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Campo Grande, Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

25/09/2019 13:58

A grande regressão da humanidade

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Por que a miséria está aumentando? Seria por causa da globalização comercial e financeira? Se cada nação tivesse cuidado adequadamente dos problemas gerais de acordo com as leis da natureza sempre voltada para o bem, visando assegurar a paz, não teríamos agora tantos problemas mundiais. Em nossa época os seres humanos estão perdendo a generosidade. Há muita falsidade e mentira visando satisfazer a própria cobiça; falta autenticidade no proceder. A raiz do problema da imigração que fustiga a Europa está no fato de que hoje muitos estrangeiros buscam refúgio porque perderam a condição de viver em seus territórios, os quais, no passado, foram super explorados pelos colonizadores.

Há um permanente clima de disputa por tudo. Há trambiqueiros posando de homens de bem, desconfiando de todos, mas, no íntimo, só querem tirar proveito da situação, pouco se importando se vão causar danos a outros desde que ganhem com isso, além de cultivarem um sentimento de prazer e vitória nessa forma de agir. Na vida moderna falta bom senso, mas há muitos regulamentos criados e controlados por corações empedernidos visando obter vantagens. O homem, dominado pelo raciocínio, se torna uma fera quando assume o poder; não há mais coração, apenas a grande mesquinhez e insensibilidade. O poder assume a característica da coerção.

A prepotência se tornou a norma de muitos líderes e de pessoas tirânicas. Governos e empresas se tornam impositivos e abusivos, empregando o poder econômico e das armas para espalhar o ódio e o temor entre os povos. Os governos vão perdendo a possibilidade de controlar a economia de seus países, deixando aberta a porta da corrupção para o enriquecimento ilícito. Os países têm vivido em rota de desequilíbrio geral nas contas internas e externas, na produção, emprego, comércio e no preparo das novas gerações. Há décadas os mais fracos permanecem no prejuízo, financiando déficits com alto custo, entregando recursos naturais a preço de banana. O Brasil tem sido mal gerido por muito tempo. Precisamos de um governo que seja pró Brasil, pois a guerra comercial tende a se agravar e quem tiver governo displicente vai ficar por baixo.

Teóricos como Adam Smith, Keynes e Freedman, desenvolveram tantos estudos para agora a população se sentir abandonada e em vez de receber o adequado preparo para a vida, facilmente se deixa envolver por palavrório barato, pão e circo. Agora há um risco sério de faltar pão e o circo está virando drama de terror. Sucessivos governantes não olharam para a dependência externa nem para os desajustes internos e, de novo, o país está algemado pelo crescimento da dívida.

No mundo imprevidente, tornou-se norma o estouro das contas públicas. Além dos impostos arrecadados, os governantes contraem empréstimos com juros altos, comprometendo o futuro, e quando isso é feito em outra moeda, é um passo para o desastre. O espantoso encargo de juros de dois dígitos por longo período, distribuído sobre toda a população, endividando, valorizando o real, sugando as energias do país, deixando campo aberto para importações de tudo que é fabricado com mão de obra barata, travou a indústria. Faltou planejamento bem elaborado para devolver o dinheiro arrecadado em benefício para todos.

A guerra comercial, apontada como causa da recessão vindoura, decorre dos atritos do poder e quer interromper o ciclo de transferência de recursos para a China que acumulou reservas, se tornou credora, avançou na tecnologia e se capacitou para investir nas fontes de suprimento de matérias primas. O que mais os governos poderiam fazer para promover maior crescimento econômico além de disciplinar os gastos, eliminar desvios e super mordomias concedidas aos poderes e estatais?

O planeta foi amplamente espoliado em seus recursos naturais, o que interferiu na sua capacidade auto regenerativa. Atordoados pela renhida luta pela sobrevivência que a vida se tornou, os seres humanos não sonham mais. A grande regressão precisa ser interrompida, recolocando a humanidade na senda da verdadeira essência espiritual. Precisamos estabelecer alvos nobres que tenham como prioridade a melhora geral das condições de vida no planeta e aprimoramento da nossa espécie.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Hotel Transamerica Berrini, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida.

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