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Cidades

Com poucas doses, comunidades quilombolas de MS ficam sem vacinas

Grupo deveria entrar na primeira fase da vacinação, mas terá só 67 doses

Por Lucia Morel | 20/01/2021 18:19
Idoso negro no Asilo São João Bosco é vacinado. (Foto: Henrique Kawaminami)
Idoso negro no Asilo São João Bosco é vacinado. (Foto: Henrique Kawaminami)

Sem doses suficientes para as populações prioritárias da vacinação contra covid-19, Estados e municípios se viram como dá para atender a população com as poucas doses disponibilizadas até agora pelo Governo Federal.

Foram disponibilizadas para Mato Grosso do Sul 158.546 doses, mas grupos considerados como prioritários e a serem atendidos na primeira fase, como as comunidades quilombolas, devem ser imunizadas aos poucos.

Em Campo Grande, nos três quilombos urbanos existentes, 67 idosos serão vacinados ainda nessa primeira etapa de vacinações. Segundo a superintendente da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Ana Paula de Lima Resende, as doses devem ser aplicadas amanhã ou segunda-feira.

“O restante dessas comunidades deverá ser vacinado quando chegar o segundo lote de vacinas”, afirmou, lembrando que diante da pouca quantidade, apenas os idosos a partir de 60 anos que vivem nos quilombos, serão priorizados. “É a prioridade da prioridade”, enfatizou.

Mesmo diante da escassez e da necessidade de mais doses para cobrir mais pessoas, Ana Paula comentou que a compra de vacinas não é uma opção nesse momento, já que o Ministério da Saúde requisitou toda a produção do Instituto Butantan para si, impedindo a compra direta por Estados e municípios.

No caso de compra de outros laboratórios, ela só poderá ser feita caso as vacinas sejam liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que já autorizou a Coronavac, da China e a Oxford/AstraZeneca, fabricada na Índia.

Pelo Estado, o secretário de saúde Geraldo Resende informou que levantamento será feito para verificar a população de quilombolas em Mato Grosso do Sul e que esta deve ser contemplada com a chegada de novas doses, ainda sem data definida.

Para a professora Rosana Anunciação Franco, 46 anos, da comunidade São João Batista, no bairro Pioneiros, apesar do Governo Federal não ter encaminhados doses específicas aos quilombos, tantos Estados quanto municípios têm autonomia para movimentar o próprio plano de imunização.

Ela foi a responsável por elencar os 67 idosos das três comunidades a serem beneficiados com a imunização. “A realidade nacional infelizmente é esta. Inclui as quilombolas, mas não consegue atender a todos”, enfatiza. Eloa é coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos de Campo Grande.

Além da São João Batista, a Capital conta com mais duas comunidades de negros: a Tia Eva e a Chácara Buriti. Em todo MS, são 22 quilombos.

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