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03/09/2011 06:03

Entre o sal e o açucar, por Américo Tângari Junior

Por Américo Tângari Junior (*)

"A diferença entre veneno e remédio é, muitas vezes, a dose”. A lição do alquimista suíço Paracelso, um dos pioneiros da medicina moderna no início do século 16, mantém-se atual quase 500 anos depois. Pode ser aplicada, por exemplo, ao uso do sal e do açúcar no cotidiano das pessoas.

As duas substâncias, na proporção adequada, misturadas à água, compõem a solução de reposição oral contra a desidratação, popularmente conhecida como soro caseiro, que salva muitas vidas. Ingeridas em excesso, porém, e por longos períodos, causam graves problemas para a saúde.

Sua relação com o paladar começa nos primeiros meses de existência, na fase oral, quando a boca suga o leite materno. Ao longo dos anos, novos alimentos expandem as fontes de satisfação. Mas a diversidade alimentar deve ser usada com parcimônia porque o exagero gera dependência, como se constata nos casos de obesidade mórbida, nos quais a fruição só é alcançada após a ingestão de quantidades pantagruélicas de comida.

O bem-estar associado aos sabores avança na esteira das experimentações gastronômicas, haja vista a quantidade de programas e seções de culinária na mídia. Ao mesmo tempo, as recomendações de dieta se diversificam em variações incontroláveis (mais de 10 mil tipos). Extravagâncias chamam a atenção. Alguns hão de recordar a dieta recomendando comer somente gorduras para emagrecer – sob os agradecimentos penhorados do colesterol ruim.

Como equacionar a melhor conduta diante do bombardeio informativo? Por meio de um verdadeiro zigue-zague alimentar. Atenção especial deve ser dada à dupla sal e açúcar, inevitáveis em qualquer receita.

O sal está sob os altos cuidados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que fixa o limite de seu uso nos componentes industrializados em 20%. Basta lembrar que a tradicional refeição balanceada vem sendo trocada pela mesa de salgadinhos e outras guloseimas que as fábricas não param de despejar no mercado.

Restaurantes também reduzem a quantidade, compreendendo que 20% de sal a menos não afetam o sabor das refeições. A Organização Mundial da Saúde, por sua vez, recomenda a ingestão máxima de 5 gramas de sal por dia, dosagem suficiente e necessária para abastecer de iodo o hormônio da tireóide.

Atenção: estamos consumindo o dobro disso, uma ameaça ao coração.

O açúcar acima do recomendado é um dos fatores da epidemia de obesidade da era fast-food, com matriz nos Estados Unidos e sólida ramificação entre nós. Recente pesquisa do IBGE mostrou padrões altos demais na ingestão de açúcar (e também sal e gordura saturada). O destaque vai para os refrigerantes, que já aparecem entre os cinco produtos mais consumidos pelos brasileiros.

A Associação Cardiológica Americana constata que os americanos consomem mais que o dobro do açúcar tolerado pelo corpo humano (100 gramas diários). Nós não estamos longe disso. Boa orientação é o consumo de açúcar in natura, inerente ao alimento, como nas frutas. Ele tem efeito positivo no organismo, gerando o que se chama de “energia limpa”, combustível natural para as atividades diárias.

O cuidado com a saúde começa com a consciência alimentar. E o segredo para uma vida saudável e ativa é fazer o que dá prazer ao mesmo tempo em que se previne hipertensão, diabetes e arteriosclerose, causas comprovadas de eventos graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio. No Brasil, existem mais de 30 milhões de hipertensos, e estima-se que apenas 10% deles façam o devido controle.

Recordemos Aristóteles: a virtude está no meio-termo, ou seja, no bom senso. Comer um salgado ou um merengue uma vez por semana não faz mal a ninguém. A pessoa conserva o bem-estar propiciado pelo paladar.

E é bom não esquecer de aumentar os exercícios físicos, diminuir as altas ingestões calóricas e manter o diâmetro abdominal abaixo de 90 cm.

São recomendações conhecidas e de resultados garantidos. Não hesite. Tome a iniciativa de atender às demandas de seu corpo e de sua mente.

(*) Américo Tângari Junior é médico, especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira.

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