.387, crescimento de 33%.

A 44 km de Campo Grande, o número de empresas em Jaraguari cresceu 162% em 7 anos. (Foto: Divulgação)A 44 km de Campo Grande, o número de empresas em Jaraguari cresceu 162% em 7 anos. (Foto: Divulgação)

Expansão – A 44 quilômetros de Campo Grande, Jaraguari também se destaca com a agropecuária e é um dos principais produtores de hortifrúti do Estado.

Conforme o secretário adjunto da Sepaf, Jaraguari tem um peso significante para a Capital. “O município é que abastece Campo Grande com os alimentos hortifrutigranjeiros e também está em crescimento com a produção leiteira”, explica.

Com 17 assentamentos, Chaves explica que Jaraguari também tem uma atividade ampla na agropecuária. “A produção de eucaliptos cresce cada dia que passa e o município tem uma participação muito importante para o Estado com a produção de soja e milho”.

O que tem chamado a atenção, conforme o secretário, é que o município tem se destacado pelo aumento no peso das carcaças dos bovinos, na hora do abate. “O gado está mais pesado na finalização da produção e isso destaca Jaraguari, já que mostra que os produtores estão trabalhando efetivamente na pecuária de corte”.

Menor que Terenos, mas não menos importante, em 2009, Jaraguari contava com 112 empresas, sendo 29% empresários do Simples Nacional. Sete anos depois, o número aumentou 162%, passando para 294 empresas, conforme o Empresômetro. O comércio varejista lidera as empresas do município.

Jaraguari é um dos municípios que produzem carcaça bovina mais pesada. (Foto: Renata Volpe)Jaraguari é um dos municípios que produzem carcaça bovina mais pesada. (Foto: Renata Volpe)

Em 2009, Jaraguari tinha 5.776 habitantes, segundo o IBGE. Em 2016, o crescimento populacional foi de 20%, passando para 6.940 habitantes. Com a duplicação da BR-163, o acesso a Jaraguari ficou mais fácil.

Quem não troca Jaraguari por nada, é o funcionário público, Sebastião Carlos Davalos, 54. Ele já morou em Campo Grande e em Rondonopólis e da cidade mato-grossense, resolveu criar os três filhos em um lugar tranquilo: decidiu ir para Jaraguari. “Como eu já conhecia a cidade, resolvi me mudar com a família, por causa da tranquilidade, segurança, facilidade de escolas para os meninos, aqui como é pequeno, todo mundo se conhece, é mais seguro”, explica.

Sebastião conta que morou dois anos em Rondonopólis, mas a violência o assuntou. “Mudei para Jaraguari em janeiro de 2014 e achei que meus filhos iam achar ruim, ainda mais o adolescente, só que não. A adaptação foi fácil, tanto para mim e para a minha esposa, quanto para meus filhos”.

Ele diz ainda que não pretende se mudar tão cedo. “Não digo ficar aqui a minha vida toda, mas a paz nada compra. Se meus filhos quiserem fazer faculdade na Capital, o ir e vir ficou mais fácil com a duplicação da rodovia, antes, tinha muito acidente. Não vejo porquê me mudar daqui, tenho tudo o que eu preciso”.

 



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