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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Junho de 2018

18/03/2014 09:23

Do Azimute

Por Heitor Freire (*)

O nome do azimute é de origem árabe, de as-sumut, que significa: caminho ou direção.

É interessante como certos instrumentos da atividade técnica, podem, de repente, propiciar uma interpretação diferenciada do seu uso proporcionando uma relação com o modo de viver contemporâneo.

Dentro dessa linha de raciocínio, encontrei o azimute, que é um instrumento de orientação usado nas navegações, na astronomia e na prática de medidas de topografia e engenharia.

Existem três tipos de azimute: o magnético, que é indicado pela bússola, muito utilizado nas navegações e em astronomia; o azimute geográfico, medido em relação à distância do Pólo Norte; e, por fim, o azimute cartográfico, medido a partir da direção das linhas verticais na carta. As medidas dele podem variar de 0° a 360° e são feitas em quatro quadrantes, em sentido horário.

Mas além dele chegar até onde a vista não alcançaria, o azimute cobre uma curva geodésica com foco variável e aquele que assumir semelhante missão de se aventurar em águas distantes, terá que reprogramar o azimute de derrota em derrota. Interessante este termo, “derrota”, que para muitos representa fracasso, mas tem, neste caso, o significado de caminho aberto através de obstáculos.

Mas a que vem tudo isso? Simplesmente que cada um deve, naturalmente, ter o seu azimute na vida, para não se perder. Na guerra, quando uma patrulha é atacada e não tem como fazer frente ao inimigo, aplica-se o “azimute de fuga”, ou seja, de uma orientação para encontrar o seu caminho através dos obstáculos. É preciso sempre ter uma alternativa, uma estratégia de contingência.

Na ciência da guerra é preciso saber quando recuar. Quando o confronto nos é desfavorável, é melhor retroceder do que avançar. O que derrotou Napoleão e também Hitler, na invasão da Rússia, foi o General Frio. Invadiram o país na época do inverno e seus soldados não tinham equipamentos para enfrentar a rigorosa baixa temperatura daquele país e faltou-lhes também alimentação adequada para encarar aquela situação que por si só já era bastante adversa.

Na luta pela vida é preciso usar o quê com sabedoria?: a filosofia dos atenienses, a disciplina dos espartanos e a competência dos romanos, coroadas com o amor dos cristãos, aliadas naturalmente a um azimute divino. Ao longo da vida vamos aprendendo muita coisa. A questão é utilizar o aprendizado para nossa própria evolução.

Assim, a história e a vida nos ensinam, pela observação, a encontrarmos sempre uma orientação inteligente e precisa, seja ela oficial ou alternativa. Acordemos.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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