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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

13/07/2013 06:00

País rico é país que gera riqueza para combater a pobreza

Por Aguinaldo Diniz Filho (*)

O Brasil passa por um momento histórico, que está abalando as estruturas políticas do País. As pessoas estão indo às ruas não para comemorar gols, ou a seleção, mas para gritar por seus direitos. Esse quadro de indignação e esgotamento das Instituições Públicas já era sentido há anos pelos empresários, diariamente.

O gigante Brasil estava adormecido e precisou que a população de forma ordeira e civilizada, se movimentasse como poder originário, para cobrar melhores caminhos. No meio desse turbilhão, a Abit realizou um encontro em Brasília entre empresários do setor, de todo o País, no dia 19 de junho, com parlamentares que defendem a indústria da moda e a indústria nacional. Também foi um momento histórico, pois reunimos mais de 300 pessoas interessadas em lutar por essa causa.

Sensibilizar políticos, autoridades e até mesmo nossos pares em relação a uma agenda de competitividade não é tarefa simples, mas no Encontro de Brasília estivemos coesos na direção a seguir. Essa consciência coletiva reconhece que o Brasil foi abençoado com algumas dádivas naturais, como commodities metálicas e não metálicas, mas parece que não sabemos tirar proveito desses presentes. É preciso agregar valor e transformar esses recursos em benefícios para os brasileiros. Um país rico é antes de tudo um país que gera riqueza para acabar com a pobreza.

A indústria nacional vem sendo tolhida em sua vocação que é gerar riquezas. Há uma década, a indústria representava quase 30% do PIB. Hoje, está patinando em menos de 14%. O governo criou incentivos, desonerações, redução do custo de energia, margem de preferência, PSI (Plano de Sustentação de Investimento), e dentre outras medidas, todas absolutamente importante para o setor, que faz uma vez mais questão de reconhecer, mas não são suficientes, infelizmente, tendo em vista uma concorrência desleal e predatória, em que vive o nosso setor.

Precisamos sim e talvez a hora seja agora, de uma reforma tributária que desonere, simplifique e dê transparência ao recolhimento de tributos, hoje em torno de 37% do PIB.

No bojo das reformas necessárias, que por longo tempo estão sendo discutidas, urge também, que façamos as reformas políticas, trabalhista e previdenciária, que sem dúvida, abrirão as portas do futuro para a Nação Brasileira.

O Brasil sempre foi um player muito respeitado no setor têxtil mundial, mesmo sem exportar tanto. Sua capacidade instalada envolvendo mais de 32 mil empresas, sua autossuficiência no algodão, investimentos médios de US$ 2 bilhões/ano, sendo um dos parques fabris de referência em sustentabilidade, sempre impressionou os jornalistas e compradores internacionais que vieram conhecer nosso setor in loco.

Apesar de toda a representatividade da indústria da moda nacional, de sua força inigualável de gerar emprego e renda para mais de 1,7 milhão de brasileiros, produzindo cerca de 9 bilhões de peças confeccionadas (incluindo-se aí vestuário e cama, mesa e banho) e estando dentre as quatro maiores do mundo, a carga tributária tem sido o grande algoz que está tirando nossa competitividade, juntamente com os produtos importados asiáticos que, ao contrário, recebem todos os incentivos inimagináveis para atravessar o oceano e chegar aqui, de forma tão desleal, muito mais baratos do que as roupas produzidas no próprio Brasil.

Esse quadro brasileiro de inúmeros impostos e tributos sociais, previdenciários, ambientais, trabalhistas, é um criadouro de situações que denigrem a moda brasileira, como trabalho análogo à escravidão, informalidade, produtores virando importadores, e por aí vai.

A Abit e a Frente Parlamentar Mista Jose Alencar pelo Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção estão defendendo o Pedido de Salvaguarda para Vestuário e um Regime Tributário Competitivo para Confecção (RTCC), pois acredita que somente assim será possível resgatar a competitividade e garantir não somente o emprego de milhares de brasileiros, como também crescer e gerar mais renda para o Brasil. Definitivamente, vale a pena lutar por este setor, lutar por cada atividade que gere dignidade ao povo brasileiro e, lutar pelo Brasil.

(*) Aguinaldo Diniz Filho –é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

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