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Saúde e Bem-Estar

Nível de proteína C reativa passa a integrar avaliação de risco cardíaco

Estudos mostram que esse índice pode prever infartos e derrames com maior precisão do que colesterol

Por Ângela Kempfer | 07/01/2026 09:01
Nível de proteína C reativa passa a integrar avaliação de risco cardíaco
Equipe da Cassems durante procedimento cardíaco no hospital (Foto: Arquivo)

Depois da pressão arterial mudar a classificação de risco, agora outro indicativo pode ajudar a prevenir complicações severas, conforme nova recomendação internacional . Por décadas, o risco de doenças cardíacas foi avaliado principalmente a partir dos níveis de colesterol no sangue. A prática surgiu nos anos 1950, quando estudos identificaram a relação entre dieta, colesterol e problemas cardiovasculares.

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O American College of Cardiology incluiu a proteína C reativa como novo marcador na avaliação de risco cardíaco. Produzida pelo fígado em resposta a processos inflamatórios, esta proteína pode prever infartos e derrames com maior precisão que o colesterol LDL.A medição é realizada por exame de sangue, com valores acima de 3 mg/dL indicando maior risco cardiovascular. Estudos mostram que aproximadamente 52% da população apresenta níveis elevados deste marcador, que pode ser reduzido através de dieta rica em fibras, atividade física regular e controle do peso.

Nas últimas duas décadas, no entanto, pesquisas indicam que outro marcador oferece uma previsão mais precisa do risco de infarto e AVC: a proteína C reativa, um indicador de inflamação de baixo grau no organismo.

Segundo matéria da Folha de São Paulo, em setembro de 2025, o American College of Cardiology publicou novas recomendações defendendo a medição rotineira da proteína C reativa em todos os pacientes, junto com os exames de colesterol.

A proteína C reativa é produzida pelo fígado em resposta a processos inflamatórios. Ela pode aumentar em casos de infecções, lesões, doenças autoimunes e distúrbios metabólicos, como obesidade e diabetes.

A dosagem é feita por exame de sangue. Valores abaixo de 1 mg/dL indicam inflamação mínima. Níveis acima de 3 mg/dL estão associados a maior risco de doenças cardiovasculares.

Estimativas apontam que cerca de 52% da população apresenta níveis elevados desse marcador. Estudos mostram que a proteína C reativa pode prever infartos e derrames com maior precisão do que o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, e com desempenho semelhante ao da pressão arterial.

A inflamação participa de todas as etapas do processo de formação de placas de gordura nas artérias, condição chamada aterosclerose.

Quando um vaso sanguíneo é danificado, por exemplo pelo excesso de açúcar no sangue ou pela exposição à fumaça do cigarro, células do sistema imunológico se acumulam no local. Essas células incorporam partículas de colesterol presentes na corrente sanguínea, formando placas que se fixam na parede das artérias.

Com o passar do tempo, essas placas podem se romper, levando à formação de coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo. Esse mecanismo está por trás de infartos e acidentes vasculares cerebrais.

O nível de proteína C reativa pode ser influenciado por hábitos de vida. Estudos associam dietas ricas em fibras à redução desse marcador. Entre os alimentos citados estão feijões, verduras, legumes, nozes, sementes, frutas vermelhas, azeite de oliva, chá verde, chia e linhaça.

A prática regular de atividade física e a perda de peso também estão associadas a níveis mais baixos de proteína C reativa.

Papel atual do colesterol

O colesterol continua sendo um fator relevante na avaliação do risco cardiovascular. No entanto, pesquisas indicam que o risco não depende apenas da quantidade de colesterol LDL, mas também do número de partículas que o transportam no sangue.

Por esse motivo, o exame de apolipoproteína B, que mede a quantidade dessas partículas, é considerado um indicador mais preciso do risco cardíaco do que a dosagem isolada do colesterol LDL.

Outro marcador utilizado é a lipoproteína (a), uma proteína associada às partículas de colesterol que facilita sua fixação nas artérias. Diferentemente de outros fatores, os níveis de lipoproteína (a) são determinados geneticamente e não sofrem influência do estilo de vida, sendo suficiente medi-los uma única vez.

Especialistas apontam que as doenças cardíacas resultam da interação de diversos fatores ao longo da vida. A combinação de exames que avaliam colesterol LDL, proteína C reativa, apolipoproteína B e lipoproteína (a) permite uma análise mais ampla do risco cardiovascular.

Com base nesses dados, as estratégias de prevenção incluem alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, sono adequado, manejo do estresse e interrupção do tabagismo, quando aplicável.