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Campo Grande, Domingo, 13 de Outubro de 2019

20/12/2012 13:02

La Donna é Mobile...

Por Heitor Freire (*)

Mulher, mulher, sempre mulher.

É interessante como este tema me envolve permanentemente. E não só a mim. A todos os homens. É algo que nos magnetiza. Grandes personagens da literatura e da música também cantaram e aclamaram a mulher em suas manifestações.

A metáfora da criação divina da mulher retrata com muita precisão a sua finalidade: ela foi criada a partir da costela do homem, para estar ao seu lado. Não de um osso da cabeça, para ser-lhe superior e nem de um osso do pé para ser-lhe inferior.

Em artigo anterior sobre este tema já manifestei a minha mais profunda admiração pela mulher, o que reitero agora e sempre.

Um dos erros crassos que os homens cometem é o de querer entender a mulher; ela não foi feita para ser entendida, mas amada, admirada, conquistada.

Ela é mais inteligente e mais forte do que o homem, embora o contrário seja a ideia predominante. É tão inteligente que faz o homem pensar que ele é mais forte e mais inteligente e ele acredita... Ela usa a sua decantada fragilidade exatamente para envolver o homem.

A maternidade é um dos fatores que confere divindade à mulher e que lhe dá a dimensão que tem. Sem mulher, não existiria a humanidade. Elas são doutoras na arte de fazer do ato de viver algo melhor.

Giuseppe Verdi, em sua ópera Rigoletto, tem uma ária “La donna è móbile” em que representa com muita verve a figura da mulher:

“Como pluma ao vento,”

“Muda de sotaque e de pensamento...”

Criando assim uma definição de mulher com leveza. Essa ária é baseada numa peça de Victor Hugo, “Le roi s’amuse”, peça que foi censurada por muito tempo. Aliás, Victor Hugo escreveu um poema antológico dedicado ao homem e à mulher:

“O homem é a mais elevada das criaturas./ A mulher é o mais sublime dos ideais./ Deus fez para o homem um trono; / Para a mulher, um altar.

O trono exalta; o altar santifica./ O homem é o cérebro; a mulher, o coração, o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita. / O homem é o gênio; a mulher, o anjo.

O gênio é imensurável; o anjo, indefinível. / A aspiração do homem é a suprema glória;
A aspiração da mulher, a virtude extrema./ A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade.

O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência./ A supremacia representa força.
A preferência representa o direito. /O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.

A razão convence; a lágrima comove. /O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios. /O heroísmo enobrece; o martírio sublima.

O homem é o código; a mulher, o evangelho./ O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é o templo; a mulher, um sacrário.
Ante o templo, nos descobrimos; / Ante o sacrário ajoelhamo-nos.
O homem pensa; a mulher sonha. /Pensar é ter cérebro; /Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher, um lago./ O oceano tem a pérola que embeleza;
O lago tem a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma./ O homem tem um fanal; a consciência; /A mulher tem uma estrela: a esperança. / O fanal guia, a esperança salva.

Enfim...

O homem está colocado onde termina a terra; /A mulher, onde começa o céu...”

Não há nada a acrescentar.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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