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Baixa no Rio Paraguai vai devolver transporte de minério à BR-262

A régua de marcação revela queda de 1 metro além do ideal e nível ainda vai cair até fim do ano.

Por Maristela Brunetto | 03/11/2023 15:25
Mineradora chegou a comemorar o transporte de volume recorde em navio maior na Hidrovia Paraguai Paraná (Foto: Divulgação)
Mineradora chegou a comemorar o transporte de volume recorde em navio maior na Hidrovia Paraguai Paraná (Foto: Divulgação)

A imagem de caminhões carregados de minério de ferro cruzando a BR-262 de oeste a leste de Mato Grosso do Sul rumo ao Porto de Santos deve voltar a ocorrer em breve, à medida que avança a queda no nível de água no Rio Paraguai. O escoamento do produto pelas mineradoras instaladas na morraria no meio do caminho entre a passagem da ponte sobre o rio e a cidade de Corumbá já ocorre de forma limitada, mas a tendência é ficar impossibilitado de continuar pela Hidrovia Paraguai-Paraná.

A medição diária da régua instalada em Ladário pela Marinha registrou hoje o nível de 0,96 cm. O parâmetro é considerar o nível a partir do zero. O ideal é que a medição esteja acima de dois metros para uma navegação sem riscos.

A situação deve se agravar ao longo das semanas, explica o pesquisador da Embrapa Pantanal Carlos Padovani. Conforme ele, o Paraguai é um rio plano, que transporta muitos sedimentos na sua passagem pelo Pantanal. Ele é formado a partir do encontro com rios tributários, como Cuiabá e São Lourenço, vindo desde o vizinho Mato Grosso. Segundo Padovani, em Cáceres o nível está bem baixo. Como a vazão é lenta, ele acredita que isso vá se refletir na região de Corumbá e Ladário daqui a 30, 40 dias. Ou seja, vai ser uma temporada de águas baixas e descendo mais ainda.

“É preciso pensar em chuva lá em cima”, explicou, apontando que já se está no meio do problema e o agravamento da dificuldade de navegação é questão de tempo. Padovani comenta que a última vez que houve uma sequência de períodos de estiagem intensa foi nos anos 60, mas à época não havia embarcações tão grandes.

A baixa no volume do rio força as empresas a mudar o perfil das embarcações, demandando calados menores, que são os espaços que ficam submersos.

Conforme a reportagem apurou com a empresa Vetorial, uma das mineradoras instaladas em Corumbá e que usam a hidrovia, em setembro era possível navegar com barcaças com calado de 3,6 metros. Na última avaliação repassada, de outubro, já era necessário calado menor, de 2,4 metros. Isso significa redução na carga transportada nos comboios e ritmo mais lento. A empresa informou que trajeto que levava 15 dias a Nueva Palmira, no Uruguai, onde há um porto, havia passado a ser percorrido em 19 dias.

Vetorial acredita que se redução do volume de água da hidrovia avançar, este mês navegação já fica prejudicada (Foto: Divulgação)
Vetorial acredita que se redução do volume de água da hidrovia avançar, este mês navegação já fica prejudicada (Foto: Divulgação)

Isso obrigou exportadores a contratarem comboios adicionais para cumprir os contratos, o que resultou em incremento de custos de logística de até US$ 7,5 por tonelada. A empresa já estimou que, a seguir o ritmo de redução do nível do rio, este mês já pode ficar prejudicada a navegação. Entretanto, a situação é menos crítica que no ano passado, quando já em setembro foi necessário parar de usar a hidrovia e só retomar em fevereiro, quando já estava avançada a temporada de chuvas.

A Vetorial informou que este ano teve volume transportado superior ao ano passado, diante das melhores condições de navegabilidade da hidrovia, com previsão de chegar a 1,2 milhão de toneladas embarcadas. A reportagem tentou contato com a J&F Mineração, sucessora da Vale na exploração do minério de ferro e manganês em Corumbá, para saber sobre o impacto no transporte dos produtos, mas não obteve informações.

No começo do ano, a empresa comemorou um marco, apontando que com o uso de um navio capesize foi possível enviar de uma só vez 175 mil toneladas ao Uruguai, quando a média por embarcação padrão é de 45 mil toneladas.

Caminhão carregado de minério de ferro parado na BR-262, em Terenos (Foto: PRF/Divulgação)
Caminhão carregado de minério de ferro parado na BR-262, em Terenos (Foto: PRF/Divulgação)

Dragagem -  Dragar o leito do rio para favorecer a navegação comercial não é uma hipótese viável, explica Padovani. Conforme ele, a medida forçaria a drenagem mais rápida da água e causaria muitos impactos. O problema, resume, é que falta água no rio, um problema sazonal e que precisa ser encarado como tal.

O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informou que, apesar da redução no nível de água do Rio Paraguai no chamado Tramo Sul, não é esperada situação como em anos anteriores, admitindo a redução no calado das embarcações. O órgão federal informou que não deve haver dragagem entre Corumbá e Porto Murtinho. Há previsão desse serviço em algumas situações pontuais, mas ainda pendente de licenciamento ambiental, diante de possíveis riscos de impactos no Bioma.

O correto seria conjugar os modais de transporte. Como a ferrovia que sempre transportou minérios foi desativada, restou o transporte rodoviário, que impacta no fluxo da BR-262 e oferece mais risco à segurança, especialmente no lado leste da rodovia, entre Campo Grande e Três Lagoas, quando também entram em cena os caminhões com madeira para as fábricas de celulose.

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