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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Março de 2017

10/05/2016 08:30

O que aprendemos visitando o Japão

Por Edgar Segato Neto (*)

Em abril, uma comitiva da Febrac esteve presente no 21º Congresso da WFBSC (World Federation of Building Service Contractors), realizado em Tóquio, no Japão. O evento é considerado um marco pelo segmento e reúne lideranças do mundo todo.

Fomos para aprender. Assistimos palestras, participamos de painéis, cujas apresentações falaram sobre o aumento de receita, contratações e estratégias corporativas no setor de Serviços, mas também observamos a cultura, onde impera o respeito à limpeza e à sustentabilidade ambiental.

A abertura e encerramento oficial do Congresso contaram com a presença da Princesa Imperial do Japão, substituindo o imperador Hiroito. O primeiro ministro, Shinzo Abe, deixou um vídeo de boas-vindas, já que estava em missão internacional. Essa é a demonstração de respeito que o governo tem com o empresariado.

A limpeza é uma questão cultural e nela como em outros segmentos, se refletem os costumes e hábitos japoneses, como: independência, honra, dedicação ao trabalho, lealdade, respeito ao próximo, cooperação em grupo, obstinação, ética, entre outros. Cada um é responsável pelo lixo que produz. É difícil encontrar lixeiras nas ruas, mas, é ainda mais incomum encontrar resíduos no chão.

A independência é um valor ensinado na escola quando as crianças aprendem a cuidar de seus objetos pessoais e do coletivo com atividades ligadas a culinária, costura e limpeza. Aprendem a limpar o que sujaram e participam da limpeza das dependências da escola, inclusive banheiros. Aprende-se desde cedo que a vergonha não está no limpar e sim no sujar. Vimos uma demonstração dessa cultura durante a Copa do Mundo de 2014, quando a torcida japonesa recolheu o próprio lixo nas arquibancadas.

Em relação ao nosso setor, assistimos palestras sobre o uso da robótica na prestação de serviços, considerado o futuro do nosso setor. Hoje, o sistema de limpeza se parece com o desenvolvido pelos Estados Unidos e Europa, mas também como equipamentos e técnicas similares aos nossos, como carrinho funcional e vassoura mop.

A diferença entre Brasil e Japão está na geração de sujeira e na adoção correta das técnicas e uso adequado de produtos e equipamentos - o que é possível por meio da capacitação adequada e profissional. As características da cultura japonesa repercutem de forma ampla em todos os setores e relações. Assim como um local sujo denota uma “autorização” para se sujar, um local limpo estimula a manutenção desta limpeza.

(*) Edgar Segato Neto é presidente da Febrac - Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação

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