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Campo Grande, Sábado, 24 de Junho de 2017

30/11/2014 10:22

Ouça o que seu produto tem a dizer

Por Hélio Samora (*)

O velho ditado de que o cliente tem sempre razão precisa ser revisto no mundo da Internet das Coisas. Na medida em que os produtos passam a ficar mais inteligentes e conectados, não só devemos ouvir nossos clientes, mas temos também de ouvir os próprios produtos. Sim, porque eles falam, por meio de sensores e softwares, entre outros recursos.

A indústria de manufatura já está caminhando nessa direção, transformando suas linhas de produtos e serviços para adequá-los à IoT. Ao compreender a voz dos dados que são transmitidos pelos produtos, e analisando-os em tempo real, é possível agir mais rapidamente para sanar eventuais problemas ou até evitar que estes aconteçam. E isso vale para tudo, incluindo nesse rol carros, geladeiras, máquinas de lavar, equipamentos industriais, escovas de dente e vários outros produtos de consumo equipados com aplicativos (apps) e sensores. É assim que algumas empresas já estão criando novas oportunidades de mercado e mudando a forma como os consumidores e os produtos interagem uns com os outros.

Essa tendência que está se tornando realidade abre também uma enorme oportunidade de aumento da receita. Por meio de uma recente pesquisa feita pela McKinsey, a Internet das Coisas (IoT) deverá movimentar US$ 6,2 trilhões na economia global até 2025. Para as empresas, isso significa uma nova maneira de agregar valor aos seus produtos e serviços e oferecer maior comodidade e garantia ao consumidor final.

No modelo anterior, os fabricantes se baseavam no feedback dos clientes para manter e atualizar produtos. Agora eles podem ouvir os próprios produtos e, assim, corrigir distorções, prevenir quebras, programar manutenções, e inclusive criar novos designs e oferecer serviços inovadores a partir das informações que recebem deles, podendo até identificar como estes são utilizados pelos consumidores. Isso porque os fabricantes são agora capazes de reunir e interpretar os dados com maior exatidão e usar essas informações para aperfeiçoar o ciclo de desenvolvimento do produto, o que lhes permite integrar um conjunto inteiramente novo de capacidades, resultando em maior valor não só para eles próprios, como também e principalmente para seus clientes. O objetivo é entender como aquele determinado produto vem sendo usado, de modo que o fabricante possa encontrar e corrigir problemas em um ritmo mais rápido, sem ter que esperar por notificações do cliente.

Com isso, uma infinidade de produtos pode ser eficientemente adaptada pelo usuário final ou pelo fabricante antes, ou mesmo depois da sua venda. No passado não era assim. Quando o primeiro automóvel da Ford, Modelo T, foi lançado, o usuário podia escolher qualquer cor, desde que fosse preto. Um século mais tarde, esse panorama mudou totalmente. Hoje é possível não só escolher a cor, como customizar um veículo de acordo com o gosto e a necessidade de cada usuário.

O futuro é brilhante, mas as empresas ainda estão tentando descobrir como aproveitar melhor todos esses dados. Obter as informações que chegam por meio de vários dispositivos conectados à Internet é sensacional, mas a questão é decidir como usar e compartilhar tudo isso, considerando os limites impostos pelas normas e políticas internas das empresas e das legislações locais e internacionais. Isso obriga os fabricantes a lidar com algo que não enfrentaram antes.

Mas é uma questão de tempo para tudo isso ser melhor equacionado. Em breve, empresas de diferentes áreas de atuação vão se dar conta de que ao adequarem seus produtos à IoT poderão melhorar os processos, reduzir custos e tomar decisões conscientes sobre como tornar seu negócio mais bem sucedido e obter maior satisfação dos clientes finais.

As abordagens tradicionais de obtenção de dados não funcionam mais no mundo da Internet das Coisas. Isso porque as informações estão em todos os lugares e chegam por meio dos mais variados canais. O produto tornou-se uma mercadoria, e os dados são agora o que permite ao fabricante oferecer um melhor serviço e reforçar seu poder de competitividade ante os concorrentes.

(*) Hélio Samora é engenheiro mecânico e vice-presidente da PTC para a América Latina.

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