Burocracia emperra R$ 100 milhões que poderiam evitar crise da chikungunya
Recursos milionários para obras seguem parados enquanto a população convive com água parada e caminhão pipa

Em algumas aldeias de Mato Grosso do Sul, abrir a torneira ainda não é um gesto automático. A água chega quando dá, muitas vezes em caminhão-pipa, armazenada em reservatórios improvisados, expostos ao calor e a riscos de contaminação e de mosquito. É nesse cenário que vivem indígenas no Estado que atualmente enfrentam epidemia de chikungunya, mesmo com mais de R$ 100 milhões já destinados para melhorar o abastecimento nas comunidades e emperrados pela burocracia.
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Comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul enfrentam crise de saneamento básico, com 66,1% das moradias sem esgotamento sanitário e apenas 32,6% com água potável adequada. Apesar de mais de R$ 100 milhões destinados para melhorias, obras não saem do papel por excesso de burocracia. A precariedade agrava epidemias, como a de chikungunya em Dourados, com mais de 2 mil casos nas aldeias.
Dados do painel lançado pelo Observatório da Cidadania nesta semana mostram o tamanho do problema: 66,1% das moradias indígenas não têm acesso a esgotamento sanitário e 27,7 mil pessoas vivem sem banheiro adequado. Ao todo, são 76,6 mil sem rede de esgoto.
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“Os recursos estão disponíveis há mais de um ano e a gente não consegue dar início às obras. É muita burocracia. Água é essencial, não dá para viver sem”, afirma o coordenador do DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul), Lindomar Terena.
Segundo ele, há R$ 45 milhões da Itaipu, R$ 15 milhões de contrapartida do Estado e outros R$ 53 milhões da bancada federal destinados à perfuração de poços e melhoria no abastecimento. Ainda assim, comunidades seguem dependendo de soluções emergenciais.
“Hoje a comunidade é abastecida por caminhão-pipa. Os reservatórios ficam no chão e acabam virando ambiente propício para problemas de saúde”, relata.
A falta de estrutura básica não fica só na falta de conforto. Ela aparece nas estatísticas de saúde.
Em Dourados, onde há epidemia de chikungunya, a maior concentração de casos está justamente nas aldeias indígenas. São mais de 2 mil casos prováveis e 1.461 confirmações, além de mortes já registradas.
Sem água regular, o controle de focos do mosquito fica mais difícil. E o problema se repete. “Dourados é um exemplo. Tem parceria, mas tem setores que travam tudo”, afirma Lindomar.

O painel Observatório da Cidadania lançado nesta quarta-feira (15) reúne dados do Censo 2022 e mostra que Mato Grosso do Sul tem a terceira maior população indígena do país, com 116,4 mil pessoas. Mas o acesso a direitos básicos ainda é desigual. Dentro das terras indígenas, apenas 32,6% das moradias têm abastecimento de água adequado dentro de casa.
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