Rochedinho se prepara para dois dias de sabores, tradição e queijo artesanal
Com sabores que vão da guavira ao tereré, produtores apostam em variedade para atrair visitantes
Entre tachos, prateleiras de madeira e peças descansando no processo de cura, o cheiro de queijo fresco já anuncia que Rochedinho vive os preparativos para um dos eventos mais tradicionais da zona rural de Campo Grande.
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A poucos dias da 9ª Festa do Queijo, produtores da região aceleram a produção artesanal para abastecer a maior edição já realizada da festa, marcada para os dias 15 e 16 de maio, em frente à Escola Municipal Agrícola Barão do Rio Branco.
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Neste ano, o evento terá 40 expositores e a expectativa é repetir o sucesso de público registrado em 2025, quando cerca de 10 mil pessoas passaram pela festa em busca dos sabores produzidos nas pequenas propriedades rurais da região.
Nas fazendas e sítios, a rotina mudou. O trabalho começa ainda antes do amanhecer e mobiliza famílias inteiras, que se dividem entre ordenha, preparo das massas, temperos, cura e embalagem das peças que serão levadas ao evento.
Para a produtora Joseane Souza Borges, de 34 anos, fazer queijo é mais do que fonte de renda — é tradição de família. Há mais de 20 anos, a atividade faz parte da rotina da propriedade, iniciada pelo pai, responsável pela ordenha diária de cerca de 50 a 70 litros de leite.
“Nossa produção é totalmente artesanal, e toda a família está envolvida nela. Até as crianças já estão aprendendo”, conta.
Participando pela terceira vez da Festa do Queijo, Joseane prepara variedades como frescal, meia-cura e curado. A expectativa é comercializar cerca de 100 peças durante os dois dias de evento.
Na reta final da produção, parte do trabalho é feita na cozinha experimental da Escola Agrícola Barão do Rio Branco, parceira dos produtores desde as primeiras edições da festa. O espaço ajuda a ampliar a capacidade de produção justamente no período de maior demanda.
“Podemos utilizar sempre, desde que em horários alternativos às aulas, porque a prioridade é das atividades práticas dos alunos”, explica.
Em Jaraguari, outra família também intensificou o ritmo para atender o público esperado. Aos 64 anos, Zuleide Canhete Rodrigues divide a produção com o marido, José Alceu da Silva Cabral, de 70 anos. O casal participa da festa há cinco anos e começou os preparativos ainda em abril.
“Começamos aqui às cinco horas e são cerca de seis horas por dia dentro da queijaria”, relata Zuleide.
Mesmo com parte do rebanho em processo de inseminação, o que reduziu a quantidade de leite disponível, eles mantêm a produção das encomendas e das peças destinadas ao evento.
“Estamos com duas vacas para inseminação, então conseguimos ordenhar um pouco menos de leite que o de costume”, explica Alceu.
Entre os sabores preparados pelo casal estão versões tradicionais e também receitas que carregam identidade regional, como os queijos do Reino com guavira, vinho e até tereré. Além deles, também serão vendidos frescal, meia-cura e curado. A previsão é levar entre 150 e 200 peças para a festa.
Com entrada gratuita, a 9ª Festa do Queijo começa sempre às 19h e promete transformar Rochedinho em vitrine da produção artesanal da região. Além dos produtores rurais, o público encontrará praça de alimentação, artesanato e atrações culturais durante os dois dias de programação.


