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Campo Grande, Quinta-feira, 23 de Março de 2017

08/07/2013 10:20

Médicos importados, mais uma cortina de fumaça

Por Renato Azevedo Júnior (*)

“Novamente o governo escamoteia os reais motivos da dificuldade apresentada por prefeituras em fixar médicos”.

O Cremesp posicionou-se com firmeza e tomará todas as medidas necessárias para re­chaçar a anunciada decisão do governo federal de importar médicos estrangeiros, a começar por 6 mil cubanos, que atuariam no Brasil, sem necessidade de passar pelo devido processo de revalidação de diplomas.

Novamente o governo lança uma “cortina de fumaça” para escamotear os reais motivos da dificuldade apresentada por prefeituras em fixar médicos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País.

Chega a ser amoral tal proposta, arquitetada pelo mesmo governo que impediu a aprovação de mais recursos para o SUS, negando a des­tinação de 10% das receitas da União para a Saúde, na ocasião da regulamentação da Emenda Constitucional 29.

O mesmo governo também engavetou uma proposta elaborada e factível da “Carreira Especial no âmbito do SUS para profissionais de saúde da atenção básica em áreas de difícil acesso e provimento.”

A opção pelo atalho, além de demagoga, é ilegal, pois passa por cima das regras instituídas de revalidação de diplomas estrangeiros e de registro nos Conselhos de Medicina, requisitos para alguém ser médico no Brasil. É uma decisão perigosa, pois expõe a riscos pacientes mais carentes, que serão tratados por médicos inabilitados, produzindo uma Medicina de segunda classe.

A obsessão do governo federal em promover o aumento da quantidade de médicos a qualquer custo, inclusive manipulando dados, trará prejuízos irrever­síveis para o sistema de saúde.

E a qualidade dos médicos? Em 2013 teremos mais uma edição obrigatória do Exame do Cremesp, que julgamos ser uma contribuição relevante do Conselho pau­lista para pautar a discussão da má qualidade da formação médica no Brasil. Seguiremos defendendo a implantação de uma avaliação externa e independente das escolas médicas, por meio de um exame nacional de egressos que condicione o registro à comprovação de conhecimentos mínimos necessários ao exercício profissional.

Também em 2013 vai acon­tecer o novo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de Medicina. O Cremesp apoia a iniciativa do MEC, mas ressalta que tal instrumento, devido a pressões políticas e interesses particulares, não tem sido suficiente para a suspensão definitiva de vagas e fechamento de escolas mal avaliadas.

Defendemos como saída uma combinação de medidas que inclua maior financiamento para o SUS, plano de carreira para os médicos, melhores condições de trabalho, manutenção do Revalida e ações efetivas para enfrentar a deterioração do ensino médico no País. Chega de medidas irresponsáveis e eleitoreiras.

(*) Renato Azevedo Júnior é presidente do Cremesp - Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

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É lamentável o que o espírito corporativo faz. A reserva de mercado para os médicos se sobrepõe ao interesse do país e a necessidade de atender o povo mais pobre, nos locais mais desatendidos, onde os profissionais não gostam de ir por que as oportunidades de consumo e comodidade lá são mais precárias. É mais confortável ficar nas grandes cidades. Que faltam investimentos em saúde é verdade. Mas, alguns profissionais, antes de ir para a rua protestar, deveriam cumprir seus plantões nos hospitais e nos postos de saúde! A saúde pública agradeceria e muito!
 
Egon Krakhecke em 08/07/2013 11:54:47
A medida não é eleitoreira e só sabe do problema quem vive todo dia. Você que escreveu esses artigo tem plano de saúde pago.
Admiro muito alguém dizer que estudou e muitas vezes exalta os EUA, mas não sabe que os EUA e Inglaterra juntos, tem mais de 50% de médicos estrangeiros atuando no país; todos formados fora. O que muitos do contra não querem é que a Presidenta acha solução. Com fé em Deus Ela vai resolver independente dos contra.
 
luis alves em 08/07/2013 11:04:58
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