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Campo Grande, Quarta-feira, 28 de Junho de 2017

03/05/2012 12:55

O código e o mau olhado em Mato Grosso do Sul

Lucimar Couto

Os avanços do campo brasileiro, em termos de aumento de produção e de produtividade é espantável, pois eles ocorreram sem crescimento proporcional na ocupação de movas áreas pela agro-pecuária.

Desenvolvemos tecnologia, despertamos para a recuperação de pastagens, investimos em florestas, acasalamos agricultura com pecuária e, embora haja muito caminho a percorrer, o campo e a iniciativa particular não têm do que se envergonharem.

Mas não fizemos mais do que a obrigação, leitor, pois, com nosso sol, terras disponíveis para expansão agrícola e disposição para o trabalho, o resultado não poderia ser outro.

Fim ao cabo, verdade é que nós e o mundo acordamos para o fato de que podemos oferecer às nações algo mais importante que o Dólar e o petróleo: alimento, fixação de Carbono e combustível renovável. E algo mais que a tudo viabiliza: a iniciativa privada baseada na propriedade particular que, mal ou bem, em tudo superou as experiências socialistas que, por 80 anos, infernizaram nações e povos, sufocando liberdades e promovendo fome coletiva.

A China, o “tigre asiático”, não nos desmente, pois, restaurou o sistema capitalista em sua economia, para evitar seu colapso. Tiveram juízo e jogaram a ideologia no lixo e, lá, tal como em todo o mundo, a produção rural é sagrada, com seus agentes respeitados.

Mas nesse contexto de avanços, setores geopolíticos e outros retrógrado-ideológicos se mostram incomodados e, aparentemente acasalados, lançam um contínuo mau olhado com discurso “seca-pimenteira” que tenta satanizar aquilo que conseguimos, no campo, construir: uma agricultura e uma pecuária invejadas.

O fator geopolítico é evidente, pois, aqueles que, para produzirem, gastam bilhões em subsídios por dia para manterem sua atividade, não podem concorrer conosco. Para nos atrapalharem, com discursos ambientalistas e indigenistas fúteis, “fantosiosos”, como diria a Dilma, tentam nos paralisar com insegurança jurídica e aumento de custos da produção.

A Amazônia deve ser intocável, inabitada, as fronteiras devem ser grandes reservas. Já os setores retrógrado-ideológicos, só podem ser compreendidos através da Psicologia e, para tanto, começaríamos lembrando do “mau-olhado”, “envídeo”expressão que vem da Roma antiga. É o olhar de Caín, quando via os sacrifícios de Abel serem aceitos por Deus.

Deu origem às expressões “Invídea”, no espanhol, e “inveja” em português. Nada mais pode explicar, leitor, a aderência a uma ideologia fracassada, que ainda denomina quem sabe produzir com competência, como “latifundiário”, enquanto esquece que é o Estado brasileiro, a União, através de sucessivos governos, quem esquece seus compromissos com índios e pioneiros usados para povoar, guarnecer fronteiras e torná-las produtivas.

Mas se tais discursos buscam denegrir “os fazendeiros”, que fazer se, desde Caín, passando por Roma, as neuroses pessoais que os alimentam já existiam?

(*) Valfrido M. Chaves é psicanalista e produtor rural.

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