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Campo Grande, Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

12/06/2014 16:36

O Estado "resolve-tudo"

Por Gregorio Vivanco Lopes (*)

O Estado brasileiro cada vez mais se arroga poderes de "resolve-tudo" em matéria social. A consequência só poderá ser o desastre. Basta ver o fracasso dos assentamentos de Reforma Agrária por todo o país. Os assentados ou passam adiante os lotes por qualquer preço — pois para eles tudo é lucro — ou acabam vegetando na miséria.

A partir do momento em que o Estado se apresenta diante do povo como uma grande mamadeira, a ele acorrem pressurosos não só os necessitados, mas os incontáveis oportunistas, adotando para si qualquer rótulo que convenha: sem-terra, sem-teto, carente, excluído etc. E como a mamadeira não é suficiente para a multidão dos candidatos, o resultado é que todos reclamam e ninguém recebe o suficiente.

Para atender o número crescente dos que se dizem carentes, o Estado é obrigado a sugar cada vez mais os contribuintes, que vão eles próprios engrossando as fileiras dos carentes. Essa mentalidade socialista que tomou conta de grande parte de nossos dirigentes faz do Estado um ente quase divino, que tem obrigação de prover a todas as necessidades. De fato, ele leva pobres e ricos ao fundo do poço.

Há algum tempo o economista Luís Paulo Rosenberg, em interessante artigo na Folha de S. Paulo, escreveu: "Ninguém melhor do que o próprio trabalhador sabe onde lhe doem os calos", por isso é absurdo "substituir o discernimento dele pelo paternalismo estatal". A política de escorchar os ricos para praticar assistência social, a pretexto de distribuição de renda, é prejudicial não apenas para os escorchados, como para todo o corpo social, incluindo os mais necessitados.

Para os pobres, o incentivo ao trabalho – acompanhado de uma política salarial bem conduzida – é muito mais eficiente do que lhes dar terras, casas ou bolsas. Com efeito, se perceberem um salário digno, eles saberão administrar muito bem os seus haveres e comprar as terras ou casas que lhes convenham, sem precisar do Estado "resolve-tudo".

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

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