Com movimento de R$ 60 bilhões ao ano, contrabando tem MS como rota obrigatória
Estudo mostra força das facções; cigarro, remédios, celulares e até vinho estão na lista do crime

Mato Grosso do Sul segue como uma das principais portas de entrada do contrabando no Brasil e concentra as rotas mais consolidadas para a distribuição de cigarros ilegais vindos do Paraguai. A avaliação consta no relatório “O Mapa do Contrabando: a ascensão das facções nos mercados ilegais”, divulgado pelo IDESF (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras). Segundo o estudo, o mercado ilegal movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano no País, enquanto apenas entre 5% e 10% das mercadorias contrabandeadas acabam apreendidas nas fronteiras.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Mato Grosso do Sul é apontado como principal rota do contrabando de cigarros vindos do Paraguai, movimentando R$ 10 bilhões por ano, segundo relatório do IDESF. O mercado ilegal no Brasil gira R$ 60 bilhões anuais, com apenas 5% a 10% das mercadorias apreendidas. PCC e CV controlam rotas e distribuição, enquanto novos produtos como medicamentos e agrotóxicos ampliam o comércio ilegal.
O presidente do instituto, Luciano Barros, afirma que Mato Grosso do Sul se consolidou como a principal rota do cigarro contrabandeado por causa da extensa faixa de fronteira seca com o Paraguai. O volume movimentado apenas com o produto chega a R$ 10 bilhões por ano. Ele destaca que a rota criminosa se fortaleceu ao longo de três décadas, especialmente entre Mundo Novo e a região do Rio Apa, no norte do Estado. 
- Leia Também
- Homem é detido com ampolas de tirzepatida e celulares contrabandeados
- Relatório aponta MS como ponto estratégico em rotas de contrabando de migrantes
O relatório aponta que o cigarro segue como o produto mais apreendido pela Receita Federal e representa 34% dos principais itens interceptados no País. O estudo chama atenção para a lucratividade do mercado ilegal: o cigarro contrabandeado pode render até 507% de lucro aos criminosos. Já os medicamentos chegam à margem de 415%, enquanto os celulares podem atingir lucratividade de até 390%.
Segundo o IDESF, o avanço das facções criminosas mudou o perfil do contrabando na fronteira. O estudo cita que grupos como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) passaram a controlar rotas estratégicas, logística e distribuição de mercadorias ilegais. Para Luciano Barros, as facções passaram a se apropriar da estrutura já consolidada do contrabando. “Quando as facções criminosas entram neste mercado, elas também buscam facilitação para levar outros produtos e emprestam ao contrabando também a violência”, afirmou.
Além do cigarro, o relatório destaca o crescimento de novos produtos no mercado ilegal, como vinhos, combustíveis, agrotóxicos, medicamentos e as chamadas “canetas emagrecedoras”, que passaram a aparecer com frequência nas apreensões. O documento aponta que o crime organizado demonstra rápida capacidade de adaptação e incorporação de novos produtos altamente lucrativos.
O estudo também alerta que o enfrentamento ao contrabando na fronteira Brasil-Paraguai depende de ações integradas de repressão, prevenção e desenvolvimento social. Para os pesquisadores, apenas operações policiais não conseguem conter um mercado que já opera com estrutura logística própria, corrupção, rotas fixas e forte presença de organizações criminosas.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


