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Teremos um Mandela em Mato Grosso do Sul?

Por Por rido M. Chaves (*) | 07/12/2013 09:28

Morre Nelson Mandela, que passou para a história muito antes de seu falecimento, pela mensagem de superação de ódios e conflitos que sua conduta política marcou. Após décadas de militância contra um regime odiento e cruel que oprimia seu povo, tendo inclusive pego em armas, amargou 27 anos de prisão. Liberto, com carisma único, uniu sua Nação, quando eleito presidente num pleito democrático. Superou magoas pessoais e coletivos como apenas santos homens poderiam fazê-lo.

Pudera que sua mensagem de vida como promotor de paz e união chegasse em nosso triste Brasil e desalentado MS onde um Estado brasileiro plantou e cultivou um conflito étnico que nos desune e envergonha. Refiro-me, leitor, ao dito “conflito indígena”, onde índios e não-índios se tornaram buchas-de-canhão, peças impotentes num jogo imoral em que a Nação é vitima.

Povos indígenas são vitimas porque perderam seus espaços diante do avanço de outros povos e culturas mais avançadas, inclusive militarmente, e que não eram nômades. Vitimas novamente porque abandonados á própria sorte pelo Estado e governos, disso resultando degradação da família, saúde, alta criminalidade, despreparo para o trabalho digno. Os não-índios são vitimas porque foram trazidos pelo Império e pela Republica, para povoar e guardar fronteiras.

Acreditaram, compraram, pagaram, produziram, criaram uma civilização com povos de todos os quadrantes. São vitimas, digo, porque neste momento são tratados como bandidos por uns e jogados numa guerra “inventada pelo Estado”, numa aparente irresponsabilidade. Aparente porque, além de não apresentar nenhuma solução justa para as partes postas em conflito, a Funai, o Ministério da Justiça, o MPF, permitem que entidades perversas e grupos ideológicos manipulem o imaginário indígena, nele incutindo a idéia de que aqueles que compraram terras autorizados ou do próprio Estado, são bandidos ou coisa pior.

O MPF assina embaixo de um conceito de “retomada”, que acaba instituindo violência do bem e violência do mal , onde invasões, saques, furtos, incêndios parecem ser validados, porque são impunes e não coibidos pelo Estado. Entretanto, se o que se passa envergonha e repugna qual quer brasileiro “normótico”, é motivo de regozijo e sentimento de triunfo para aqueles que acreditam ainda que “o conflito é o motor da história” e que a promoção do ódio seria o grande instrumento da “marcha da história para o socialismo”, expressões que usam lá entre eles. Só se for “marcha à ré”, mas a realidade do fracasso socialista no mundo que dominou, pouco importa.

Vale o sentimento de poder ao manipular almas simples, mentir, promover insegurança jurídica num setor que salva a Nação, poder de expulsar famílias e mentir o que quer e como quer. A grande mentira desses perversos, caro leitor, é difundir para a nação e o mundo que a mortandade de índios entre eles próprios, geralmente devido a cachaça e droga, se deveria a conflitos por terras. Lamentavelmente, entidades religiosas se aliam nessa promoção infamante e impatriótica contra MS.

Como está faltando um Nelson Mandela entre nós, dentre aqueles que, no poder, poderiam selar a paz e solidificar o progresso. Mas como disse o sambista: “quem nasceu prá Messalina, por mais que se arrependa, nunca chega a Madalena!”... Nesse contexto, aos que cumprem a lei e trabalham com dignidade, só cabe resistir.

(*) Valfrido M. Chaves é psicanalista e pós graduado em Politica e Estratégia.

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