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Campo Grande, Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

23/02/2017 10:37

Desenvolvimento Sustentável: Utopia ou uma possibilidade real?

Por Kaíque Mesquita Cardoso (*)

Ao enfrentar um novo paradigma na sociedade, a academia, o marketing empresarial, relatórios executivos e até discursos eleitorais apelam para a “consciência ecológica”, e cada vez mais procuram resgatar a ideia do ser humano como ser biológico. Em uma análise mais materialista, como diz John Foster, evidenciado em “A Ecologia de Marx (...)”, desempenhar o metabolismo do homem/mulher com a natureza.

Pois, sabe-se, mesmo que de forma intrínseca, da dependência direta da vida humana com a qualidade de um ecossistema ambientalmente equilibrado. Então, conciliar o modo de vida da humanidade com a preservação e conservação dos recursos naturais é algo que deveria ser pensado em primeira instância, uma vez que todas as relações sociais e a convivência humana dependem do lidar e da transformação da natureza para com o fornecimento de meios na reprodução da sociedade. Deste modo, é elencado aqui a categoria do “trabalho”, interpretação lukacsiana à categoria fundante do ser social.

Nesse contexto, a sustentabilidade entra em questão como o equilíbrio da sociedade capitalista com o meio ambiente. Assim, a proposta do desenvolvimento sustentável é manter o modo de produção como se configura na atualidade, atendendo ao trabalho e suprindo as necessidades, sem comprometer a capacidade de oferta contínua do meio ambiente adequado à qualidade de vida.

Ora, vive-se um contexto em que o desenvolvimento das forças produtivas cresce de maneira curiosa. A economia global não permite um break na geração de produtos e no intercâmbio de mercadorias, ou seja, depara-se com uma interação de componentes para uma “máquina” que, em última análise, tem a finalidade marcada por uma ordem infinita. Todavia, os meios necessários que fazem tal máquina se manter em constante operação são os recursos ambientais, os quais são de ordem finita.

A legislação brasileira, em sua Política Nacional de Meio Ambiente, com redação alterada pela Lei nº 7.804 / 89, apesar de não definir os recursos ambientais, cita exemplos que perpassam pelos serviços e produtos ecossistêmicos. Na Ciência Florestal, é considerado produto todo elemento tangível que se pode obter de uma floresta, como produtos madeireiros, látex, sementes e compostos químicos.

Já os serviços advêm da prestação de assistência do ecossistema na regulação dos processos naturais, a exemplo do regaste de carbono da atmosfera e até mesmo os rios voadores resultantes da grande quantidade de água evapotranspirada pela Amazônia. O INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) possui estudos quanto à quantidade de água bombeada para a atmosfera de acordo com especificidade das árvores.

Desta forma, se configura como recurso natural finito tudo aquilo que não possui resiliência no ecossistema em um determinado período de retorno, baseado apenas na expectativa de vida do ser humano. Seria curioso, portanto, não pensar que existe contradição entre uma máquina que não se pode parar de funcionar, mas que depende de recursos energéticos esgotáveis? Como ressalta István Mészáros, em “Socialismo ou Barbárie”, seria necessário então a sociedade pensar em um novo modelo de reprodução da vida social? Pois, para Mészáros, os interesses da humanidade capitalista serão os seus instrumentos de autodestruição e contribuição à extinção da espécie humana do planeta Terra.

Logo, defender os interesses de um grupo social, em um ambiente que possui conflitos contínuos de lutas de classes, remete ao sistema de ideias, sejam elas morais, econômicas ou políticas muito restritivas. Neste sentido, é coerente analisar que as ações, decorrentes de um pensamento institucional, irão atender somente aos interesses da classe que exerce poder no sistema da forma como a sociedade está organizada atualmente.

Assim, o despertar da consciência social não abrangerá a totalidade das relações sociais em todas as suas formas, mas sim, trará benefícios a algumas partes articuladas em uma totalidade. E, portanto, esse pensamento se torna ideológico. Ideológico no sentido de cumprir uma função social de natureza excepcionalmente burguesa. Enfim, é difícil reconhecer que os pilares do desenvolvimento sustentável (produção ambientalmente correta, economicamente viável e socialmente justa) constroem o caminho sustentável para uma sociedade que se molda na lucratividade de mercadorias e não na assistência das verdadeiras necessidades da humanidade.

(*) Kaíque Mesquita Cardoso é professor efetivo do IFNMG (Instituto Federal do Norte de Minas Gerais) e mestrando em Ciência Florestal pela Unesp de Botucatu.

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