A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

06/04/2012 08:21

No lugar certo, na hora certa

Por Roberto Hollanda (*)

Logo depois de sua criação, Mato Grosso do Sul enfrentava dificuldades para crescer e se solidificar como estado pujante. A dificuldade de acesso e também a falta de culturas agrícolas para o desenvolvimento da região foram impeditivas para seu crescimento. Nesse meio tempo, a pecuária era sua grande razão de existência. O investimento em pesquisa para culturas adaptadas ao clima quente e ao inverno seco estimulou a diversificação da produção. A agricultura foi ocupando parte das pastagens e por um longo período o binômio boi-soja dominou a economia de MS.

Diversos fatores, como a necessidade de uma pecuária mais competitiva e as oscilações dos preços das commodities agrícolas, fizeram com que esse binômio diminuísse sua força. Por consequência, os investimentos, principalmente na cria de gado e as exigências sanitárias para o comércio internacional, fizeram com que o produtor tivesse que investir na renovação de suas pastagens. Sem capital, uma parcela dos pecuaristas não injetou novos recursos. Os resultados foram áreas degradadas e baixa rentabilidade na produção.

Foi exatamente nesse cenário, somado a um plano de incentivo por parte do governo estadual, que a vinda das indústrias para o Estado ganhou fôlego. Em paralelo, no restante do Brasil, o renascimento do etanol e investimentos na fabricação de carros flex, transformaram o fôlego inicial em novos negócios, situação que contribuiu diretamente para a melhoria econômica e social para Mato Grosso do Sul.

Resultado disso é que cidades como Sonora, no norte do Estado, foram criadas a partir da chegada da indústria. Inclusive o nome do empreendimento foi adotado pelo município. A população da região, de uma maneira ou outra, tem envolvimento direto com a usina instalada, uma das primeiras a chegar a MS.

Depois disso, a chegada de novos empreendimentos do setor sucroenergético nos municípios como Rio Brilhante, Angélica e Nova Alvorada do Sul geraram mais que novos postos de trabalho; em quatro anos, estas cidades tiveram sua arrecadação aumentada em quase 2.000%. Algumas dessas localidades, com indústrias do setor, já contabilizam desemprego zero, e os novos investimentos, interiorizaram o desenvolvimento, antes restrito à Capital do MS, Campo Grande. O melhor disso tudo é que as indústrias e sua área de plantio não ameaçam a produção de alimentos e nem o meio ambiente. Ao contrário, o setor já aponta para mais um produto “verde”: a bioeletricidade.

A bioeletricidade se consolidou em 2011 como mais um produto das indústrias em MS. O estado entregou para o sistema interligado nacional 1.100 Giga Watts Hora. Essa quantidade equivale a duas vezes o consumo industrial e cerca de 80% do consumo residencial de MS. Em 2010, a eletricidade exportada foi de 660 GWh e em 2009, de 220 GWh. A capacidade instalada em Mato Grosso do Sul é de 830 MW, sendo 590 MW para consumo da própria usina e 240 MW excedente.

O Estado é hoje um exemplo de potencial de viabilidade e resultados, que passou de 14 milhões de toneladas moídas de cana para 34 mi t, com capacidade para quase 74 mi t. Ou seja, ainda há possibilidade de expansão para o setor, mas são necessários investimentos tanto públicos quanto privados.

O setor, como qualquer outro que depende do clima, é influenciado pelo temperamento de São Pedro. Estocar em época de maior produção é imprescindível, principalmente para períodos como passamos na última safra. Choveu quando não era para chover, fez seca em períodos úmidos e para finalizar, geada. Mas não é só isso. É difícil competir com um produto como a gasolina que tem subsídios e isenções por parte do governo. Não defendo que esses benefícios sejam retirados do produto. Afinal, quem sofrerá com essas sanções certamente é o consumidor. Defendo um tratamento igualitário para um produto que é brasileiro e faz do País um especialista em produção sustentável de energia.

Um desafio ainda que é inerente no País é encurtar as distâncias. O problema logístico é entrave para todos os setores, não só para o sucroenergético. O tamanho continental talvez seja uma das principais dificuldades. Mas deixar passar a chance de nos tornarmos uma potência no setor energético é uma estupidez sem precedentes e justificativas.

Depender das rodovias, no caso da cana, é impor custos adicionais a um produto que poderia ser mais barato ao consumidor. Nem é preciso citar a questão tributária, que traria benefícios não só econômicos, como já citei anteriormente ambientais e sociais.

Minimizar esses problemas não é difícil para o Poder Público. Como garantia, o compromisso do setor sucroenergético com a solução desses entraves é continuar produzindo tanto para o Brasil quanto para o resto do planeta um combustível limpo, compromissado com a redução de carbono e suficiente para todos o brasileiros e para o mercado externo.

A vantagem é que ainda podemos crescer. Mato Grosso do Sul, por exemplo, ainda tem 84% de suas pastagens degradadas. São áreas improdutivas, onde é possível diversificar. Trazer cana, florestas e cultivo de outros alimentos. Fora isso, a solução é que cada um faça a sua parte. O governo que vista a camisa canarinho e invista, e o setor sucroenergético, que continue fazendo sua parte, trabalhando e produzindo.

(*)Roberto Hollanda é presidente da Biosul – Associação de Produtores de Bioenergia de MS

Desarranjo planetário
Enfrentamos um desarranjo global na gestão pública. Os líderes se afastam da ideia de que são responsáveis por imprimir melhora geral na qualidade hu...
Tudo pelo cliente
Muitas pessoas me perguntam como é o meu dia a dia, como é administrar uma das marcas mais valiosas e admiradas do Brasil. Posso dizer, sem falsa mod...
OMC: a derrota anunciada
Não deixa de ser curioso que, num momento em que a Organização Mundial do Comércio (OMC), com sede em Genebra, é dirigida pelo diplomata brasileiro R...
Os cuidados que os varejistas devem ter com as novas leis trabalhistas
No próximo mês de novembro entrará em vigor as novas regras trabalhistas. Empresas e trabalhadores de diversos setores, entres eles o varejista, prec...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions