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Campo Grande, Quinta-feira, 23 de Março de 2017

28/01/2013 14:47

Boate Kiss: comunicação poderia ter amenizado a tragédia

Por Dane Avanzi

Ontem o Brasil acordou perplexo com a tragédia ocorrida na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, na qual, segundo os últimos relatos, 231 pessoas morreram e 123 ficaram feridas. Tragédias acontecem o tempo todo e em todo lugar e ninguém pode anular os riscos, mas é possível sim mitigá-los com planejamento, mapeamento e um bom plano de ações.

Em particular a essa situação, como gestor de uma empresa de radiocomunicação, tenho a ousadia de dizer que o uso desses equipamentos poderia ter mitigado essa tragédia. Isso porque o segurança que estava no palco tentando apagar o fogo, ao perceber que não seria possível controlar a situação, poderia ter alertado os funcionários que estavam na portaria para que liberassem a passagem, pois o local se encontrava em chamas.

Mas como grandes tragédias nunca têm um único culpado, mas sim vários, essa não foi diferente. Como sempre a omissão do poder público, que não exerceu sua atividade adequadamente no que tange a fiscalização, tem considerável cota de culpa. No entanto, a maior parte da responsabilidade, segundo as informações fornecidas pela imprensa, a meu entendimento, cabe aos gestores do local.

É impressionante como a banalização de processos de gestão e mapeamento de riscos, bem como de engenharia de segurança, tidos como importantes em qualquer lugar civilizado, é um mero detalhe, ou ainda, sequer existem para muitos administradores de negócios aqui no Brasil.

O resultado desse tipo de cultura, certamente foi o germe da tragédia da boate Kiss. Show pirotécnico em ambiente fechado sem nenhum planejamento (situação que já causou incêndios em boates gerando inúmeras tragédias pelo mundo), falta de brigada de incêndio local (exigida para evento desse porte), superlotação da casa, sinalização de saída deficiente, segurança sem comunicação adequada e percepção da tragédia que estava para acontecer. Todos esses erros, fruto de péssima gestão e planejamento, decretaram a morte de centenas de jovens.

Acredito que essa cultura de contar com a sorte, de achar que coisa ruim só acontece com os outros, é a real causa de muitas pequenas e grandes tragédias que ocorrem no Brasil. Aqui joga-se com a sorte o tempo todo, em parte por causa da impunidade, podemos citar como exemplo o emblemático caso do naufrágio do Bateau Mouche ocorrido em 1988, sem julgamento dos culpados até hoje, passadas duas décadas.

Tramita no Congresso Nacional uma Lei Federal que obrigará que a cada cinco anos seja contratado um engenheiro para fiscalizar e validar se o projeto de uma planta baixa de construção está corretamente instalado, por exemplo. No entanto, não adianta a lei se a cultura empresarial do Brasil e as autoridades constituídas não fizerem sua parte. Que a sociedade brasileira aprenda com os erros e consiga evoluir gerando uma nova ética. Enquanto isso não ocorrer, fica a dúvida: será que Deus é mesmo brasileiro?

(*)Dane Avanzi é advogado e empresário de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações e diretor presidente do Instituto Avanzi, ONG de Defesa do Consumidor de Telecomunicações

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atençao verificar quando houver grande show se os camarotes estao aptos pois estao super lotando esses camarote bombeiros de olho neste tipo de mega show mes que vem tem gustavo lima no minimo tera acima de 60 mil pessoas
 
claudemir andrade em 29/01/2013 16:03:44
Que os culpados paguem mesmo que essas pessoas ñ voltem, que a policia do rio grande do sul com sua competência possam desvendar tudo o que realmente aconteceu que agora está causando tanta dor as familias que perderam os seus ente-queridos.
Vanusa Rodrigues Fortaleza-Ceará
 
Vanusa Rodrigues do Nascimento em 28/01/2013 19:27:49
Creio eu que a responsabilidade pelas mortes é de 50% para o dono da boate que abriu sem o alvará e 50% da prefeitura da própria cidade que não interditou o local por estar sem condições de uso e não adianta o prefeito dizer que não sabia do evento pois o mesmo foi divulgado na cidade e resposável pela fiscalização deveria cancelar o evento. Os seguranças não tem culpa pois os da portaria não tinha conhecimento do que acontecia dentro da mesma, que deveria ter saídas de emergência e sprinklers(itens obrigatórios!). O dono e prefeito devem ser processados por omissão de cautela e homícido culposo, onde a sentença deve ser multiplicada pelo números de vítimas. Os mesmos devem pagar indenizações meio-a-meio a cada família.
 
Alexandre de Souza em 28/01/2013 19:22:24
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