A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017

14/12/2012 08:22

Na linha do trem moderno

Por Paulo Fontenele (*)

As cidades brasileiras já começaram a oferecer uma infraestrutura mais moderna e densa para facilitar a vida de seus moradores; os investimentos em trens, metrô, ônibus e outros meios (como os monotrilhos) se multiplicam, em parte pelas exigências da Fifa para eventos esportivos de 2013 e 2014, em parte em razão da pressão dos eleitores, que miram em problemas locais para escolher seus governantes.

E assim o cenário brasileiro vai se transformando nesse grande canteiro de obras que o leva à modernidade. Os problemas são muitos, herança de sua própria história, mas a verdade é que os horizontes são promissores e os investidores se sentem mais seguros e confortáveis para acreditar nesse futuro brasileiro. Ainda há um longo caminho a percorrer até que a qualidade de vida atinja um nível desejável, principalmente nas maiores cidades, como São Paulo e Rio.

Mas vale ressaltar as boas notícias que alicerçam essa crença, a começar pelo programa de investimentos em infraestrutura anunciado pelo governo em agosto. Serão aplicados R$ 133 bilhões em nove trechos de rodovias e doze trechos de ferrovias para reduzir o custo de logística no País; ou seja, o plano prevê a construção de 7.500 quilômetros de rodovias e dez mil quilômetros de ferrovias. Deverão ser aplicados R$ 75 bilhões em cinco anos e R$ 53,5 bilhões em 20 a 25 anos. O programa acelera as concessões e reforça o investimento privado em infraestrutura.

Nas ferrovias, o programa traz como novidade a quebra do monopólio no uso das estradas de ferro e mecanismos que estimulam a redução de tarifas. O governo federal será responsável pela contratação, construção, manutenção e operação da ferrovia. Haverá separação entre o responsável pela infraestrutura física e o usuário e a criação de um novo player, o operador. Além de avançar na infraestrutura básica, para a redução do Custo Brasil no transporte de carga, o programa do governo resgata para os brasileiros a perspectiva da volta do trem de passageiros, praticamente banido em favor das rodovias. E não falamos aqui do trem-bala, que é outra frente aberta pelo governo, mas daquele trem que percorria as linhas de ferro de nosso Interior com toda a sua poesia. Agora dotado da mais alta tecnologia e embalado em muita beleza e funcionalidade, como os veículos sobre trilhos que circulam pelas cidades da Europa para desafogar o trânsito.

Se lá funciona, aqui também pode funcionar, especialmente no transporte intermunicipal. Para implantar esse programa de infraestrutura, o governo criou a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e seu presidente, Bernardo Figueiredo, enche o setor de otimismo ao afirmar: “A primeira coisa que se precisa para ter trens de passageiro é uma ferrovia, onde os trens possam circular. O que estamos construindo agora é essa base ferroviária, e estamos adotando um modelo que permite que a gente volte com o transporte de passageiros”. O novo modelo de concessão estabelece que as empresas que construirão as ferrovias não poderão estabelecer limites para circulação de trens de passageiro, que será livre. A ferrovia será aberta a qualquer tipo de trem que queira comprar o direito de circular nela.

Enfim, o governo lança pela primeira vez em décadas um programa de investimentos em logística em que a ferrovia prevalece sobre a rodovia: o trem fica com 70% do total a ser investido e o caminhão com pouco mais de 30%. O governo acona com fraestrutura maior, mais moderna, conjugada a um sistema de logística eficiente em todos os setores, como portos, aeroportos, ferrovias e ferrovias. Há problemas a enfrentar em todos eles, claro, pois foram muitas décadas de abandono. Para citar um exemplo: no Brasil, dois terços de toda a carga trafegam pelas rodovias. Nos EUA, só 38%. As ferrovias respondem por 19,5% da carga transportada no Brasil; nos EUA, esse índice é de 28,7%.

A rede ferroviária brasileira, de 29 mil quilômetros, é hoje menor do que foi há 90 anos. Empresas de commodities dizem que há urgência nessas obras. Numa pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral junto a 126 empresas que geram mais de um quarto do PIB brasileiro, a principal sugestão para a redução do custo do frete é a construção de mais ferrovias. Os economistas têm dificuldades para quantificar o impacto da infraestrutura precária sobre a economia, mas concordam que as limitações na rede de transportes e a saturação dos portos impedem a economia de crescer de modo consistente acima de 4% ao ano, taxa necessária para que o Brasil alcançasse o status de nação desenvolvida.

Mas, pelo andar da carruagem e diante de todas as iniciativas tomadas recentemente, é bom que os brasileirosmantenham o foco e o otimismo. O rumo tomado é o da modernidade e solução de problemas.

(*)Paulo Fontenele é presidente da CAF Brasil, subsidiária da Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles, uma das maiores fabricantes de trens de passageiros do mundo.

Da hora, tio!
Confesso que estou com saudade dos tempos já vividos. Dos tempos em que às oito da matina as crianças já estavam na escola desde às sete e Marta e eu...
Automação não é só para call center
A automação de atividades tem sido bastante discutida nas empresas e na imprensa, mas por um viés “negativo”: a substituição dos homens pelas máquina...
Por onde começar quando se deseja mudar de carreira
Quero mudar de carreira, como escolho? Essa pergunta é mais comum do que imaginamos. Eu mesmo já passei por isto mais de uma vez, seja por não estar ...
De que maneira o setor de energia elétrica no Brasil sairá afetado pela crise?
Após uma seca severa que atingiu a geração de energia hidrelétrica e que forçou o País a recorrer para fontes de energia térmica, as chuvas voltaram ...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions