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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

18/11/2016 15:40

Um veneno chamado intolerância religiosa

Por Amanda Mariano (*)

A intolerância religiosa é um problema no Brasil e no mundo. Tem se tornado o veneno de uma sociedade e, mais recentemente, foi o tema de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Em um país miscigenado, tal ignorância já pode ser considerada um aspecto cultural. Devido a isso, foi criado um artigo na Constituição visando garantir a liberdade de culto e proteção contra a discriminação, porque tais direitos não seriam naturais. Por sátira o termo “religião” vem do latim “religare”, que significa, em termos inteligíveis, religar, voltar a unir duas partes que estavam separadas, porém a realidade é oposta e nem sempre tal proposição é cultivada pelos grupos.

Nada obstante, atos de preconceito e violência vêm se reproduzido em escolas e no trabalho como: ofensas pessoais, ameaças, danificação de imagens, bíblias, igrejas e destruição de terreiros. Há pouco tempo, o mundo ficou chocado com o ataque ao jornal Charlie Hebdo, em Paris.

Um ato contra a liberdade e uma demonstração clara de intolerância religiosa. O ato deixou 12 mortos, 11 feridos e uma revolta social. Referido aos islamistas, o ataque à redação do veículo pode gerar mais conflitos em relação aos muçulmanos que residem na Europa. Visto que, infelizmente, atos de pequenos grupos extremistas fazem com que toda uma religião seja transfigurada.

No Brasil, por exemplo, apenas em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa e as principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. Essa problemática é fruto de uma forte influência católica na formação do estado brasileiro, que desde o período colonial, com as missões jesuíticas, até o império, com a forte ligação entre estado e igreja, sempre foi predominante no território nacional.

Somado a isso, temos a conjuntura no qual os afrodescendentes conquistaram sua liberdade, levando-os às margens da sociedade e gerando um estereótipo negativo sobre si e suas crenças. Como consequência, temos o atual panorama de intolerância religiosa, principalmente contra religiões afro-brasileiras, resultando em agressões, aliados a discursos de ódio em redes sociais.

Essa valorização ou desvalorização de uma determinada religião permite a geração da discriminação e tecnologia se tornar evidente, porém não é algo novo na coletividade, já que convivemos com as diferenças desde outrora, esta é uma questão histórica e está presente desde o princípio na formação da Polis, na Grécia Antiga, pois somente nesse período abriram-se discussões éticas sobre a verdade absoluta.

Nós cidadãos acreditamos que desde o momento em que um ser passa a conviver em sociedade, ele aprende a seguir algumas crenças, adquirir valores éticos e morais, no entanto isso passa a ser um problema quando os que propagam e compartilham desse conhecimento se acham no direito de obrigar um indivíduo a seguir seus conceitos. De acordo com Jean-Paul Sartre, "a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”.

Sendo assim, medidas são necessárias para combater a intolerância religiosa no país. O Ministério Público deve acarretar ações como a que instituiu o "Dia nacional de tolerância religiosa', para gerar uma conscientização de que o respeito às diferenças é assegurado por lei e resulta em uma sociedade mais igualitária.

Do mesmo modo, a escola e a família tem papel fundamental na educação das crianças e jovens, para que aprendam a tolerar as diferenças e a valorizar a cultura nacional, pois assim o país caminhará para diminuir os problemas decorrentes da intolerância. A única convicção que devemos ter é de que o respeito à fé alheia é sagrado.

(*) Amanda Mariano é acadêmica no curso de Engenharia Ambiental da UFMS

 

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