Saúde define novas regras para doação de sangue para quem usa emagrecedores
Primeira nota técnica após popularização das canetas reduz prazos e reforça cuidados com o doador
O Ministério da Saúde publicou a primeira Nota Técnica sobre a doação de sangue por pessoas que utilizam os chamados medicamentos emagrecedores à base de agonistas do receptor de GLP-1 (hormônio natural do intestino que ajuda a controlar o apetite e a glicose no sangue). Diante da popularização dos remédios, a Nota Técnica nº 5/2026 padroniza as orientações em todo o Brasil e define novos critérios de inaptidão temporária. Até então, diante da ausência de diretrizes federais específicas, o Hemosul e as demais hemorredes estaduais estabeleciam as normas em conjunto.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O Ministério da Saúde estabeleceu novas diretrizes para doação de sangue por usuários de medicamentos emagrecedores à base de agonistas do receptor de GLP-1. A Nota Técnica nº 5/2026 define período de inaptidão temporária de 14 dias em três situações: início do uso, aumento de dose e presença de reações adversas. A medida visa garantir a segurança dos doadores, já que esses medicamentos podem causar desidratação e outros efeitos colaterais que aumentam riscos durante a doação. Entre os fármacos afetados estão Ozempic, Wegovy, Victoza, Saxenda e outros aprovados pela Anvisa. Anteriormente, os hemocentros adotavam prazos mais longos de inaptidão.
Entre os medicamentos citados estão as versões injetáveis de semaglutida (Ozempic e Wegovy), liraglutida (Victoza e Saxenda), dulaglutida (Trulicity) e tirzepatida (Mounjaro e Zepbound), além da formulação de uso oral diário da semaglutida, comercializada como Rybelsus. Todos são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
- Leia Também
- Canetas emagrecedoras forçam mudança no cardápio em restaurantes da Capital
- Motorista de ambulância é preso por vender emagrecedores paraguaios
O Ministério alerta que o uso desses medicamentos pode provocar náuseas, vômitos, diarreia, constipação e redução da ingestão de líquidos, aumentando o risco de desidratação. Na doação de sangue, esses efeitos elevam as chances de queda de pressão, tonturas e desmaios, comprometendo a segurança do doador. Por isso, determinou a padronização das orientações para quem faz uso dessas medicações, com foco na proteção do doador e na qualidade do sangue coletado.
De acordo com a gerente técnica da Rede Hemosul, Andrea Silva Campos, a principal preocupação da nova norma é a segurança do doador. “Os estudos mostram que não há intercorrência para o paciente que recebe o sangue. O cuidado maior é com o doador, por causa dos efeitos colaterais desses medicamentos”, explicou.
Inaptidão temporária - A nota técnica define três situações que levam à inaptidão temporária de 14 dias para doação:
O início do uso do medicamento,
O aumento recente da dose e
A presença de reações adversas, como náuseas, vômitos, diarreia persistente, constipação e sinais de desidratação. O prazo começa a contar após a resolução dos sintomas ou da alteração da dosagem.
Segundo Andrea, o uso do medicamento por si só não impede automaticamente a doação. “A pessoa precisa estar se sentindo muito bem, bem alimentada e hidratada. Como esses remédios reduzem o apetite, muitas vezes o doador também diminui a ingestão de água sem perceber, o que pode causar queda de pressão e mal-estar durante a coleta”, afirmou.
A gerente da rede afirma que os serviços de hemoterapia devem intensificar a triagem clínica, questionando os doadores sobre o início do tratamento, mudanças recentes na dose, sintomas gastrointestinais e sinais de desidratação, além de verificar se há compartilhamento das canetas injetáveis, prática que resulta em inaptidão por período ampliado. Andrea ressalta que os emagrecedores devem ser credenciados e autorizados pela Anvisa.
A nota também orienta o reforço da alimentação e da hidratação antes e depois da doação, além de um tempo mínimo de observação de 15 minutos após a coleta. Em procedimentos mais longos, como a doação por aférese, os cuidados devem ser ainda maiores.
Antes da norma - Antes da publicação da norma federal, o Hemosul adotava prazos mais longos de inaptidão, que variavam de seis meses a um ano, por precaução. “Como não havia orientação oficial do Ministério da Saúde, seguimos critérios mais restritivos para proteger o doador e o receptor. Agora, com a diretriz nacional, passamos a aplicar o prazo de 14 dias conforme previsto na nota técnica”, destacou a gerente técnica.
Andrea explica que os casos de inaptidão por uso de medicamentos representam, em média, um terço das pessoas que procuram o Hemosul para doar sangue, índice que pode cair com a nova diretriz.
Em 2024, o Hemosul recebeu 67.311 doadores. Em 2025, o número de candidatos caiu para 65.742, uma redução de 1.569 pessoas, o que representa cerca de 2,3% a menos. Já as bolsas coletadas passaram de 56.106 para 55.538, queda de 568 unidades, aproximadamente 1% de redução.
Onde doar - Em Campo Grande, as doações podem ser feitas na unidade do Hemosul localizada na Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 1304, além dos postos de coleta do Hemosul na Santa Casa e no Hospital Regional.
Outras unidades da Hemorrede estão localizadas em Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas e Paranaíba. Já em Coxim e em Corumbá, a rede recebe doação apenas uma vez ao mês. Nos municípios de Nova Andradina, Naviraí e Aquidauana são realizadas campanhas externas pontuais com unidade móvel.
O que é preciso para doar sangue:
Apresentar documento oficial com foto
Estar em boas condições de saúde, não estar gripado ou com outra infecção
Estar descansado e alimentado
Ter entre 16 e 69 anos de idade
O limite de idade para a primeira doação é de 60 anos, 11 meses e 29 dias
Menores entre 16 e 17 anos de idade podem doar com acompanhamento e autorização do responsável legal
Pesar no mínimo 51 kg
Quem não pode doar sangue
Quem teve Hepatite após 11 anos de idade
Doença de Chagas, Câncer, Sífilis
Pessoas infectadas pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e seus parceiros
Homens e mulheres com parceiro(a) eventual ou múltiplos parceiros sexuais, que mantêm relações com ou sem o uso de preservativo
Pessoas que compartilham seringas
Pessoas que fazem uso de drogas injetáveis ilícitas
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.




