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27/04/2015 14:26

Drones e computadores que aprendem

Por Ronaldo Mota (*)

Inteligência artificial é o termo simples que designa a ciência de fazer com que os computadores realizem missões que, em geral, têm sido feitas por pessoas. Usamos hoje, sem nenhuma cerimônia, celulares que reconhecem vozes humanas ou compramos produtos cujas características podem ser lidas diretamente de código de barras. Somos informados, já sem espanto, de carros que dirigem autonomamente, bem como drones, veículos aéreos não tripulados, realizando inúmeras tarefas.

Em seguida, ouviremos falar cada vez mais de dronesque tomam decisões em pleno voo ou máquinas, em geral, que percebem e decidem a partir de mudanças ambientais. Em um futuro muito breve serão comuns tarefas que envolvam aprendizagem e memória, requisitos que as máquinas parecem desempenhar melhordo que os humanos.
Carros autônomos eliminarão erros humanos típicos como falta de concentração ou baixa habilidade, resultando em desejável diminuição drástica de acidentes e de vítimas de trânsito. Um mundo de robôs voadores, ao estilo drones, já podem conferir linhas de transmissão de energia ou mesmo levar auxíliosmédicos emergências em regiões remotas. As missões acima, em geral, ainda demandam um piloto humano, que dá as ordens do solo, guiando remotamente a aeronave.

A próxima etapa é um passo significativamente adiante. São máquinas que praticamente voam por si e estão programadas para tomarem decisões por si mesmas. Para tanto, os drones desta nova geração devem dispor de sensibilidade aguda ao ambiente, tendo opções de alterar suas trajetórias de forma inteligente, indo além de evitar colisões. Serão máquinas de entrega capazes de escolher a melhor rota levando em conta um cenário dinâmico,no qual outros veículos estão em permanente movimento. O nível de precisão e eficiência de resposta muitas vezes sequer é compatível com um piloto tradicional em terra.

Recentemente, as empresasInteleAscending Technologiesexpuseram um protótipo de drone capaz de navegar autonomamente entre pessoas fazendo uso de uma câmera modular Intel'sRealSense, cujo peso é da ordem de oito gramas e tem quatro milímetros de largura. Ninguém mais duvida de que mais breve do que imaginávamos dividiremos nossos espaços com objetos voadores desempenhando as mais complexas e variadas missões.

Se a presença de robôs operando em duas dimensões foi relativamente frustrante, ou seja,eles apareceram menos do que esperávamos em nosso cotidiano, é provável que os robôs de três dimensões nos surpreendam pela rapidez de entrada em cena e pela densidade de ocupação de espaço.
Veículos voadores não serão jamais livres de riscos, sejam elas máquinas inteligentes ou operadas por humanos.

Suas missões podem ser as mais nobres, entre elas aumentar nossa produtividade,como podem ser as mais espúrias, desde entregar drogas ou espionar e matar pessoas. Agravado pelo fato de que não temos legislação suficientemente clara e abrangente e muito menos código de ética plenamente estabelecido.

Questões relevantes nos aguardam ao dobrar a esquina. Será que estamos preparados para que computadores disponham de atributos que até aqui entendíamos como exclusivamente humanos, tais como emoções e criatividade? Quais os riscos embutidos, não somente em termos de desaparecimento de empregos, mas em eliminarmosquase por completo os limites e distâncias entre humanos e máquinas?

Estamos ainda numa etapa preliminar de algo mais surpreendente que virá depois, a máquina superinteligente. Ela poderá sim, de alguma forma, superar de vez os humanos e gerar situações constrangedoras inéditas para nossa espécie. Teremos ou não tempo de nos prepararmos para estas novíssimas circunstâncias?

(*) Ronaldo Mota é reitor da Universidade Estácio de Sá e co-autor do livro "Educando para inovação e aprendizagem independente", da editora Elsevier

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