ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, SEGUNDA  02    CAMPO GRANDE 24º

Meio Ambiente

Instituto Chico Mendes reconhece uso econômico em áreas protegidas

ICMBio cria programa nacional que pode alcançar unidades federais em MS

Por Kamila Alcântara | 02/02/2026 17:43
Instituto Chico Mendes reconhece uso econômico em áreas protegidas
Trecho do cânion do Rio Salobra, que nasce no Parque Nacional da Serra da Bodoquena e deságua no Pantanal (Foto: Ibama)

Publicado no DOU (Diário Oficial da União) desta segunda-feira (2), um novo programa do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) pretende reorganizar a relação entre conservação ambiental e atividades econômicas realizadas por povos e comunidades tradicionais dentro de unidades de conservação federais.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou o programa ECOSociobio, que visa reorganizar a relação entre conservação ambiental e atividades econômicas em unidades de conservação federais. A iniciativa reconhece a presença de comunidades tradicionais nestas áreas e pretende apoiar práticas sustentáveis como extrativismo, pesca artesanal e turismo comunitário.Em Mato Grosso do Sul, o programa pode beneficiar importantes áreas protegidas, como o Parque Nacional da Serra da Bodoquena e o Parque Nacional de Ilha Grande. Embora o ECOSociobio preveja apoio técnico e fortalecimento de cadeias produtivas, a portaria não estabelece valores, cronograma ou garantias de atendimento às comunidades.

Batizada de ECOSociobio, a iniciativa é nacional, não cita estados nem biomas específicos e ainda não traz recursos garantidos, mas pode alcançar áreas protegidas de Mato Grosso do Sul, onde convivem parques nacionais, reservas privadas e comunidades que dependem diretamente do uso do território.

Na prática, o programa parte de um reconhecimento tardio: há gente vivendo, produzindo e sobrevivendo dentro ou no entorno dessas áreas. A proposta é apoiar atividades consideradas sustentáveis, como extrativismo, manejo florestal comunitário, pesca artesanal e turismo de base comunitária, desde que alinhadas às regras ambientais já existentes.

Em Mato Grosso do Sul, o alcance potencial inclui unidades federais estratégicas. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, por exemplo, protege remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado e abriga atrativos naturais explorados turisticamente há décadas, muitas vezes sem políticas claras de integração com comunidades do entorno.

Já o Parque Nacional de Ilha Grande, na divisa com o Paraná, preserva áreas de várzea do Rio Paraná e concentra disputas históricas entre conservação ambiental, pesca e ocupação humana.

O Estado também reúne Reservas Particulares do Patrimônio Natural federais, como a Buraco das Araras, a Fazenda Lageado, a Reserva Natural Engenheiro Eliezer Batista e a Howard Quigley. Apesar de serem áreas privadas, elas integram o sistema federal de conservação e podem entrar no radar do programa, sobretudo em iniciativas ligadas ao turismo sustentável e à valorização de produtos da sociobiodiversidade.

No papel, o ECOSociobio prevê apoio técnico, fortalecimento de cadeias produtivas, melhoria de infraestrutura básica e facilitação de acesso a mercados. Na prática, porém, nada disso acontece automaticamente. A portaria não define valores, não estabelece cronograma e não garante que comunidades serão atendidas sem a apresentação de projetos e articulação local.

O próprio texto deixa claro que a execução depende de orçamento disponível, parcerias e adesão das unidades de conservação. Em outras palavras, abre-se uma porta institucional, mas não há garantia de que alguém vá atravessá-la.

Em Mato Grosso do Sul, onde além das áreas federais existem nove unidades estaduais de proteção integral e cerca de 40 de uso sustentável, a iniciativa pode ajudar a organizar políticas já existentes ou, no pior cenário, se somar à lista de programas com bom discurso e efeito prático limitado.

A efetividade do ECOSociobio, portanto, não será medida pela publicação no Diário Oficial, mas pela capacidade do ICMBio de transformar diretrizes em ações concretas nos territórios.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.