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Cidades

Assessora de senadora de MS é denunciada por ameaças e atos antidemocráticos

Deputado Fábio Trad encaminhou à PGR denúncia contra Juliana Gaioso, assessora de Soraya Thronicke, por postagem antidemocrática

Por Silvia Frias | 30/06/2020 11:34
Reprodução de Juliana Gaioso da capa da IstoÉ sobre a prisão de Sara Winter (Foto/Reprodução)
Reprodução de Juliana Gaioso da capa da IstoÉ sobre a prisão de Sara Winter (Foto/Reprodução)

O deputado federal Fábio Trad (PSD) denunciou à PGR (Procuradoria-Geral da República) a assessora da senadora Soraya Thronicke (PSL), Juliana Gaioso Pontes, por suposto envolvimento em grupos extremistas em Campo Grande, atuando para cometer crimes contra o estado democrático de direito.

A ala extremista da direita de Campo Grande já foi notícia há poucos dias, com a denúncia publicada na revista Época, relacionada a Melquisedeque Sant´anna, 23 anos, que seria do “300 do Brasil” e é bancado pelo governo federal. Ele participou de protestos contra o STF (Supremo Tribunal Federal) no dia 31 de maio. Por ser monitor do Sinajuve (Sistema Nacional de Juventude), recebe bolsa de R$ 1,2 mil.

Fábio Trad disse que recebeu prints de publicações de Juliana Gaioso ofensivas ao estado democrático e com ameaças genéricas aos Trad.

Postagem que foi anexada à denúncia (Foto/Reprodução)
Postagem que foi anexada à denúncia (Foto/Reprodução)

A denúncia foi encaminhada ao vice-presidente da PGR, Humberto Jaques, com objetivo de ser anexada à investigação, já em andamento pela Polícia Federal, que apura formação de grupos suspeitos de organização e captação de recursos para prática de atos antidemocráticos e crimes contra a Lei de Segurança Nacional.

Em um dos prints, Juliana reproduz a capa da revista Isto É, edição do dia 19 de junho. A publicação nacional, intitulada “Terroristas de Direita”, tratava da prisão de Sara Winter, líder do grupo extremista “300 no Brasil” , e da investigação desencadeada pela Polícia Federal.

No dia 23 de junho, Juliana postou a capa da revista no Facebook com algumas alterações: retirou a fotografia de Sara, colocou uma dela, apontando uma arma e mudou alguns títulos, colocando “anti-Trad”, “joga pedra em vabagundo”, “bolsonarista extremista” e “bota medo em comunista”. Na descrição da postagem, escreveu “Fui descoberta”.

Trad disse que mais do que a ameaça a membros da família, sem nominar quem seria o alvo, o mais preocupante é a conduta considerada antidemocrática. “Ela aparece com arma apontada, ao redor dos alvos”. O deputado recebeu postagens de apoiadores da direita que teriam feito comentários e, um deles, diz “tenho o endereço dele aki (sic), se alguém precisar, tá na mão”, seguido de ofensas aos Trad.

A reportagem constatou a postagem da publicação na página de Juliana Gaioso, que recebeu 110 reações, além de oito compartilhamentos e 13 comentários. Nessas postagens, não consta a ameaça em que o homem cita ter o endereço dos Trad, mas, em várias outras citações há ofensas direcionadas principalmente ao prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), irmão do deputado.

O deputado federal também anexou uma publicação que seria de empresário de Campo Grande, semelhante à de Juliana Gaioso, com a capa da Isto É, mas a postagem não foi encontrada na página do denunciado e, por isso, a reportagem não citará o nome dele.

A reportagem entrou em contato com Juliana Gaioso, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. A senadora Soraya Thronicke também não foi localizada para comentar o assunto.

Postagem foi feita no dia 23 de junho, recebendo oito comentários (Foto/Reprodução)
Postagem foi feita no dia 23 de junho, recebendo oito comentários (Foto/Reprodução)