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Alvo da Patrón, pecuarista ocultou US$ 232 mil para “doleiro dos doleiros”

Trecho de depoimento do pecuarista, prestado na delegacia da PF em Ponta Porã, foi anexado à denúncia da Lava Jato

Por Aline dos Santos | 02/01/2020 11:22
Pecuarista Antonio Mota e a esposa Cecy Mota foram alvos da operação Patrón em MS. (Foto: Arquivo)
Pecuarista Antonio Mota e a esposa Cecy Mota foram alvos da operação Patrón em MS. (Foto: Arquivo)
Messer, ao lado de Antonio, comemora aniversário em setembro de 2018. (Foto: Reprodução)
Messer, ao lado de Antonio, comemora aniversário em setembro de 2018. (Foto: Reprodução)

Inserido no núcleo político da operação Patrón, etapa da Lava Jato com alvos em Mato Grosso do Sul, o pecuarista Antonio Joaquim da Mota, deu mais do que abrigo a Dario Messer, o “doleiro dos doleiros” que estava foragido. De acordo com a denúncia do MPF (Ministério Público Federal), Antonio, apelidado de Tonho, confessou que ocultou 232 mil dólares de Messer.

Segundo a procuradoria, o valor foi recebido de Myra Athayde, em Assunção (capital do Paraguai), entre 28 e 29 de janeiro do ano passado. O compromisso era de repasse de US$ 10.000 por mês para Myra, noiva do doleiro. “Restando em 03/07/2019 o montante de US$ 192.800 em valores ainda ocultos das autoridades”.

O montante era originário de uma quantia maior: US$ 500 mil financiados por Horácio Cartes, ex-presidente do Paraguai. A forma como o doleiro se referia a Cartes – “Patrón” – foi o nome dado à operação.

“Desse valor de US$ 500,000.00 em espécie, sob o comando de Dario Messer, Myra entregou na mesma ocasião, no Paraguai, a Antonio Joaquim da Mota, a quantia de US$ 232,000.00 em dinheiro, a fim de que o mesmo a ocultasse e fosse repassando ao casal de acordo com as suas necessidades no Brasil, o que Tonho fez principalmente pelo sistema de dólar-cabo junto a Fe Cambio”, diz a denúncia.

A família Mota é dona de empresas no Paraguai – Frigorífico Norte e Agroganadera Aquidaban-, com imóveis em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, cidades na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai.

No curso das investigações, fotografias e acesos à rede wi-fi, de maio a setembro de 2018, mostram que a família abrigou Messer em Pedro Juan. O doleiro ficou foragido entre maio de 2018 e julho de 2019.

Em outra ocasião, Cecy Mendes Gonçalves da Mota, esposa do pecuarista, é incumbida de entregar pessoalmente US$ 3 mil à noiva de Messer, quando se encontrassem em viagem a Bariloche, na Argentina.

Trecho de depoimento do pecuarista, prestado na delegacia da PF (Polícia Federal) em Ponta Porã, foi anexado à denúncia pelo MPF. "Em seu segundo interrogatório realizado perante a Delegacia de Polícia Federal em Ponta Porã, Antonio Joaquim Mota reconheceu a dinâmica dos fatos, no sentido de que de fato ocultou US$ 230,000.00 a pedido de Dario Messer a fim de devolver periodicamente em parcelas a Myra Athayde". 

Trecho do depoimento do pecuarista foi anexado à denúncia do MPF do Rio de Janeiro.
Trecho do depoimento do pecuarista foi anexado à denúncia do MPF do Rio de Janeiro.

Antonio Joaquim da Mota foi denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa. No fim de 2019, a defesa informou que buscava a liberdade do pecuarista, preso na operação deflagrada em 19 de novembro. Cecy Mendes Gonçalves da Mota foi solta mediante pagamento de fiança de R$ 250 mil.

Ao todo, o MPF denunciou 19 pessoas, divididos em três núcleos: financeiro, operacional e político. Neste último, “estão aqueles que detém poder ou estão próximos dos que detém, com intuito de garantir as atividades da Orcrim [organização criminosa]e a sua impunidade”. No núcleo político, estão sete pessoas. Dentre elas, Messer, Antonio Mota, Cecy Mota, Horacio Cartes e Felipe Corgorno Alvarez.

Com prisão decretada, Felipe, diretor do Grupo Cogorno, administrador do Shopping China, disse ao Ministério Público paraguaio que estava em Londres (Inglaterra), na data em que teria ajudado o doleiro Najun Turner para ocultar US$ 500 mil.