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Por que os jovens de hoje não querem ser líderes?

Por Cristiane Lang (*) | 17/05/2024 13:30

A ideia de que há uma geração que não quer ser líder pode parecer contraditória, considerando a ênfase que a sociedade muitas vezes coloca na liderança e no sucesso profissional. No entanto, essa percepção reflete uma mudança nas prioridades e valores das gerações mais jovens, especialmente em meio a um cenário social, econômico e cultural em constante evolução.

Existem várias razões pelas quais alguns membros das gerações mais jovens podem resistir à ideia de assumir papéis de liderança:

A desconfiança nas estruturas de poder tradicionais: Muitos jovens cresceram em um mundo onde viram exemplos de corrupção, abuso de poder e desigualdade em instituições de liderança. Como resultado, podem desconfiar dessas estruturas e optar por não se envolver nelas.

Ênfase na colaboração e igualdade: As gerações mais jovens muitas vezes valorizam a colaboração e a igualdade mais do que hierarquias rígidas. Eles preferem trabalhar em equipe e compartilhar responsabilidades, em vez de assumir um papel de liderança tradicional.

Priorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional: Muitos jovens valorizam um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional. Eles podem ver papéis de liderança como exigentes e consumidores de tempo, o que pode entrar em conflito com suas prioridades fora do trabalho.

Busca por significado e propósito: Em vez de buscar poder ou prestígio, muitos jovens estão mais interessados em encontrar significado e propósito em seu trabalho. Eles podem preferir papéis que lhes permitam fazer a diferença e impactar positivamente o mundo, mesmo que isso signifique não ocupar uma posição de liderança formal.

Embora essa resistência à liderança possa desafiar algumas normas tradicionais, também reflete uma mudança na maneira como vemos o sucesso e o progresso na sociedade. Em vez de se concentrar exclusivamente em ascender a posições de poder, muitos jovens estão priorizando valores como colaboração, equilíbrio e propósito em suas carreiras e vidas pessoais. Isso pode levar a uma abordagem mais holística e inclusiva da liderança, onde a ênfase é colocada na capacidade de influenciar positivamente os outros, independentemente do título ou posição formal.

Quando membros de uma geração expressam uma falta de desejo em assumir papéis de liderança, a terapia pode desempenhar um papel importante em explorar e compreender as razões por trás desse sentimento. Aqui estão algumas maneiras pelas quais a terapia pode ajudar nesse contexto:

Exploração de valores e prioridades pessoais: A terapia oferece um espaço seguro para os indivíduos explorarem seus valores, crenças e prioridades pessoais. Isso pode ajudar os clientes a entenderem melhor por que não se sentem atraídos pela liderança e a identificar o que é mais importante para eles em suas vidas e carreiras.

Identificação de experiências passadas e influências culturais: A terapia pode ajudar os clientes a examinar suas experiências passadas e influências culturais que moldaram suas atitudes em relação à liderança. Por exemplo, experiências negativas com figuras de autoridade ou mensagens culturais que desvalorizam certos estilos de liderança podem influenciar a percepção do cliente sobre a liderança.

Desafio de crenças limitantes: Muitas vezes, as pessoas têm crenças limitantes sobre suas próprias habilidades e capacidades que as impedem de assumir papéis de liderança. A terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, pode ajudar os clientes a desafiar essas crenças distorcidas e desenvolver uma visão mais realista de si mesmos e de suas capacidades de liderança.

Exploração de formas alternativas de contribuir: A terapia pode ajudar os clientes a identificar outras maneiras significativas de contribuir para suas comunidades ou organizações, mesmo que não estejam interessados em assumir papéis de liderança formais. Isso pode incluir o desenvolvimento de habilidades específicas, como mentorar colegas ou liderar projetos específicos.

Desenvolvimento de habilidades interpessoais e de comunicação: Mesmo que os clientes não estejam interessados em assumir papéis de liderança formais, ainda podem se beneficiar do desenvolvimento de habilidades interpessoais e de comunicação. A terapia pode fornecer oportunidades para praticar essas habilidades e explorar maneiras de se envolver de forma eficaz com os outros, independentemente da posição hierárquica.

No final das contas, a terapia pode ajudar os indivíduos a encontrar um equilíbrio entre respeitar suas próprias preferências e necessidades e explorar oportunidades para crescimento e desenvolvimento pessoal, seja na liderança ou em outras áreas de suas vidas.

(*) Cristiane Lang é psicóloga clínica.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.

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