Doença de Lito Sousa levou Hermes em 4 meses; filho lembra dor: "Só podia rezar"
Condição é a mesma que hoje ataca o influenciador que tem 59 anos, apela por tratamento e emociona o País
“É um baque, um susto, uma tristeza. A gente perde o chão, não sabe o que fazer, se sente impotente. Só podia rezar”. É assim que Hermes Zornitta Júnior, de 34 anos, descreve a sensação de quando recebeu a notícia de que seu pai, na época com 59 anos, tinha a Doença Creutzfeldt-Jakob, a mesma que hoje ataca o influenciador Lito Sousa, que também tem 59 anos e hoje emociona o Brasil.
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Hermes Zornitta Júnior, de 34 anos, relata a experiência de perder o pai, Hermes Zornitta, para a Doença Creutzfeldt-Jakob em julho de 2022, apenas quatro meses após os primeiros sintomas. O empresário de Dourados, no Mato Grosso do Sul, começou a apresentar sinais de esquecimento em março daquele ano. A família buscou tratamentos alternativos, mas não havia cura. O caso ganha repercussão com o diagnóstico do influenciador Lito Sousa, que tem a mesma doença.
Hermes Zornitta, o pai, era empresário bem-sucedido em Dourados, segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. Dono da Auto Vidros Dourados, fundada em 1989 e pioneiro do Clube de Carros antigos da cidade, Zornitta começou a apresentar os primeiros sintomas da DCJ (doença Creutzfeldt-Jakob) em março de 2022. Ele faleceu 4 meses depois.
“Quando o resultado chegou, a médica já falou que ele podia viver mais três, quatro, seis meses, um ano. Os primeiros sintomas foram em março e ele morreu em julho”, lembra o filho, que hoje toma conta da empresa junto com a mãe.
O período, logo após a pandemia de covid-19, foi de muitas dores. Naquele mesmo ano, devido a uma hérnia de disco, Hermes Zornitta ia precisar fazer uma cirurgia na coluna e a família veio para Campo Grande, onde iria ser realizada. Era março de 2022 e os sintomas que já tinham aparecido se agravaram.
O filho conta que uma semana antes da cirurgia, o pai estava desanimado, cansado, e o esquecimento já acontecia. Todos achavam que era uma hérnia, mas uma situação específica acendeu o alerta. “Ele me pediu pra buscar os óculos dele num determinado lugar, me mandou três vezes a localização, mas era o endereço de casa. Falei para ele e aí ele mandou o certo”.

Num outro momento, já internado na Capital para a realização de cirurgia na coluna, o filho chegou ao quarto e o pai comentou que ele havia vindo de muito longe para chegar até lá, ao que Júnior respondeu que não era longe, porque ele estava num hotel na mesma cidade. Nesse momento, o empresário começou a chorar. “Ele percebeu que tinha algo errado”, comentou.
Depois da cirurgia em Campo Grande, a família voltou para Dourados, onde os sintomas se agravaram e Hermes precisou ser novamente internado. Ele permaneceu em hospital todo o período da doença, porque outros problemas iam aparecendo, como infecções e mau funcionamento dos órgãos.
“Fizemos tudo que estava a nosso alcance”, contou Júnior, lembrando que procuraram tratamentos fora do Brasil, compraram aparelho de neuromodulação e esperavam o momento em que o pai passaria a fazer o tratamento paliativo em casa, mas isso nunca ocorreu. “Tudo que era terapia a gente tentava fazer. Falaram que câmara hiperbárica seria bom, fizemos também”, recorda.
Por fim, Hermes Júnior, que também é advogado, ao assimilar que não haveria cura, ele acionou a Justiça para interditar o pai e tornar a mãe sua curadora. Segundo ele, esse foi um dos momentos mais difíceis.
“Foi uma dor muito grande fazer o pedido de interdição. Eu precisava olhar pra frente, sabendo que tinha que resolver as questões legais da loja, dos bens, de inventário, tudo isso com meu pai internado. Essa foi uma das coisas mais difíceis que eu tive que fazer”, lembra.
No dia do enterro do pai, em 22 de julho de 2022, o cortejo reuniu muitas pessoas e o caixão entrou no cemitério levado por um dos carros antigos que Hermes tanto amava. Para Júnior, que já contou sobre a paixão pelo Ford 36 aqui, a torcida é para que cada vez mais se estude sobre a doença e que seja encontrada a cura.
Números - Dados do Boletim Epidemiológico de outubro de 2022 do Ministério da Saúde revelam que Mato Grosso do Sul teve quatro casos confirmados de Creutzfeldt-Jakob entre 2005 e 2021.
A Doença de Creutzfeldt-Jakob provoca alterações de comportamento, lapsos de memória, dificuldade para realizar atividades cotidianas, desequilíbrio e movimentos involuntários podem estar relacionados a diferentes condições neurológicas. Ela é neurodegenerativa que provoca deterioração rápida e progressiva das funções cognitivas e motoras.
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